domingo, 25 de junho de 2017

Deuses Americanos


Você já passou pela experiência de saber que um livro que você queria ler há muito tempo, de repente virou filme ou série e você se recusa a assisti-lo (a) antes de ler o livro para ter uma visão pessoal da obra e assim não seja contaminado com a visão do produtor/diretor? Acredito que isso já deve ter acontecido com você várias vezes. Comigo aconteceu com O Senhor dos Anéis por exemplo. Agora esta experiência se repete com Deuses Americanos de Neil Gaiman. Há muito eu gostaria de ler o livro, e assim que fiquei sabendo do lançamento da série eu saí correndo para comprar e lê-lo, já que é uma das obras mais comentadas do autor depois de Sandman. Esta semana terminei de ler e resolvi tecer algumas palavras acerca da obra sem, obviamente, revelar nenhum spoiler.


Eu estava particularmente muito influenciado pelo grande número de pessoas que comentavam, por ocasião do lançamento da série, que este era um dos livros mais interessantes de Neil Gaiman. Deuses Americanos é um bom livro, porém ele não me tocou tão profundamente quanto outras duas obras de Gaiman, Sandman e O Oceano no Fim do Caminho. Arte é assim, fala a públicos específicos e, exatamente por isso, não entra no conceito de arte boa ou ruim. O livro é arte, porém não me atingiu como aconteceu com as duas obras acima que, como uma pedra que cai num lago, até hoje reverberam dentro de mim.


Em Deuses Americanos, Gaiman nos entrega uma história coesa e muito interessante e, talvez se a tivesse escrito de forma mais intimista como escreveu O Oceano no Fim do Caminho, provavelmente teria me atingido com mais profundidade. No entanto, o autor escolheu dar uma atmosfera de Road Book à história, deixando-a mais parecida com obras como o filme Sem Destino (EUA - 1969) e com o livro On The Road de Jack Kerouac lançado em 1957. Acredito que a escolha de Gaiman foi acertada à medida em que com isso conseguiu que sua história fosse menos hermética, dialogando então com uma diversidade maior de públicos. O que de fato ocorreu, tanto que agora virou série pelas mãos do serviço de Streaming da Amazon.


Uma das grandes sacadas do livro é trabalhar um conceito que já foi imaginado e trabalhado por outros autores, a saber: a ideia de que o que traz à existência os etéreos seres folclóricos das mais diversas raças e povos é a crença das pessoas, ou seja, a credulidade que oferecemos a estes seres. A própria Bíblia aceita a ideia de que há uma assembléia de deuses, dentre os quais o superior à todos é o Deus que se deu a si mesmo em prol da humanidade na pessoa de Jesus Cristo. Dentro deste entendimento, a credulidade da humanidade é que daria base para a existência dos inúmeros seres que vagam pelo mundo espiritual. A partir disto, Gaiman consegue tecer uma intrincada trama em que deuses antigos (e quase já sem poderes) convivem com novos e poderosos deuses lado a lado com os homens.


Gaiman expande este conceito ao incluir uma nova ideia, a de que ao viajarem para as mais diversas partes de nosso mundo, os homens levaram em seus corações os deuses de suas terras natais. Com isso, núcleos de credulidade se formaram sobre arquétipos de conceitos originais de seus deuses. Por exemplo, o Odin dos nórdicos foi trazido para a América junto com a onda migratória dos primeiros séculos. Mas será que o Odin crido atualmente na América é crido da mesma maneira que os Nórdicos atuais o fazem? Provavelmente não. Desta forma, o Odin americano seria o mesmo dos antigos?

Djinn

As partes mais interessantes do livro para mim foram aquelas em que Gaiman descreve como é a vida dos antigos deuses na América moderna. Ao fazer isto, o leitor acaba por descobrir origens milenares de seres que foram incorporados às novas mídias de nosso século: TV, séries, livros, internet. No final, muitos mitos e lendas foram reciclados e vendidos ao mundo ocidental, proporcionando a continuidade de conceitos que de outra forma estariam mortos e perdidos para sempre. Esse esquecimento realmente chegou a acontecer com alguns deuses, ou seja, com aqueles que não foram atualizados e passaram para o limbo das crenças. Apenas aqueles que ainda possuem uma quantidade  mínima de pessoas ainda conscientes de sua história é que conseguem, minimamente, sobreviver.

Kobold

Ascensão e queda de crenças é algo relativamente comum entre os homens. Vale lembrar que a crença em certos conceitos nunca saiu de moda, por exemplo: Dinheiro, Guerras, Luxúria entre vários outros... Ao longo de nossa vida encontramos pessoas que servem diariamente a estes deuses e nem se dão conta, e isso acontece dentro de qualquer lugar, seja ele corporativo, religioso e etc... Aliás este último é um grande exemplo de local onde certos deuses relacionados ao dinheiro se alojam facilmente.


Não posso deixar de indicar uma leitura relacionada a este conceito de credulidade. Todos os leitores aqui do Blog sabem do meu apreço pelo Universo Imaginário de Astro City do autor Kurt Busiek. No encadernado Astro City Nº 03 - Álbum de Família, lançado no Brasil  em dezembro de 2015 pela Editora Panini, há uma história (a última do encadernado) chamada Astro das Telas. A história foi para mim quase que uma epifania (!!) ao destilar de forma brilhante o que é acreditar em alguma coisa. A narrativa é perfeita e é uma verdadeira pérola preciosa que todo fã de quadrinhos ou literatura fantástica deveria ler. A história, escrita por Busiek, aborda de forma singela, triste, melancólica e violenta a ideia de se acreditar em algo. Esta HQ, por exemplo me tocou profundamente.


Voltando à Deuses Americanos eu digo que com certeza assistirei à série derivada do livro, mas fico feliz de ter lido primeiro a obra em seu estado bruto. Acredito que a série tem tudo para ser um sucesso. Bem amigos... É isso aí! Um grande abraço à todos!

domingo, 18 de junho de 2017

Batman - Sangue Ruim


Muitas são as divergências no Mundos dos Quadrinhos, mas uma das unanimidades quanto à qualidade e respeitabilidade aos personagens são as animações da DC. Acumulando experiência desde os anos 90 com as Séries Animadas de Batman e Superman, o Departamento de Animações da DC possui nomes de peso envolvidos em suas produções, dentre eles: Paul Dini, Bruce Tim, Alan Burnett, a incrível diretora de dublagens Andrea Romano e seu time de famosos dubladores, Mark Hamill, Kevin Conroy, Rosario Dawson entre outros. Batman - Sangue Ruim segue esta trilha e não decepciona. Recentemente assisti à animação com expectativas que foram plenamente atendidas. Confesso que estava com um "pé atrás" por se tratar de uma história envolvendo a chamada "Família Batman", um conceito que particularmente não me agrada muito. No passado tivemos este conceito muito presente nas HQs, por exemplo: Família Marvel (Capitão Marvel, Mary Marvel e Capitão Marvel Jr.), Família Superman (Superman, Supergirl, Super-Cão...). O conceito teve seu lugar em uma época mais inocente dos quadrinhos, e reproduzi-lo em nossos dias é algo que tem todas as prerrogativas para não dar certo. No entanto, Sangue Ruim trabalha este conceito de FAMÍLIA do personagem dentro de uma perspectiva moderna e atual.


A família em questão seriam os heróis que, inspirados no exemplo do Homem-Morcego, decidiram dedicar suas vidas ao combate ao crime sob a insígnia do Morcego de Gotham: Asa Noturna, Robin (Damian), Bat-Woman e Bat-wing. A história começa frenética com uma luta com um desfecho muito ruim para Batman, o que já dá o tom de que os protagonistas da animação serão outros, e não o Cruzado Encapuzado. O nome Sangue Ruim é muito adequado, por se dúbio em relação à quem ele se refere, à dinastia Batman ou alguma outra? Além disso, os heróis vão sendo apresentados aos poucos, e a união deles é justificada de uma forma plausível e consistente.


O ponto alto do filme para mim são os diálogos. Percebe-se um cuidado muito grande em colocar as palavras adequadas na boca de cada personagem, evitando a armadilha de se criar a constrangedora situação de ações e palavras não terem nada a ver com o DNA do personagem. Os astros do filme são Damian (filho de Bruce Wayne com Talia Al Ghul) e Dick Grayson (Asa Noturna), que se vê obrigado a vestir o manto do Homem-Morcego. Damian começa a mostrar pequenos lampejos de maturidade e do caminho que decidiu seguir ao lado do pai. Entendendo o rígido código moral adotado por Batman: Justiça, não Vingança. Há alguns segredos escondidos (estear eggs) no longa que não vou dizer para não estragar a experiência de assisti-lo. Vale ressaltar, no entanto a conversa romântica/sensual que Asa Noturna desenvolve com uma moça ao telefone enquanto luta com um criminoso. O fã descobrirá facilmente a identidade da moça do outro lado da linha com sendo Rory, a heroína Estelar dos Novos Titãs. 

O Herético em 1º Plano na imagem

A galeria de vilões é bem interessante, mas muitas surpresas vão sendo descortinadas ao longo da trama, mostrando que tudo é um grande jogo de uma mente mais perigosa por trás. A consistência dos vilões dá credibilidade à narrativa, e a história acaba sendo adulta, com violência explícita e intenções sub-entendidas. Dentre os vilões destaco 02, o Herético e Tetch. Este último um vilão mais velho que é na verdade uma mistura de gênio tecnológico dentro de uma mente doentia.

Tetch

Há um sub-texto de caráter ético que permeia a animação, ao questionar de forma sutil se a missão de Batman é ou não correta, uma vez que seus métodos sombrios e sua mente traumatizada se assemelham muito à daqueles que ele mesmo combate. Esta questão será crucial para definir o ato final da história. De ponto negativo eu poderia ressaltar o fato de Damian ser apenas um adolescente de aproximadamente 13 anos e durante as cenas de luta receber golpes de pessoas que são 10 vezes maiores que ele sem, no entanto quaisquer prejuízos ao pequeno Robin. Acho isto importante já que estamos falando de uma animação que pretende atender à critérios adultos de narrativa.


O DVD da animação traz dois extras, uma prévia da animação Liga da Justiça vs Jovens Titãs e um trailer longo do filme Esquadrão Suicida. Liga da Justiça vs Jovens Titãs parece ser uma animação muito interessante dentro da linha cronológica de crescimento e amadurecimento de Damian, já o trailer de Esquadrão Suicida gera uma profunda tristeza, pois mostra o filme que ele deveria ter sido mas não foi, muito provavelmente por medo dos acionistas perderem dinheiro com a onda de ceticismo que havia na época fruto do filme Batman vs Superman. Caso consigamos esquecer do filme e nos concentremos apenas no trailer, podemos ver o quão interessante o filme era antes de ser amputado.


Caso você tenha assistido à Batman - Sangue Ruim, diga o que achou abaixo. 
É isso aí amigos!! Abcs!

domingo, 4 de junho de 2017

Miniatura DC Série Especial Nº 11 - Jonah Hex

Miniatura DC Especial Nº 11 - Jonah Hex

Violento, letal, solitário e forjado no ambiente mais hostil que uma criança pode crescer, Jonah Hex tornou-se uma lenda do Velho Oeste dentro do panteão da Editora das Lendas. Sua personalidade complexa e seu passado obscuro construíram um personagem dos mais interessantes dentro dos quadrinhos. Sua miniatura foi lançada na Coleção de Miniaturas DC da Eaglemoss dentro do segmento "Especial". Hoje analisaremos sua miniatura, origem e passado. Um estranho homem circunscrito dentro de um período de tempo que gerou histórias memoráveis, o Velho Oeste americano.

Miniatura DC Especial Nº 11 - Jonah Hex

Jonah Hex aparece classicamente representado dentro da coleção, com seu uniforme confederado cinza. No Brasil a peça foi disponibilizada em "resina", o que a deixou bem leve. Lá fora, e no início da coleção ela foi confeccionada em metal. Embora mais leve, a peça em resina é semelhante em detalhes e não é possível distingui-la da de metal, a menos que a peguemos para sentir seu peso. A peça é praticamente um diorama, expondo o pistoleiro em um cenário que, embora pequeno, é bem representativo. Eu particularmente gostei muito. Há detalhes escondidos como o fato, por exemplo, do homem dono do esqueleto por baixo da baú ter morrido segurando (talvez gananciosamente) seu ouro. O esqueleto aparece de forma bem identificável, a caveira está bem modelada e compõe de forma emblemática o pequeno cenário. O baú também salta aos olhos, desde os pequenos entalhes, passando pelos ferrolhos, parafusos de metal até o seu conteúdo, que dá a entender se tratar de barras de ouro ou prata.

Miniatura DC Especial Nº 11 - Jonah Hex

Outro ponto bem interessante que me chamou atenção foi a consistência da terra/areia ao redor do baú. Ela foi modelada de uma forma a representar de forma fiel a terra árida, dura e amarelada das imensas planícies. Pode-se até distinguir grandes torrões de terra ao redor do baú e pés de Jonah. Os adereços estão bem situados, por exemplo, a pá atrás de Jonah, como se ele tivesse acabado de desenterrar o tesouro, a machadinha Apache em sua mão esquerda e, obviamente seu Colt .44 Dragoon na mão direita. Especificamente a respeito do traje do renegado Jonah Hex, posso dizer que está muito bom. O inconfundível uniforme cinza confederado está muito bem apresentado. Suas botas estão bem modeladas e até as dobras do tecido das calças obedecem a posição de extensão da perna direita e flexão da perna esquerda apoiada sobre o baú. Esta posição gera dobras no tecido que precisam simular as linhas de força da posição, e isso está presente. Caso observemos é possível constatar a tensão no tecido da calça ao redor do joelho esquerdo flexionado, o que gera toda uma tesão no tecido nesta perna e na outra perna em extensão. Por fim, os detalhes em dourado da camisa militar estão bons também, além do cinto, coldre e chapeú. A deformidade na face direita de Jonah, talvez pelo pequeno espaço disponível, não é tão bem delimitada, como sabemos que ocorre nos quadrinhos. De todo modo, meu parecer final é muito favorável à peça.

Miniatura DC Especial Nº 11 - Jonah Hex

Mas quem foi Jonah Hex? Jonah nasceu em 1838, filho de Woodson e Virgínia Hex. O pai era um alcoólatra que, após extrapolar seus abusos, se viu sozinho para criar o filho, já que Virgínia o abandou e fugiu com um vendedor itinerante. O pequeno Jonah passaria seus primeiros anos recebendo castigos do pai mas, ao mesmo tempo, se fortalecendo com eles. O pai, de uma forma estranha via princípios educacionais e pedagógicos nos castigos, para fazer do filho um homem. Tais castigos fortaleceu o físico e os reflexos de Jonah. Próximo dos 13 anos o pai diria algo que o marcaria para sempre, algo que passaria a carregar como sendo sua crença pessoal: "Nunca roube, minta ou implore. Nunca traia a confiança. Nunca cause dor deliberadamente a não ser que a situação exija. Nunca me use como exemplo porque eu quebrei todas essas regras, e você pôde ver o resultado que isso trouxe à minha vida". Em 1851, o pai de Jonah resolveu tentar a sorte no extremo Oeste. Durante a viagem eles se depararam com um tribo de Apaches. Como salvo-conduto Woodson ofereceu Jonah à tribo com a promessa que em 06 meses retornaria para resgata-lo, algo que nunca aconteceu. Jonah cresceu na tribo quase como um escravo, sofrendo castigos e provações, o que mudou somente quando salvou o chefe da tribo de um puma. A partir daí Jonah foi considerado como o 2º filho do chefe, o que gerou ciúmes em Noh-Tante, o filho verdadeiro do chefe.

Miniatura DC Especial Nº 11 - Jonah Hex

O status de Jonah na tribo mudara, mas por pouco tempo, já que o interesse amoroso do jovem era o mesmo de Noh-Tante, a jovem Cervo Branco. Durante uma missão para roubar cavalos de uma outra tribo, Noh-Tante esfaqueou Jonah e o deixou para morrer nas mãos da outra tribo. Jonah lutou e milagrosamente sobreviveu aos guerreiros. Foi nessa época que ele entrou para o Exército do Sul em 1861, quando eclodiu a Guerra da Secessão Americana. Jonah serviu como tenente na 4ª Cavalaria do exército confederado. Embora valoroso nos combates ele foi capturado pelo exército da União e torturado no Forte Donelson. Chicoteado e quase morto, Jonah foi deixado para morrer nas margens do Rio Cumberland, sendo salvo por um médico simpatizante da causa confederada. Foi nesta época que Lincoln proclamou a "Emancipação" e, sabendo disso e não concordando que nenhum ser humano exerça direitos sobre outro, Jonah decidiu deixar a guerra e se entregou ao exército da União. Sua ideia era passar o resto do conflito como prisioneiro. O Capitão Tennison da União foi quem o recebeu no Forte Charlotte. Tennison, porém percebeu o tipo de terra presente nas botas de Jonah e localizou o acampamento dos confederados prendendo todos. Com objetivo de semear discórdia, Tennison mentiu aos soldados de Jonah, dizendo que fora ele que os entregara. Muitos soldados confederados foram mortos e a culpa recaiu sobre os ombros de Jonah, visto agora como traidor.

Miniatura DC Especial Nº 11 - Jonah Hex

Hex abandonaria seu passado militar, mas jamais tiraria a roupa do exército confederado para lembra-lo de seus erros do passado. Foi nesta época que ele retorna à sua tribo Apache para encontrar Noh-Tante casado com Cervo Branco. Na tentativa de recuperar sua honra na tribo, Jonah desafia Noh-Tante para um duelo segundo as regras dos Apaches, no entanto Hex recebe uma machadinha sabotada. Durante a luta, para não morrer nas mãos de Noh-Tante, Hex o mata e é definitivamente desonrado pela tribo, sendo marcado (desfigurado) à ferro na face direita e banido da tribo. A partir daí Hex torna-se aquilo pelo qual a maioria dos leitores o conhece, um caçador de recompensas. Ao longo de sua carreira Jonah Hex angariou a fama de assassino frio e calculista, sempre à caça de recompensas por criminosos. Poucos foram aqueles pelos quais Hex se associou, mas podemos citar alguns, dentre eles... Tallulah Jack, uma jovem que teve sua família morta e sobreviveu à uma bala na cabeça. Posteriormente Tallulah se tornou prostituta e foi novamente torturada. Talvez por se enxergar um pouco na jovem Hex a treinou transformando-a em uma pistoleira exímia, que buscou vingança. Outro parceiro foi El Diablo. Na verdade El Diablo era um Espírito de Vingança que se apossava do bancário Lázarus Lane. Os caminhos de Hex e deste "Espírito Vingador" vieram a se cruzar algumas vezes. Por último podemos citar Bat Lash, um jogador que adorava cosias finas.

Miniatura DC Especial Nº 11 - Jonah Hex

Hex teve dois filhos, uma menina que nasceu morta e um menino que foi levado para longe dele. Muitos anos depois Hex o encontraria mas, sem qualquer tipo de laço com o jovem, Jonah se afastou dele para não ser um mal exemplo para o filho. Em 1904, o Velho Oeste já praticamente não existia, substituído pelo progresso e suas máquinas à vapor. Hex encontrou a morte nas mãos do malfeitor George Barrow. Barrow o matou enquanto Hex, já velho, estava limpando seus óculos em uma mesa de pôquer. Mas mais estranho e bizarro que a vida de Jonah Hex, foi o destino de seu corpo. Seu cadáver foi roubado pelo showman Lew Farham, que o embalsamou, o vestiu com uma roupa idiota de cowboy e passou a exibi-lo em seu show. O corpo de Hex passaria de mão em mão e continuaria exposto ao longo das décadas em monumentos em honra à Era dos Cowboys

Não posso terminar esta matéria sem mencionar a animação Superman-Shazam - O Retorno de Black Adam. Neste DVD há 08 histórias de 04 personagens diferentes, sendo um deles Jonah Hex. O pistoleiro aparece em duas animações no disco, a 1ª ainda jovem (excelente!!), e a 2ª mostra sua participação dentro da Série Animada do Batman. Vale muito a pena conferir. Para saber mais clique no link acima.

É isso aí amigos... Grande abraço!!!

domingo, 21 de maio de 2017

Coleção Definitiva do Homem-Aranha - Salvat - Atualizada Junho/2017

Nº 01 - Caído Entre os Mortos; Nº 02 - Percepções; Nº 03 - A Saga Original do Clone; Nº 04 - O Mal no Coração dos Homens; Nº 05 - Feroz; Nº 06 - Herói da Resistência; Nº 07 - Tormento.

Olá amigos... Mais uma vez a Editora Salvat atropela todas as expectativas e lança mais uma coleção de encadernados de 60 volumes agora dedicada à um único personagem. Para uma aposta assim tão ousada só mesmo a escolha óbvia de um super-herói que tem sido sinônimo de sucesso há décadas: o Homem-Aranha. Embora algumas pessoas a tenham recebido de forma fria, sobretudo em alguns canais no Youtube, para mim foi uma grata e comemorativa surpresa, mesmo alguns arcos de alguns volumes não serem tão brilhantes. Digo isto em comemoração à excelente época em que vivemos (mesmo apesar da crise) para colecionadores e amantes dos quadrinhos em nosso país. Quando pensaríamos em uma coleção como esta sobre o Cabeça de Teia? Entendo e apoio algumas manifestações sobre a questão dos lançamentos ocorrerem de forma muito simultânea, o que inviabiliza a aquisição de tudo. No entanto, entendo este lançamento como termômetro do vigor do mercado de quadrinhos no Brasil.

09 ao 16

A Coleção obedece ao modus operandi já usado pela pela Salvat e Eaglemoss em suas outras coleções do gênero (As Coleções de Graphic Novels da Salvat Capa Preta e Capa Vermelha e a Coleção DC de Graphic Novels da Eaglemoss), ou seja, 60 volumes iniciais com possibilidade de expansão e lombada que formará ao final uma ampla imagem decorativa. Cada volume trará alguns extras já comuns nestes tipos de encadernados, tais como: galeria de capas, esboços dos personagens e entrevistas com artistas. Infelizmente a robustez destes extras nem sempre é igual em todos os volumes, por isso é importante saber disto antes de esperar o mesmo padrão em todos os números. Outro ponto que, infelizmente, a Salvat ainda peca é na revisão dos textos. Temos visto encadernados nas demais coleções da editora que, volta e meia, aparecem com erros importantes. A última vítima disto foi o encadernado de Nº XX do segmento clássico da Coleção de Capa Preta, A Guerra Kree-Skrull. Primeiramente o volume veio com um erro na ordem da encadernação, bagunçando a sequencia da história. Ao corrigirem mais a frente este erro e disponibilizarem o volume novamente, vimos que ainda assim persistia um erro em um dos balões de "fala" em um determinado quadrinho. Outro erro também presente, é a troca de "falas" dos personagens. Ou seja, a fala destinada à um personagem aparece no "balão" do outro e vice-versa. Este erro eu pude presenciar quando li o encadernado de Nº III, Doutor Estranho: Uma Terra Sem Nome, Um Tempo Sem Fim, também do segmento clássico da Coleção de Capa Preta.

17 ao 24

A Coleção Definitiva do Homem-Aranha foi lançada primeiro em algumas cidades do país em forma de teste em 2016, sendo agora efetivada oficialmente. As capas dos primeiros 04 números da fase de testes eram diferentes das observadas agora neste lançamento oficial. Particularmente gostei mais destas capas atuais. As anteriores mostravam os personagens em um fundo branco, diminuindo o destaque e o vigor das imagens. Pelo menos é a minha opinião pessoal. Já a imagem a ser formada pela lombada dos 60 volumes é do desenhista da Marvel Marko Djurdjevic. Nela pode-se identificar a ampla e rica galeria de vilões e pessoas importantes na vida do Aracnídeo. Na imagem, no entanto não aparecem dois importantes vilões, o Duende Verde e o Dr. Octopus. Pelo que pude perceber esta imagem é apenas um "pedaço" de um painel bem maior desenhado por Marko, o que explicaria a ausência destes dois, que estariam em outro ponto do painel.

25 ao 32

Bem amigos... É isso aí... Coloque nos comentários abaixo suas impressões, elogios ou críticas construtivas à respeito desta nova coleção. 

Um grande abraço à todos!

domingo, 7 de maio de 2017

Miniatura DC Nº 25 - Pinguim

Miniatura DC Nº 25 - Pinguim

No início das histórias em quadrinhos, período também conhecido como A Era de Ouro dos Quadrinhos (1938 - 1956), praticamente todas as histórias traziam uma visão de Mundo muito simples, o "bem" de um lado e o "mal" de outro. Tal visão, também chamada de "maniqueísta", começou a mudar aqui e ali mesmo durante a Era de Ouro, com histórias que prenunciavam a inserção dos complexos elementos da vida real no mundo dos heróis. Tudo caminharia nesse sentido não fosse a promulgação do chamado Authority Code dos quadrinhos em 1954. Um Comitê de Regulação do Governo dos EUA que, para atender o clamor de diversos segmentos da sociedade, passou a nortear e censurar praticamente todo e qualquer material produzido para a mídia chamada "Quadrinhos", Comics em inglês. Esta censura só afrouxaria suas garras em meados dos anos 60/70, permitindo que a "ambiguidade" moral e a complexa personalidade dos personagens aflorassem de verdade. Diversos heróis e vilões explodiram em dramas pessoais, familiares e sociais, permitindo então que os quadrinhos ascendessem ao patamar que sempre lhe fora de direito. Podemos dizer que o Pinguim é apenas mais um destes exemplos.

Miniatura DC Nº 25 - Pinguim

Hoje, conheceremos sua história e as características de sua peça dentro da Coleção de Miniaturas DC da Eaglemoss. Oswald Chesterfield Cobblepot, o Pinguim, é retratado na coleção em sua concepção clássica e original, ou seja, como um aristocrata, diferentemente de outras concepções como a que vimos no filme Batman - O Retorno de 1992, em que Cobblepot foi retratado como um ser deformado, grotesco e subterrâneo por Denny DeVito. Aqui, o vilão aparece de casaca, calças e sapatos caros, colete dourado e gravata borboleta. Uma típica representação de um aristocrata dos anos 30. Não posso, inclusive, deixar de notar uma distante semelhança com Oliver Hardy, o "Gordo", da dupla O Gordo e o Magro. A peça é impecável em minha opinião. As pequena dobras e ondas do tecido do paletó e calcas aparecem muito bem. É possível ainda verificar o distensionamento do colete dourado na tentativa de conter a volumosa barriga. Detalhes como estes trazem credibilidade e verossimilhança à peça.

Miniatura DC Nº 25 - Pinguim

Outro aspecto da indumentária do personagem que nos arremete diretamente à aristocracia dos anos 20 e 30 é o uso do monóculo. Símbolo de homens ricos e poderosos o monóculo nos liga diretamente com uma época em que a moda era extremamente peculiar. Soma-se a isso a presença do sapato de duas cores e a indefectível cartola. Há detalhes menores, que pude perceber apenas ao fotografar de perto a peça. Caso, por exemplo, da posição do dedo mínimo da mão esquerda (a que se apóia no Guarda-Chuva) em extensão, vista na foto de número 06 desta matéria. O detalhe é mínimo, mas acentua a postura de orgulho e certa soberba. Menção também deve ser feita ao guarda-chuva muito bem modelado que, além de ser marca registrada do Pinguim, ajuda a compor seu visual.

Miniatura DC Nº 25 - Pinguim

O Pinguim foi criado em 1941 por ninguém menos que Bill Finger e Bob Kane, a mesma dupla criadora do Batman. Pertencente à galeria de vilões do Homem-Morcego ainda em formação, o Pinguim teria sua origem contada apenas anos mais tarde. Oswald passou por diversos momentos difíceis em sua infância. Filho de um casal proprietário de uma loja de Aves Exóticas, Oswald perdeu o pai para uma pneumonia mal curada. Sua mãe, assombrada por este fato, exigiu que seu filho usasse constantemente um guarda-chuva, mesmo nos dias em que não havia nenhuma perspectiva de mal tempo. O uso constante do guarda-chuva, seu biotipo gorducho e um andar ligeiramente engraçado, fez com que o pequeno Oswald fosse vítima de constantes intimidações e chacotas. Sofrendo muito, seus únicos amigos eram as aves da loja de sua mãe, com as quais passou a desenvolver uma estranha ligação, pois parecia até que havia um entendimento mútuo entre ele e os pássaros. Isolado, sozinho e sem muito apoio de sua mãe, Oswald teve um vislumbre de seu futuro ao observar uma cena no ninho de um pássaro da loja certa vez. Ele percebeu que de uma ninhada de várias pequenas aves, o filhotinho menor e mais desajeitado era o que recebia constantemente bicadas dos maiores. Oswald percebeu então que se não fizesse alguma coisa, este seria seu destino: ser continuamente obliterado e violentado pelas outras pessoas.

Miniatura DC Nº 25 - Pinguim

De todos os valentões da escola o que mais se destacava em maltratar Oswald era um garoto chamado Sharkey. Decidido a não mais ser tratado assim, Oswald passou a treinar seu corpo e sua mente para se movimentar mais rápido e agir mais rápido, com a sabedoria de um estrategista. Depois de um tempo, ele já tinha força a agilidade impressionantes para seu pequeno e volumoso corpo. Certo dia Oswald enfrentou o bullying de Sharkey e lhe deu uma surra, vencendo assim, pelo menos aparentemente, seu rival. Tudo parecia que seria diferente para Oswald. No entanto, o indignado e humilhado Sharkey tratou de perpetrar sua vingança matando todas as aves da loja da mãe de Oswald. Daquele ponto em diante Oswald decidiu que custasse o que custasse ele chegaria ao topo e jamais sofreria daquela forma. O primeiro ato criminoso do vilão foi roubar dois valiosos quadros que foram divididos com um chefão do crime de Gotham City. Oswald passaria a ser como que um "estrategista" deste chefão. Com o tempo, no entanto a influência da brilhante mente de Oswald passou a capitanear a admiração dos subalternos da gangue. Sentindo-se ameaçado a poderoso chefão do bando tentou matar Oswald, no entanto quem acabou morto foi ele mesmo. Com isso o agora poderoso Oswald, já sob a alcunha de Pinguim, passou de ajudante à líder de uma organização criminosa.

Miniatura DC Nº 25 - Pinguim

Os negócios criminosos do Pinguim sempre envolveram o alto escalão da sociedade. Especializado em extorsão, roubo e chantagem, rapidamente ele passou a chamar a atenção do Cruzado Encapuzado. Muitos foram os confrontos envolvendo Batman e o Pinguim. Todos baseados em estratégia, inteligência e às vezes senso de humor. De todas as encarnações do personagem talvez a mais famosa tenha sido a interpretação dada ao Pinguim pelo ator Burgess Meredith no seriado Batman de 1966. Apesar de muito cultuada, a série sofreu grande influência da época, que ainda se via às voltas com o Authority Code. O que impedia que os personagens alcançassem outros níveis de dramaticidade. Com isso, todos eles apareciam caricatos e espalhafatosos. Mesmo assim, a série foi responsável por influenciar toda uma geração.

Miniatura DC Nº 25 - Pinguim

Em 1989, o roteirista Alan Grant (responsável por importantes histórias do Homem-Morcego na década de 80) escreveu sobre as origens de alguns vilões do Batman, dentre eles o Pinguim. Reunidas em um encadernado chamado Origens Secretas - Os Maiores Vilões de Gotham, o volume traz um história muito boa que mostra o reencontro de Oswald com sua nêmese de infância, ninguém menos que Sharkey. Em um esquema de flashbacks, a narrativa nos mostra boa parte da infância difícil de Oswasld, enquanto Sharkey vai sendo torturado pelo Pinguim. Este volume foi recentemente relançado no Brasil pela editora Panini e vale a pena ser lido.

Miniatura DC Nº 25 - Pinguim

Conhecer a história por trás de vilões como o Pinguim nos coloca em "cheque" quanto a forma de atuar do super-heróis. Os métodos do Batman por exemplo, embora necessários, muitas vezes desconsideram o passado e as escolhas (talvez inevitáveis) que alguns vilões tomaram e que foram determinantes na formação de seu caráter. Isto faz com que, de certa forma, os ideais do Batman e de diversos outros heróis também devam ser colocados à prova. Já que muitas vezes são maniqueístas e simplistas.

Bom amigos... É isso! Um grande abraço à todos!!

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Revista Mundos dos Super-heróis Acerta Mais Uma vez ao Lançar Coleção de Dossiês


Ainda é pequena em número e qualidade as publicações sérias acerca do mundo dos super-heróis em nosso páis. Com a popularização dos ícones superheróicos da 9ª Arte, sobretudo nos últimos 15 anos com a onda cinematográfica nerd, algumas publicações de origem duvidosa começaram a pipocar aqui e acolá. A Revista Mundo dos Super-heróis (RMSP) vem se mantendo firme desde 2006 como um "norte" ou "farol" a explicar, detalhar e acima de tudo entreter de forma séria tanto o aficionado por quadrinhos quanto estudiosos da área sobre o já imenso Universo Mitológico dos Super-heróis. Desde seus primórdios, a Revista produz matérias em formas de dossiês explicativos sobre os mais diversos personagens das duas grande editoras da área (Marvel e DC Comics). Em 2016, a Editora por trás da RMSP (Editora Europa), por meio do Editor Manoel de Sousa e equipe, decidiu por catalogar, atualizar e expandir alguns destes dossiês em uma coleção de 07 volumes, cada um trazendo uma excelente abordagem de dois icônicos personagens.

Por dentro do Volume 01

Iniciando a abordagem de cada personagem em seu nascedouro, cada dossiê acerta não apenas em trazer um resumo das principais aventuras do herói, mas também ao contextualizar tais aventuras com o espírito de seu tempo (o chamado Zeitgeist). Fazer uma releitura de qualquer tipo de personagem à luz de seu tempo é expandi-lo e ressignifica-lo sob a perspectiva dos conflitos e dramas de sua época. Para aqueles que acompanham a revista Mundo dos Super-heróis, ficará fácil de reconhecer os nomes por trás dos textos, escritores e colaboradores da RMSP com um olhar característico de fã, mas ao mesmo tempo com o afastamento necessário para se reconhecer fragilidades e abordagens equivocadas de roteiristas ao longo das décadas de existência do personagem.

Por dentro do Volume 01

A Coleção pode ser assinada com desconto pelo Site da Editora Europa ou adquirida em volumes avulsos em bancas ou livrarias especializadas. O material preenche, ainda que parcialmente, uma lacuna existente no Brasil acerca de material confiável sobre a Mitologia dos personagens dos dois grandes Universos, Marvel e DC. Lá fora, sobretudo nos EUA, temos farto material oficial na forma de Dicionários, Enciclopédias entre outros, ao alcance de fãs e estudiosos. Futuramente pretendo trazer uma matéria com algumas dicas de leitura de livros didáticos imprescindíveis sobre este tema já lançados em aqui em nosso país. Tais livros serão excelentes fontes de informação à todos aqueles que queiram entender um pouco mais acerca deste maravilhoso universos ficcional que espelha, às vezes até demais, nossa realidade.

Por dentro do Volume 02

É isso aí amigos... Um grande abraço à todos.

domingo, 16 de abril de 2017

Qual o Problema da Marvel: Diversidade ou Descaracterização?


Recentemente vimos acontecer uma grande reunião entre lojistas, distribuidoras e os executivos da Marvel. Algo que havia acontecido apenas no passado em um período de maior fragilidade da Editora e do Mercado de Quadrinhos nos EUA. O motivo da atual reunião? A redução sustentada das vendas em relação à sua grande rival DC Comics, que vem emplacando uma acertada estratégia de retorno às origens e DNAs de seu personagens mais emblemáticos. A reunião na Marvel tomou as manchetes porque um dos motivos debatidos para as baixas vendas teria sido a tentativa da editora em alterar seus principais personagens para versões diferentes, caracterizando-os a partir de indivíduos de outras etnias e gêneros, com personalidades muito diversas daquelas de suas contrapartes originais. Mas seria apenas este o motivo das baixas vendas? Na verdade a questão me parece não tão complicada de ser analisada ou resolvida...


Tirando uma parte (que acho que seja pequena) dos fãs de quadrinhos mais alinhados com o discurso repressor e segregacionista, eu diria que a maciça maioria dos Nerds e fãs de HQs sempre conviveu e aceitou extremamente bem a inclusão de etnias, gêneros e opções sexuais diferentes em suas fileiras. E isto sempre aconteceu por 01 único motivo: nós Nerds também sempre fomos segregados e sofremos do mesmo mal que estas populações acima citadas sofreram. Entendemos o sentimento ruim que advém da segregação e da chacota simplesmente porque já vivemos muito disto. Claro que a experiência de bullying que qualquer Nerd sofreu não se compara a odiosa segregação que fazem com as minorias étnicas ou de opções sexuais diferentes, que deixa marcas terríveis para o resto da vida. Não vejo que o problema seja a adoção de representantes de diversos segmentos sociais e étnicos como o precipitador das baixas vendas. Em minha opinião o problema é outro, mas passa sim pela "mal" feita inclusão destas minorias em seu Universo ficcional nos últimos anos. A Marvel sempre esteve à frente ao incluir personagens representantes de minorias, no entanto sempre fez isso muito bem no passado. Podemos até citar alguns destes exemplos: Shang-Chi, Luke Cage, Tigre Branco, Pantera Negra. Fóton (ou Capitã Marvel afro-descendente), Estrela Polar e muitos outros... Mas porque agora essa expertise inclusiva não está mais sendo efetiva? Simplesmente porque, em minha opinião, vem sendo feita às custas da descaracterização de personagens já bem estabelecidos e queridos dos fãs.


Embora algumas destas caracterizações até tenham alcançado sucesso de crítica atualmente, caso da Thor (Jane Foster), do Capitão América (Sam Wilson) e do Homem-Aranha (Miles Morales), o fato é que grande parte dos leitores ainda são de uma geração que cresceu lendo histórias em que Thor Odinson, Steve Rogers e Peter Parker são as respectivas identidades do heróis acima. Personagens com histórias de vida longas, cheias de brilho e tragédias. Romper com isso é impor um luto ao leitor. Acho que a Marvel precisa continuar sendo vanguardista em abrir seu Universo para personagens de outras etnias, preferências sexuais e gêneros, mas que sejam personagens novos, com sua luz própria, com sua trajetória própria. A DC Comics também cometeu erro semelhante há alguns anos ao transformar o Lanterna Verde Alan Scott em homossexual. Um herói que tinha mitologia própria, era casado e tinha filhos que se tornaram heróis também. Opções sexuais diferentes podem e devem estar presentes no Mundo dos Quadrinhos simplesmente porque ele é um espelho de nosso Mundo Real, só que isto não pode ser feito às custas da desfiguração de um outro personagem já estabelecido, pois isto agride o leitor que lhe acompanhou pela vida inteira. Aliás, isto pode até desfavorecer a causa inclusiva!!


Mas há mais coisas que explicam as baixas vendas na Marvel. Desde 2006 quando foi lançada a super bem sucedida Mega-Saga Guerra Civil, a Marvel não parou mais de lançar os tais mega-eventos. Arcos que simplesmente envolvem quase todos os heróis da Editora em desafios gigantescos. A fórmula é boa, porém ao ser levada à exaustão nestes últimos 11 anos impossibilitou o desenvolvimento dos personagens em suas vidas e carreiras pessoais. Excetuando o Demolidor de Mark Waid, não tivemos mais arcos que examinassem de forma lenta, progressiva e íntima a vida pessoal, heroica e dramática deste ou daquele herói. Tudo ficou grandioso demais e o pequeno, o cotidiano deixou de ser trabalhado. Isto explica, por exemplo o sucesso de Sagas como as do Gavião Arqueiro atualmente, que focam o homem e seu cotidiano por trás da máscara. Ou mesmo a nova Miss Marvel Kamala Khan, que faz sucesso muito mais pelas suas dificuldades de adolescente do que pelos grandes males que combate. Resumindo: A Marvel bebeu demais da fonte das Mega-Mega-Sagas, e sua ressaca começa a ser vivida agora.


Não à toa que as maiores obras-primas dos quadrinhos são aquelas que se afundaram dentro do universo pessoal do personagem e daqueles que os cercam (Batman: Ano Um; Demolidor: A Queda de Murdock; Batman: O Cavaleiro das Trevas; Marvels). Temos que nos lembrar que a ficção é, de certa forma, "escapismo", porém para funcionar precisa estar ancorada na realidade e em problemas reais que cada um de nós conhece. Esta foi a fórmula de sucesso de sagas que aparentemente tinham tudo para naufragarem na desconexão com a realidade. Posso citar como exemplo disto a Série Clássica Star Trek, que só alcançou o sucesso que alcançou porque trazia embates e questões que faziam parte do cotidiano racial e social das pessoas. Tudo recheado de uma boa aventura e escapismo ficcional. Todas as vezes que a Marvel se fixou em apenas um expediente editorial (como é o caso de sua fixação atual por Mega-Sagas) ela afundou. Vimos isto acontecer no passado (anos 90) com o tema "Militância Mutante", que foi sugado até o "osso" e nos deixou à todos com uma ressaca e uma mitologia que de tão complexa passou a ser incompreensível e totalmente dissociada da vida comum.


A Marvel precisa rever seus objetivos quanto à forma de abordar seus personagens clássicos e seus expedientes editoriais. O Portal OMELETE recentemente em um vídeo no Youtube comentou, por meio de sua editora Natália Bridi, que o simples fato de converterem um herói clássico em uma outra versão etnicamente ou sexualmente diferente já é um tipo de discriminação porque parece quererem sanar o problema do preconceito tratando estas pessoas de forma diferente, ou seja, oferecendo-lhes um cargo de destaque, sendo que poderiam muito bem desenvolverem suas carreiras de forma como todo super-herói fez no passado, ou seja, de forma lenta e progressiva. Embora concorde com a Natália, achei apenas um pouco incoerente dizerem no final do vídeo que o problema da Marvel não é a "diversidade". Na verdade, penso que parte do problema é sim a "diversidade" feita da maneira atual, pois ao ser implementada desta forma forçada, descaracterizadora e que agride o fã de determinado herói, acaba não ajudando muito a necessária bandeira da "inclusão". Temos que evoluir para uma cultura de tolerância entre pessoas, mesmo dentro dos quadrinhos, mas não às custas da desconstrução do passado.

Valeu amigos!