terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Maus - A História de Um Sobrevivente


Escrever sobre eventos históricos sob uma perspectiva acadêmica, ou então meramente informativa foi o que aconteceu ao longo do tempo em relação à diversos acontecimentos históricos. Isto se deu também em relação ao Holocausto Judeu pelas mãos dos Alemães na 2ª Guerra Mundial, a tal ponto de muitos terem banalizado o ocorrido e alocado este genocídio ao lado de tantas outras notícias contemporâneas. No entanto, escrever sobre um evento sob a ótica de quem o viveu, de quem o presenciou, de quem foi consumido por ele, moral e emocionalmente, transforma a obra em atemporal, eterna. É fácil ler que milhões foram mortos em câmaras de gás, difícil é saber que alguém que conhecemos e gostamos foi morto em um lugar assim. Ao lermos Maus de Art Spiegelman é isso que acontece. Nos afeiçoamos às pessoas dentro do livro a tal ponto que elas se tornam indivíduos com os quais nos importamos. Mas além do descrito acima, o que transforma esta obra em algo tão especial? Tão eterna? Tão fascinante em sua dimensão aterradoramente visceral?


Maus foi iniciado no início da década de 1980 e só concluído em 1992. Logo fica muito claro para o leitor o qual custoso, angustiante e necessário foi para o autor sua escrita, tal qual um ritual de exorcismo é imprescindível para o possuído. Art Spiegelman desce aos porões de sua alma e de lá puxa esta obra e, tal qual uma jornada espiritual, consegue trazer à luz algo que o machuca muito, mas ao mesmo tempo parece o absolver de muitas coisas. A obra conta a história de Vladek Spiegelman, judeu Polonês e pai de Art. A narrativa acontece a partir de entrevistas que Art fez com seu pai já velho no final dos anos 70. Mas a obra possui muitas camadas, pois alterna entre o presente (as entrevistas junto ao pai) e o período da 2ª Guerra Mundial, em que tudo vai se desenrolando sob o olhar do inventivo e jovem Vladek. O autor não tem medo de expor sua relação conturbada com o pai que emoldura de um jeito incrível a narrativa de Vladek, dando densidade, humanidade e acima de tudo sentimento ao relato.


Embora criticado por alguns, Art Spiegelman escolhe de forma brilhante um jeito de retratar os diversos personagens desta amarga história. Ao dar características zoomórficas às diversas nações envolvidas, o autor consegue um efeito extremamente genial, pois absolve e culpabiliza os diversos povos que se envolveram no conflito (Judeus são retratados como ratos, Poloneses como porcos, Norte-americanos como cães, Alemães como gatos, Suecos como renas, Franceses como Sapos, Ciganos são libélulas, Russos Ursos, Britânicos Peixes...). Este recurso faz com que a leitura se expanda e amplie as relações entre todos, uma vez que o conflito levou à acentuação das diferenças entre nacionalidades, ao ponto que na época você não era mais uma pessoa, mas uma "nação", estereotipada, julgada e condenada por cada um.


Embora o relato de Vladek seja pungente, forte e visceral, ouso dizer que o que transforma realmente a obra em algo tão precioso tenha sido duas coisas, 1) a capacidade de Art Spiegelman transcender o mero relato de mortes e crueldades para algo além, trazendo luz à maneira como o indivíduo e o coletivo lidaram e ainda lidam com tamanho crime, e 2) a personalidade incrível de Vladek e sua relação com o filho Art. Por mais estranho que meu comentário a seguir possa parecer, garanto que você se pegará rindo da simplicidade, da humanidade, dos problemas e personalidade do velho Vladek, além de sua relação com Art e Françoise (esposa do autor). As "aparentemente" simples e pequenas tiras de desenho da obra escondem tesouros gráficos e aconselho (fortemente) à todos a prestarem muita atenção nas ações de fundo que sempre estão acontecendo em cada quadrinho. Perder isto em uma leitura rápida, é simplesmente perder grande parte da sensibilidade que o autor quis expressar.


Confesso que para mim, Maus figura entre as maiores obras literárias que eu já li, pela sua franqueza, genialidade narrativa, relevância histórica, honestidade e coragem. Maus foi ganhador do Prêmio Pulitzer em 1992, um dos prêmios mais almejados por jornalistas do mundo, outorgado para pessoas que realizam trabalhos de excelência nas áreas de jornalismo, literatura e composição musical. O fato da obra ter ganho este prêmio transcende seu valor e é acima de tudo simbólico, uma vez que foi a 1ª vez que o prêmio foi dado para uma obra em quadrinhos, catapultando os Quadrinhos para um novo nível, consolidando esta mídia como forma de expressão verdadeira de qualquer desenvolvimento artístico.


Bem amigos, finalizo com uma imagem em que Art Spiegelman se auto-retrata. A imagem fala muito por si, mas você só concebe sua verdadeira dimensão ao ler a obra. Em um mundo tão estranho como o nosso atualmente, Maus é um farol a nos lembrar sobre quem somos... Para o bem e para o mau.

Um grande abraço à todos!!

sábado, 14 de janeiro de 2017

Lendas do Universo DC - Lista de Lançamentos - Atualizado Janeiro/2017

Nº 01 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Alan Davis - Vol. 01; Nº 02 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Alan Davis - Vol. 02.

Em dezembro de 2014 vimos uma nova iniciativa da Editora Panini, muito bem sucedida aliás, em resgatar clássicos do Universo DC agrupados a partir da perspectiva dos desenhistas. Artistas que deram tons e características peculiares aos personagens da DC. A iniciativa teve como personagem foco inicial o Cruzado Encapuzado de Gotham e encheu os olhos de leitores antigos e, porque não dizer, de toda uma nova geração que apenas ouvia falar dos grandes profissionais do passado. O 1º a estampar as capas desta linha foi Alan Davis. Qualquer leitor com um pouco de experiência já deve ter localizado determinados traços característicos que, assim como um DNA, informa na hora quem é seu dono. Posso citar um exemplo disto que fará você concordar comigo na hora, John Byrne, por exemplo. O inglês Alan Davis é outro exemplo. Folhear as páginas destes dois volumes acima é uma experiência incrível porque é impossível não lembrar de personagens como Capitão Britânia e grupos como Excalibur, ambos da Marvel. Só que a surpresa é ver este mesmo traço dentro do Universo do Homem-Morcego, simplesmente incrível.

Nº 01 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Jim Aparo - Vol. 01; Nº 02 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Jim Aparo - Vol. 02; Nº 03 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Jim Aparo - Vol. 03; Nº 04 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Jim Aparo - Vol. 04; Nº 05 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Jim Aparo - Vol. 05; Nº 06 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Jim Aparo - Vol. 06; Nº 07 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Jim Aparo - Vol. 07.

Já em 2015 vimos que a iniciativa estava dando certo, pois chegava às bancas a sequencia desta linha com o artista Jim Aparo. Nascido em Nova York em 1932, Jim Aparo faleceu em 2005 sendo um dos grande desenhistas da Era de Prata das HQs. Para mim Aparo definiu o visual do Batman nos anos 80. Seu traço marcaram uma fase importante do personagem nesta década. Histórias importantes na mitologia do Vigilante de Gotham estiveram sob sua responsabilidade artística, como por exemplo Morte em Família (republicada recentemente dentro da Coleção de Graphic Novels Eaglemoss da DC - Nº 11).

Nº 01 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Neal Adams - Vol. 01; Nº 02 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Neal Adams - Vol. 02; Nº 03 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Neal Adams - Vol. 03; Nº 04 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Neal Adams - Vol. 04; Nº 05 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Neal Adams - Vol. 05.

Na mesma época (início de 2015), já começava a correr por fora o lançamento dos volumes ligados à obra de Neal Adams dentro do cânone de Batman. Para mim, os desenhos de Adams sempre foram associados à personagens como Lanterna Verde e grupos como Liga da Justiça, só que não. O destaque deste volume é a passagem de Adams pelas histórias do Homem-Morcego entre a 2ª metade dos anos 60 e 1ª dos anos 70. Outro grande ponto alto, não apenas nestes volumes dedicados à Neil Adams mas também nos dos Jim Aparo, são as histórias ligadas à revista The Brave and The Bold. Uma publicação que possuía como foco a parceria de Batman com outros personagens do Universo DC. Assim, é um grande prazer ver Batman ao lado do Arqueiro Verde, Vingador Fantasma, Desafiador, Canário Negro, Homem-Borracha, Pantera, entre outros.

Nº 01 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Marshall Rogers - Vol. 01; Nº 02 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Marshall Rogers - Vol. 02; Nº 03 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Marshall Rogers - Vol. 03.

Quase que simultaneamente, vimos também chegar às bancas a participação do desenhista Marshall Rogers dentro desta linha. Confesso que não conhecia o traço de Rogers, ou talvez conhecesse mas não ligava à nenhum desenhista específico. Mas posso dizer que frente aos comentários que vi no Facebook de amigos e colegas, acredito que é um material muito bom e emblemático.

Nº 01 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Gene Colan - Vol. 01; Nº 02 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Gene Colan - Vol. 02.

Gene Colan nasceu nos EUA em 1926, ou seja, muito próximo da aurora dos Quadrinhos. Mas foi na década de 60 que se notabilizou na Marvel como desenhista principal de séries como Demolidor, Homem de Ferro e Capitão América. Mas talvez seu trabalho mais popular tenha sido na revista The Tomb of Dracula nos anos 70. Ele praticamente desenhou todos os números da revista, muito popular no mainstream americano à época. Colan também criou, ao lado de Marv Wolfman um personagem conhecido do grande público atualmente, Blade. Bem, tudo isso credencia Gene Colan a estar presente nesta coleção e a ser apreciado com todo mérito que merece.

Nº 01 - Lendas do Homem de Aço - José Luiz García-López - Vol. 01; Nº 02 - Lendas do Homem de Aço - José Luiz García-López - Vol. 02.

Talvez já seja de domínio público esta informação, mas mesmo assim acho que vale a pena mencionar dado a sua importância: José Luis García-López foi ninguém menos o desenhista que estabeleceu o padrão visual dos personagens da DC nos anos 70. Em um esforço de padronizar a imagem de seus heróis em lancheiras, roupas, lençóis, canecas e tudo mais, a DC convidou García-López para trazer esta identidade visual aos seus heróis e vilões. O desenhista há muito já chamava atenção pelo seu trabalho, e estes dois volumes trazem alguns destes mais memoráveis trabalhos. O leitor destes volumes se espantará ao contemplar os desenhos e perceber que este Superman, Mulher-Maravilha entre outros personagens, são exatamente aqueles que sempre habitaram nosso subconsciente como sendo a imagem ideal dos personagens e isto não é à toda, já que muitos de nós crescemos ao lado de produtos licenciados que traziam o traço de García-López.

Nº 01 - Lendas do Universo DC: Lanterna Verde e Arqueiro Verde - Dennis O´Neal e Neil Adams - Vol. 01; Nº 02 - Lendas do Universo DC: Lanterna Verde e Arqueiro Verde - Dennis O´Neal e Neil Adams - Vol. 02; Nº 03 - Lendas do Universo DC: Lanterna Verde e Arqueiro Verde - Dennis O´Neal e Neil Adams - Vol. 03.

O lançamento destes 3 volumes acima é duplamente especial. Em 1º lugar pela óbvia proposta de trazer o traço de Neil Adams mas, em 2º lugar, o fato de contemplar uma das fases mais aclamadas destes dois personagens dentro do Universo DC. Lançadas no início dos anos 70 esta fase conseguiu sintonizar exatamente a efervescência dos problemas da época. As Editoras, confrontadas com novos problemas derivados da desilusão do "Futuro Ideal" apregoado nos anos 50 e 60 dentro da geração de Baby Boomers, deu liberdade aos roteiristas para aproximarem suas histórias de super-heróis aos problemas do homem comum. A interação entre Lanterna e Arqueiro Verde foi então usada como epicentro deste desafio, fornecendo histórias que questionavam o papel do herói e sua relevância em um Mundo muito mais complexo, em que o agressor nem sempre é o errado. O idealista Oliver Queen (Arqueiro Verde) coloca o "escoteiro" Hall Jordan (Lanterna Verde) para pensar sobre estas questões e tudo virá uma genial sequencia de histórias. Ou seja, oportunidade única de ler este material!!!

Bem amigos... Tudo que espero é que a Ed. Panini continue com esta proposta. Recentemente ela anunciou a chegada de mais volumes desta linha agora abordando a Princesa Amazona Mulher-Marilha sob o traço de ninguém menos que George Pérez, um dos gênios responsáveis pela reformulação da Princesa de Themyscira pós Crise nas Infinitas Terras.

Um grande abraço à todos!

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Miniatura DC Nº 24 - Pistoleiro

Miniatura DC Nº 24 - Pistoleiro

Letal e muito perigoso, o Pistoleiro construiu sua carreira no Universo DC rivalizando com personagens importantes, como visto em seus diversos encontros com o Cruzado Encapuzado de Gotham. Embora tenha aparecido pela 1ª vez em Detective Comics Nº 59 de Julho de 1950, foi apenas nos anos 80 que o Pistoleiro foi elevado à outro nível pelas mãos do escritor John Ostrander e artistas como Luke McDonnell e Karl Kesel ao inseri-lo dentro do grupo Esquadrão Suicida. A partir disto os fãs de quadrinhos realmente se conectaram com a dinâmica do personagem. Hoje examinaremos a miniatura do Pistoleiro dentro da Coleção de Miniaturas da DC da Eaglemoss, bem como sua origem e saga pessoal até se transformar em uma máquina humana de matar, rivalizando até mesmo com sua contraparte da Marvel, o Mercenário.

Miniatura DC Nº 24 - Pistoleiro

Um dos primeiros destaques da peça para mim foi a pintura que, neste caso, apresenta-se bem feita e, tão importante quanto, bem delimitada. Além disso, as cores são vivas e, no caso da máscara, destaca-se por um brilho metálico à semelhança de uma "malha" de metal. São muitos os adereços de combate presentes no personagem. Todos podem ser muito bem vistos na peça. Além dos braceletes carregados com balas e em forma de pistola, temos também a indumentária branca que recobre abdômen, tórax e calção. Na região do abdômen, vemos placas que simulam um colete, dando firmeza e proteção ao tronco. O cinto traz pequenas bolsas nos dois flancos, provavelmente usadas para carregar pequenos acessórios de combate.

Miniatura DC Nº 24 - Pistoleiro

É interessante notar também a presença de dois dispositivos presos por cintos ao redor das coxas. Ao que parecem são locais para guarda de munição extra. Embora tais dispositivos sejam pequenos, apresentam-se bem delimitados e modelados. As botas trazem o mesmo amarelo das luvas e um tipo de reforço na superfície anterior da perna, chegando bem próximo aos dedos dos pés. A tradicional luneta telescópica (marca registrada do personagem) no olho direito está presente e destaca-se muito bem, além do alvo marcado bem no meio do tórax, evidenciando a tendência suicida do personagem. Um último detalhe a ser destacado é a existência das mesmas placas brancas (vistas ao redor do abdômen), também na região do tórax superior. Isto mostra que o Pistoleiro usa, por baixo da malha vermelha, um colete que recobre todo seu tronco, mas que é visível apenas na região superior do tórax, nas costas, ao redor do abdômen e cintura.

Miniatura DC Nº 24 - Pistoleiro

O homem por trás da máscara do Pistoleiro chama-se Floyd Lawton, e sua tendência homicida e suicida tem origem em sua infância, fruto de um lar disfuncional e cheio de problemas. Lawton era filho de um homem muito rico chamado George Lawton, sua mãe, Genevieva passou a odiar o marido em função de suas características abusivas e ditatoriais. O irmão de Floyd, Ed, era apenas um pouco mais velho que ele, porém tinha grande familiaridade com armas, assim como o pequeno Floyd. A desequilibrada Genevieva, no entanto planejou um hediondo plano que envolvia os filhos. Jogando os dois meninos contra o pai, ela pediu à eles que o assassinem, justificando isso pela necessidade de ser protegida do marido. Floyd não concorda com isso, mas Ed sim, que tranca o pequeno Floyd para fora de casa numa tarde para executar o assassinato.

Miniatura DC Nº 24 - Pistoleiro

As coisas, no entanto pioraram mais ainda. Floyd idolatrava o irmão e, na ânsia de impedi-lo de cometer o crime, pega uma arma e sobe em uma árvore para tentar atirar no braço de Ed, impedindo-o assim de se tornar um criminoso. Porém, quando foi atirar o galho que o sustentava quebrou, fazendo com que Floyd disparasse e acertasse a cabeça de Ed. O pai também sofre um tiro da arma de Ed e fica paralítico. Todo incidente foi abafado com a fortuna e influência de George Lawton que continuou legalmente casado com Genevieve, porém praticamente sem contato algum. Com tudo isso Floyd cresceu à sombra deste terrível acontecimento, e não tardaria para que se tornasse um adulto muito inquieto e cheio de uma estranha necessidade homicida e suicida. Após casar-se, Floyd teve um filho, Eddie, e mudou-se para Gotham City. Talvez sugestionado pela obscuridade da cidade, ele começou a atuar como um combatente do crime apenas usando máscara, casaco e chapéu. Isso fez com que logo Floyd entrasse no radar do Homem-Morcego, que o prendeu. Após cumprir pena, Floyd retornou a atuar, só que agora como assassino de aluguel, adotando o nome de Pistoleiro e vestindo o uniforme já tradicional do personagem.

Miniatura DC Nº 24 - Pistoleiro

Nessa época o Pistoleiro entraria em vários conflitos com o Batman e ingressaria para o Esquadrão Suicida, provavelmente motivado por suas tendências letais e de auto-agressão. No Esquadrão, Floyd ficaria conhecido pela sua inconsequência diante do perigo e letalidade observada em várias missões. O passado, no entanto o alcançaria novamente. Sua mãe, Genevieve sequestraria o pequeno filho do Pistoleiro, Eddie, condicionando sua liberdade ao assassinato de George, pai de Floyd pelas suas próprias mãos. Dentre os sequestradores contratados por Genevieve havia um homem muito perigoso chamado Wes, que além de tudo possuía histórico de pedofilia. Floyd revirou Gotham City atrás de seu filho, matando todos os envolvidos, exceto Wes, que conseguiu fugir com Eddie. Quando o Pistoleiro encontrou o esconderijo de Wes, seu filho já estava morto. A vingança de Floyd contra Wes foi horrível, e levou o sequestrador à uma morte lenta e dolorosa. Quanto à sua mãe, Floyd foi ao seu encalço e atira propositadamente em sua espinha, deixando-a paralítica e condenando-a ao mesmo destino do marido.

Miniatura DC Nº 24 - Pistoleiro

O Pistoleiro continuaria sua saga violenta, ora sozinho ora ao lado do Esquadrão Suicida. Histórias memoráveis tendo o personagem como seu centro foram publicadas no Brasil, como foi o caso de Pistoleiro, publicada em DC Especial Nº 04 de Março de 1991, em que a psiquê de Floyd Lawton é dissecada pela psiquiatra Marrie Herrs, que tenta cura-lo de sua depressão e tendências suicidas. Nesta história a psiquiatra tenta atingir seu objetivo revisitando o passado de Floyd e sua tentativa frustrada de resgatar o filho Eddie. Recentemente, o personagem alcançou popularidade mundial dentro do fraco Esquadrão Suicida, filme de 2016, em que é interpretado por Will Smith.

Miniatura DC Nº 24 - Pistoleiro

De todo modo, o Pistoleiro é um personagem enigmático e com grande potencial dramático, haja vista sua história pessoal e seu histórico de combate. Um homem complexo, que oscila entre o lado bom e mal com consequências catastróficas para todos ao seu redor. Um personagem que sintetiza bem nosso tempo, em que heróis não são 100% bons e bandidos também são mais complexos do que pensamos, tendo em vista serem produto de uma organização econômica, social e política cheia de falhas.

É isso aí amigos... Um grande abraço à todos!!

sábado, 31 de dezembro de 2016

O Soldador Subaquático


Raras são as vezes em que estamos no lugar certo, na hora certa e em contato com a obra certa... É necessário a associação de muitas variáveis fora do nosso controle para que o cenário perfeito ocorra e nos permita então viver uma "epifania" (epifania aqui no sentido de: "Aparecimento ou manifestação divina"). Mas às vezes acontece... E quando acontece podemos tocar algo inefável, só entendido por nós no nosso íntimo mais profundo. Determinados acontecimentos em nossas vidas favorecem o aparecimento destes ponto únicos da existência... Por exemplo: Nascimentos, Mortes, Uniões Conjugais... São momentos que nos ajudam a alcançar e tocar o tecido da existência. Bem... E ao apagar das luzes de 2016 chegou às minhas mãos uma obra que para mim foi uma epifania. Uma obra que me permitiu acessar coisas muitos profundas dentro de mim e, justamente por ser uma leitura pessoal, pode ser que, caso você venha a ler tal obra, talvez não sinta as mesmas coisas porque tudo é sempre muito pessoal. Mas assim foi comigo com O SOLDADOR SUBAQUÁTICO de Jeff Lemire.

 

O Soldador do título é Jack Joseph, um homem à espera de seu 1º filho. Há coisas, no entanto no passado de Jack relacionado ao seu pai que não lhe permitem avançar, receber as coisas novas que a vida lhe oferece. Jack se sente preso à um passado mal resolvido e assim sua vida vai se consumindo à margem da existência. O único lugar que Jack se sente razoavelmente bem é no fundo escuro e silencioso do oceano, soldando e consertando as fundações de uma Plataforma de Petróleo próxima ao vilarejo em que vive na região litorânea da Baia de Tigg. A vida de Jack passaria assim, como a de tantas pessoas que se arrastam na existência em busca de algo novo, revelador sobre si. Pessoas que cada dia mais se embriagam de coisas materiais em busca do imaterial... Jack passaria assim pela vida, não fosse algo que acontece com ele um dia no profundo oceano... Algo revelador.


Sempre foi difícil para mim ler histórias em preto e branco, e quando vi que O Soldador Subaquático era uma história assim pensei em declinar desta viagem. Mas venci o preconceito e fui supreendido com uma explosão de tons, sons (sim... sons!) e subtextos nesta obra de Jeff Lemire. Você pode ler O Soldador Subaquático rapidamente, prestando muito pouca atenção nas imagens e tesouros escondidos em cada quadrinho, muitas vezes sem qualquer coisa escrita, no entanto se fizer isso não conseguirá submergir na história. Mas, caso opte em prestar atenção em cada quadro, cada expressão facial dos personagens e deixar as onomatopeias de cada quadro soarem em seu cérebro, você viverá uma experiência única. Conseguirá mergulhar fundo na psiquê das personagens e terminará a obra realmente se importando com elas, amando-as.


A obra é enxuta nas palavras mas traz uma torrente de significados, aprofundando a solidão de Jack e criando uma atmosfera que proporciona uma experiência de imersão no leitor. Uma imersão completa na vida e no drama pessoal de Jack. Sem soluções mirabolantes, mas contidas, Jeff Lemire entrega uma obra fantástica que eu passo a enquadrar entre as minhas preferidas. Isso me deixa mais curioso para conhecer o outro trabalho de Lemire, a Saga de Sweet tooth.


Epifanias são raras e totalmente pessoais... Não são traduzidas em palavras e, quando tentamos fazer isso seu significado nos escapa e ficamos totalmente frustrados com o efeito que nossa tentativa causa nas pessoas à nossa volta. As únicas pessoas credenciadas para traduzir epifanias para o Mundo são um tipo bem especial de gente... Os Poetas, que conseguem se comunicar em um linguagem diferente daquela que usamos cotidianamente, a linguagem do coração. Jeff Lemire transmuta algo assim em uma história que chegou às minhas mãos nos estertores de um ano que se esvai e um novo ano que se avizinha trazendo sensações e sentimentos novos.

 

O que será que está subentendido na história de nossa existência? O que está por baixo? Porque conseguimos tocar isto apenas ocasionalmente ao longo de nossa vida? O SOLDADOR SUBAQUÁTICO não responde a essas perguntas... Mas dá apenas tênues pistas. Um FELIZ 2017 à todos!!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Miniatura Marvel Série Especial Nº 09 - Homem-Coisa

Miniatura Marvel Especial Nº 09 - Homem-Coisa

Olá... Tão assustadora quanto a figura do Homem-Coisa é sua história. Forjado em meio à pantanosa charneca do Everglades (região pantanosa sub-tropical no Estado da Flórida - EUA), o personagem surgiu por uma associação de poderosas forças arcanas e sentimentos pessoais daquele que um dia foi o homem Theodore Sallis. Dentro da Coleção de Miniaturas Marvel Eaglemoss o Homem-Coisa aparece em posição de destaque no segmento Especial, devido suas proporções avantajadas. Investigaremos os principais pontos desta peça bem como a trágica história por traz do Elemental Monstro do Verde da Marvel.

Miniatura Marvel Especial Nº 09 - Homem-Coisa

A peça é a 6ª mais pesada dentro do segmento Especial, com 459 gramas. Além do peso, detalhes em relevo chamam a atenção ao longo do robusto e maçudo corpo da criatura. Raízes como veias e artérias espalham-se pelo seu corpo lamacento e líquens e algas cobrem boa parte de sua figura assemelhando-se à pelos. Mãos e pés grandes, ligeiramente desproporcionais em relação ao seu corpo, sinalizam uma possível influência das lenda do Hemisfério Norte (os monstros "Pé Grande" e "Sasquatch") nas mentes de seus criadores, Stan Lee, Roy Thomas, Gerry Conway e Gray Morrow. A ausência de uma face é um dos pontos mais assustadores do Homem-Coisa, sobretudo por guardar apenas uma pálida lembrança de um rosto humano. Este detalhe aliás, possui toda relação com a tênue constituição psíquica da criatura.

Miniatura Marvel Especial Nº 09 - Homem-Coisa

Em seu rosto, nodosos apêndices salientes dão um certo toque bizarro que nos arremete à simbiose de homem e algum outro tipo de animal insetóide da natureza, gerando algo inominável e poderoso. Algo que lembra irracionalidade e ao mesmo tempo tristeza. Em minha opinião a peça capta a essência da criatura ao modela-la em um marcha aparentemente lenta e constante, a única pose em que o Homem-Coisa em geral é retratado nas HQs, sempre avançando em meio ao Pântano em que vive no Everglades. Por fim, surpreendentemente, seus olhos redondos e vermelhos lhe conferem o ar de tristeza a que me referi acima, sendo um detalhe importante dentro de sua composição.

Miniatura Marvel Especial Nº 09 - Homem-Coisa

Mas o que é ou quem foi o Homem-Coisa? Theodore (Ted) Sallis era um biquímico genial e laureado pela acadêmia e, embora excêntrico e de difícil trato, chegou a participar de importantes projetos do governo Estadunidense, dentre eles o Projeto Sulfúrico. Um projeto que objetivava aumentar a resistência do corpo humano quando exposto à elementos tóxicos, o que permitiria sua sobrevivência mesmo em ambientes contaminados. O projeto naufragou frente aos insucessos na fase experimental em seres humanos e assim, Sallis foi transferido para outro, o Projeto Gladiador, que visava recriar o Soro do Supersoldado usado com sucesso em apenas uma pessoa até hoje, Steve Rogers, o Capitão América. A neurose de Sallis foi com o tempo transformando-se em paranoia e com isso ele confiava apenas em si mesmo e em sua esposa Ellen. Por isso, Sallis não guardava nenhum registro de seus  promissores experimentos com o Soro do Supersoldado.

Miniatura Marvel Especial Nº 09 - Homem-Coisa

Trabalhando apenas com sua esposa em uma reclusa instalação na região do Everglades, Ted não previu que suas paranoias estariam escondidas na mais improvável pessoa, sua esposa. Ellen era agente da organização terrorista I.M.A. (Ideias Mecânicas Avançadas) e traiu o marido levando capangas para seu laboratório. Ellen sabia que os dados da pesquisa estavam apenas na mente de Ted e o plano era captura-lo e tortura-lo para que tudo fosse extraído. Escapando de seus algozes, Ted partiu com seu carro com a única amostra do Soro do Supersoldado que ele desenvolvera. Ao perceber que seria alcançado pelos agentes da I.M.A. ele injeta em si mesmo a amostra e, em seguida, tenta se matar jogando seu carro no lodoso lamaçal do Pântano à sua frente. Com isso todo seu trabalho e sua vida estariam terminados ali. No entanto, não foi assim...

Miniatura Marvel Especial Nº 09 - Homem-Coisa

Descrito por muitas culturas antigas e milenares, determinados lugares do nosso Planeta parecem carregar anomalias gravitacionais e magnéticas que até hoje a ciência não conseguiu decifrar, caso do Triângulo das Bermudas por exemplo. O que Ted, portanto não sabia é que o Pântano do Everglades era uma dessas regiões. Um local de confluência de Mundos com características únicas. Um lugar em que as vibrações quânticas que separam nosso Universo de outros Universos Paralelos parecem enfraquecer e dar lugar à energias ainda não conhecidas pela nossa espécie. Pois foi a união do tormento da alma de Ted, associado (talvez) ao poderoso Soro em suas veias e o potencial único do local em que ele estava que gerou algo novo, algo grotesco e muito poderoso, algo que trazia muito pouco do que fora um dia Ted Sallis, algo com apenas uma tênue lembrança do que é ser "humano". Uma criatura com características distintas e que responderia apenas à uma linguagem, às variações emocionais do seres ao seu redor.

Miniatura Marvel Especial Nº 09 - Homem-Coisa

O Homem-Coisa não é necessariamente racional, embora possua cálidas lembranças do homem que foi Ted Sallis e, talvez seja por isso, que frequentemente ele seja atraído para locais que fizeram parte da vida de Sallis. Como eu informei acima, a única coisa à qual ele responde são às variações emocionais de pessoas ao se redor, sendo que sobretudo o "medo" produz intensa inquietação no Homem-Coisa, à ponto de, caso você esteja com medo e seja tocado por ele, sofra queimaduras com seu simples toque. Assim é a existência do Homem-Coisa... Seu lugar é a solidão do Pântano e, sozinho ele caminha indefinidamente através de uma existência à busca de algo... Mas que ele não sabe mais definir o que... 

Miniatura Marvel Especial Nº 09 - Homem-Coisa

Desta forma, sua existência pode ser precisamente definida dentro de um poema de Mario Quintana que gosto muito. E é com ele que eu encerro esta matéria para definir esta existência, aparentemente, sem sentido...

"DESESPERO

Não há nada mais triste do que o grito de um trem no silêncio noturno. É a queixa de um estranho animal perdido, único sobrevivente de alguma espécie extinta, e que corre, corre, desesperado, noite em fora, como para escapar à sua orfandade e solidão de monstro"
Mario Quintana

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Ordem de Lançamento no Brasil - Coleção DC Eaglemoss - 01 à 120 - Atualizada Janeiro/2017

Nº 01 - Batman; Nº 02 - Superman; Nº 03 - Coringa; Nº 03 - Lanterna Verde - Hall Jordan; Nº 03 - Flash - Barry Alen; Nº 06 - Robin - Tim DrakeNº 07 - Arqueiro VerdeNº 08 - Mulher-MaravilhaNº 09 - Mulher-GatoNº 10 - Lex LuthorNº 11 - EspantalhoNº 12 - Supergirl.

Olá amigos... Embora a Coleção de Miniaturas DC da Eaglemoss tenha sofrido menos mudanças em relação à sua sequência original de peças lá da Europa do que a sua contraparte da Marvel, mesmo assim algumas mudanças na sequencia também ocorreram. Isto vem causando certas dúvidas em muitos entusiastas da coleção no que se refere ao lugar que determinada miniatura adotou aqui na Terra Brasilis. Esta postagem visa trazer o que já saiu em nosso país quanto às peças regulares desta Coleção e, além disto posiciona-la exatamente em relação às outras, dando a sequencia Brasileira.

Nº 13 - Shazam (Capitão Marvel); Nº 14 - Charada; Nº 15 - Estelar; Nº 16 - Caçador de Marte (Ajax); Nº 17 - Asa Noturna; Nº 18 - Gladiador Dourado; Nº 19 - RavenaNº 20 - Moça-MaravilhaNº 21 - Duas CarasNº 22 - EspectroNº 23 - RastejanteNº 24 - Pistoleiro.

Seguindo uma das linhas editoriais aqui do Blog, a ideia é fornecer aos colecionadores uma lista atualizada para acompanhamento e consulta rápida sobre a coleção. A lista será sempre atualizada à medida em que novas peças forem sendo lançadas. Como vocês poderão verificar falta muito pouco para a coleção ser finalizada, o que ocorre no Nº 120. Sendo assim, o negócio é acompanharmos e nos mantermos unidos na torcida para este final que já se avizinha.

Nº 25 - Pinguim; Nº 26 - Ra's al ghul; Nº 27 - Exterminador; Nº 28 - Sinestro; Nº 29 - Adão Negro; Nº 30 - Capitão Frio; Nº 31 - AquamanNº 32 - Superboy PrimordialNº 33 - Gavião NegroNº 34 - Besouro Azul - Ted KordNº 35 - BizarroNº 36 - Hitman.


Nº 37 - Batgirl - Cassandra Cain; Nº 38 - Lanterna Verde - Guy Gardner; Nº 39 - Irmão Sangue; Nº 40 - Mary-Shazam (Mary-Marvel); Nº 41 - Lanterna Verde - Era de Ouro (Alan Scott); Nº 42 - Superciborgue; Nº 43 - Hera VenenosaNº 44 - Dr. LuzNº 45 - ArlequinaNº 46 - NuclearNº 47 - CiborgueNº 48 - Tornado Vermelho.


Nº 49 - Mutano; Nº 50 - Caçadora; Nº 51 - Átomo; Nº 52 - Flash - Era de Ouro (Jay Garrick); Nº 53 - Robin Vermelho; Nº 54 - Canário Negro; Nº 55 - Lanterna Verde - John StewartNº 56 - Senhor MilagreNº 57 - ZatannaNº 58 - Sr. FrioNº 59 - MetamorfoNº 60 - Sr. Destino.


Nº 61 - Adam Strange; Nº 62 - Arqueiro Vermelho; Nº 63 - Mulher-Gavião; Nº 64 - Questão; Nº 65 - Brainiac; Nº 66 - Raio Negro; Nº 67 - CósmicoNº 68 - Capitão ÁtomoNº 69 - Detetive ChimpNº 70 - PoderosaNº 71 - RelâmpagoNº 72 - Homem-Borracha.


Nº 73 - Pantera; Nº 74 - Desafiador; Nº 75 - Aço; Nº 76 - Grande Barda; Nº 77 - Azrael; Nº 78 - Satúrnia; Nº 79 - ÓrionNº 80 - Sr. IncrívelNº 81 - BatwomanNº 82 - Dr. Meia-NoiteNº 83 - Lanterna Verde - Kyle RaynerNº 84 - Professor. Zoom.


Nº 85 - Arraia Negra ; Nº 86 - Magog; Nº 87 - ; Nº 88 - Nº 89 - Nº 90 - Nº 91 - Braniac 5Nº 92 - Besouro Azul - Jaime ReyesNº 93 - Capitão BumerangueNº 94 - Homem-HoraNº 95 - Batgirl - Bárbara GordonNº 96 - Vingador Fantasma.


Nº 97 - Mulher-Leopardo; Nº 98 - Homem-Animal; Nº 99 - Superboy; Nº 100 - Devastadora; Nº 101 - Mon-El; Nº 102 - Superchoque; Nº 103 - Mestre dos Espelhos; Nº 104 - Chapeleiro Louco; Nº 105 - Mulher-Elástica; Nº 106 - Nº 107 - Nº 108 - .


Nº 109 - ; Nº 110 - Nº 111 - ; Nº 112 - Nº 113 - Nº 114 - Nº 115 - Nº 116 - Nº 117 - Nº 118 - Nº 119 - Nº 120 - .

Bom amigos... Espero que esta lista ajude à muitos. Agora é ir acompanhando sua atualização. Ok? Grande abraço à todos!!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Viagem Literária - 2016


Em 2016 minha viagem literária levou-me a navegar pela transferência de materiais químicos entre o nosso Universo e um outro, paralelo ao nosso, no qual habitam criaturas tão críveis e envolventes quanto os humanos, embora completamente diferentes de tudo que pensamos. Levou-me ainda às ruas sujas, pichadas e violentas de uma Nova York do fim dos anos 70, em que garotos perdidos organizados em gangues se matavam dentro de um código de conduta brutal e tribal. Pude também entrar nos bastidores de uma das editoras mais fantásticas já criadas. Uma editora que produziu uma literatura marginal, criticada e desprezada pelos meios acadêmicos, mas rica e cheia de vida: A Editora Marvel... Com seus vícios, defeitos e virtudes. Levou-me ainda para uma batalha cósmica violenta e grotesca, travada por idosos acima de 75 anos. Uma viagem na verdade pela mente de homens e mulheres na 3ª idade que simplesmente viram soldados, justamente por não terem mais nada a perder. Consegui ainda viajar pelo Mundo Quântico com suas inexplicáveis possibilidades infinitas, todas reais e verdadeiras e migrar para o que há de mais longínquo no Universo. Por fim, encerro o ano dentro da mente de um menino autista que... Desenhava Monstros.

Livro 01 de 2016

Os leitores de longa data aqui do Blog sabem de minha paixão pela escrita científica e fantástica de Isaac Asimov. Em Os Próprios Deuses, Asimov constrói de forma crível a hipótese (atualmente considerada fortemente pela Física) de troca de matéria entre Universos. Assim como uma Bomba de Sódio-Potássio trabalharia para manter o equilíbrio entre o meio intra e extra-celular, assim os Universos trocariam matéria para manterem-se equilibrados. Mas Asimov faz isso construindo uma incrível história sobre homens, suas ambições, ciência e novos seres que habitam um novo e diferente Universo!!!


Livro 02 de 2016

Warriors - Os Selvagens da Noite é como um instantâneo de uma noite na vida de uma Gangue de rua, Os Warriors. Publicado inicialmente em 1965, Warriors virou filme em 1979 pelas mãos do Diretor Walter Hill, sendo sucesso de público.  As sessões de cinema do filme tiveram que ser interrompidas na época de seu lançamento porque muitos garotos queriam praticar a mesma coisa que os personagens da história, instigados pela história visceral de Sol Yurick. O filme é muito bom também, mas tem muita coisa diferente em relação ao livro, que é mais profundo ao relatar o microuniverso de cada personagem. A Obra traça um painel da desesperança que vive no coração de jovens soterrados pela falta de perspectiva e de futuro, e como isso torna-se um terreno fértil para a formação de estruturas de poder calcadas em hierarquias militares. Livro obrigatório para quem deseja entender, pelo menos um pouco, dos movimentos sociais.


Livro 03 de 2016

Marvel Comics - A História Secreta de Sean Howe é um livro incrível. Para aquele que é fã do Universo Marvel e deseja transcender as páginas dos quadrinhos e enxergar pelo buraco da fechadura para entender o que se passava na Casa das Ideias ao longo de seus anos de existência, o livro é essencial. Sean Howe consegue entregar um livro destituído de parcialidades e mostra cada roteirista e desenhista de uma forma simples e honesta, sem exalta-lo mas também sem denegri-lo. Destaque para a personalidade de Stan Lee que percorre todo o livro. O autor foi muito justo com Lee. Em outras obras Stan Lee já foi, muitas vezes, retratado como alguém que teria se aproveitado do gênio criativo de alguns grandes nomes da Indústria dos Quadrinhos. Na verdade o veredito final que fica para o leitor ao ler esse livro é que Lee também foi vítima da estrutura de poder e dinheiro montada sobre as HQs, tendo que fazer o possível para lidar com os gênios sob sua tutela. Um livro incrível mesmo. Minha única ressalva é em relação ao final. O autor é detalhista ao longo de toda obra, mas quando chega ao final é extremamente sucinto ao relatar o episódio da compra da Marvel pela Disney. Algo que todo fã gostaria de saber. Mas de resto é essencial!!


Livro 04 de 2016

No meu aniversário de 75 anos fiz duas coisas: visitei o túmulo de minha esposa, depois entrei para o exército. Com esta frase John Scalzi abre Guerra do Velho, um livro que me surpreendeu muito, positivamente. Embora a "chamada" seja para um livro de batalhas em solo alienígena e planetas distantes (e o livro o é), a grande sacada de Scalzi, em minha opinião foi ir além disso. O autor consegue tratar de assuntos extremamente caros à humanidade, o envelhecer, a finitude, a verdadeira substância da nossa consciência ou "alma"... E isto é feito de uma forma comovente, às vezes até engraçada, mas sempre envolvente e original. O leitor começará a se interessar sobretudo pela escrita fluida e perspicaz de Scalzi. Minha torcida é para que a Editora Aleph traga os outros livros que compõem a série.


Livro 05 de 2016

Ler livros de ciência avançada para leigos é algo que sempre está na lista de muitos leitores, mas a pilha de outros títulos sempre prevalece. Assim, tive que me imbuir de uma certa força para encarar O Universo em Suas Mãos de Christophe Galfard. O autor foi aluno de Doutorado de Stephen Hawking, o que dispensa apresentações. O livro inicia-se com uma promessa difícil de ser cumprida, "...Não deixar nenhum leitor pelo meio do caminho". O esforço do autor é Hercúleo para explicar diversas teorias atuais sobre os constituintes da nossa realidade. O resultado é uma obra incrível que faz com que nossa percepção das coisas à nossa volta se altere completamente, ou seja, tudo é muito mais mágico, mas insólito e inexplicável do que parece. A verdade é que no fim, ao que dá a entender, são os autores de Histórias em Quadrinhos é que estavam certos ao inventarem realidades paralelas e viagens pelo tempo e espaço!!!

Livro 06 de 2016

Meu ano se encerra em companhia de um garoto especial, autista, na verdade incluído dentro deste espectro como portador da Síndrome de Asperger. O Menino que Desenhava Monstros localiza a história dentro de um ambiente isolado, uma casa à beira mar na costa do Maine nos EUA. Uma ilha com várias casas de verão vazias esperando o inverno passar para receber seus ocupantes no verão seguinte. Ali vive a família Keenam, o pai zelador das casas de veraneio, a mãe tentando continuar amando seu filho cada vez mais distante em sua mente e cada vez mais imbuído de ideias estranhas. O cenário parece já muito usado e também lembra O Iluminado, eu sei... Mas o autor, Keith Donohue constrói a história de maneira a juntar o estilo de dois autores em uma obra só, Stephen King e Neil Gaiman!! A delicadeza da narrativa e a descrição do universo interior das personagens fazem toda a diferença.

Bem amigos... Esta foi minha jornada em 2016. Leituras que me levaram para longe... longe... longe... E você? Por andou em 2016? Que Mundos ou Universos visitou?...