domingo, 13 de agosto de 2017

Fotos Profissionais em Casa - Mini-Estúdio Fotográfico


Olá amigos... Hoje resolvi trazer uma dica que eu mesmo há muito procurava. Qualquer um que goste de colecionismo sempre teve em mente a exposição fotográfica de suas peças. Saber tirar fotos adequadas envolve estudo e conhecimento técnico acerca de luz, máquinas fotográficas e ambientes. Algo que requer estudo e aprofundamento, o que dificulta para todos nós por falta de tempo e dinheiro. Recentemente vi uma solução na internet e resolvi experimentar: ter um mini estúdio fotográfico em casa. A empresa MUTU - Produtos Criativos teve uma excelente ideia de proporcionar, de forma compacta e acessível, um mini estúdio fotográfico doméstico perfeito para quem quer fazer fotos sem fazer feio. Fiz meu pedido semana passada, recebi ontem e logo já fui testar. O resultado vocês verão nas fotos abaixo.

Família Cósmica Marvel - Eaglemoss

O vídeo na abertura desta matéria já mostra o conceito por traz do produto. Feito de chapas plásticas unidas de maneira a formar uma abóbada iluminada, o estúdio permite a inserção de fundos de várias cores dando a perspectiva de infinito à foto. No caso da foto acima eu usei o fundo branco. A iluminação em "led" é forte e elimina a necessidade de se fazer os famosos recortes na foto para retirada de fundos indesejáveis.

Heróis e Vilões da Era de Ouro dos Quadrinhos - Eaglemoss

Não há necessidade de se usar "flash" por causa da excelente iluminação. O melhor resultado é obtido deixando a máquina fotográfica configurada para uma maior captação de luz, ou seja, deixar a máquina ajustada para fazer a foto com o diafragma mais aberto. Este ajuste é comum e de fácil acesso em todas as máquinas digitais e celulares. Por isso minha recomendação (que é a mesma presente no Manual do Fabricante) é não deixar a máquina fotográfica no "Automático", mas sim no "Manual", o que permitirá tal ajuste.

Personagens Clássicos da Família Fantástica da Marvel - Eaglemoss

Na foto acima do Sr. Fantástico, Mulher-Invisível, Tocha-Humana, Coisa, Galactus e Surfista Prateado, eu ajustei a câmera para receber mais luz e, como podem ver, o fundo branco ficou sem marcas e bem integrado ao fundo branco aqui do Blog, o que deixou a foto completamente sem marcas indesejáveis. Minha expertise é baixa para fotografia, e minha prática com o mini estúdio anda é pequena, já que o recebi ontem. No entanto, já consegui fotos que me agradaram bastante.

Surfista Prateado - Eaglemoss

Surfista Prateado - Eaglemoss

Acima vocês podem verificar o mesmo personagem fotografado em fundo preto, porém com aberturas diferentes de diafragma da câmera. Fiz este experimento para verificar as várias opções de foto possíveis com um simples ajuste na câmera. Usei minha câmera digital simples da Panasonic. 

Demolidor - Iron Studios
Demolidor - Iron Studios
Demolidor - Iron Studios
Demolidor - Iron Studios
Demolidor - Iron Studios
Demolidor - Iron Studios

Obviamente, ainda preciso melhorar bastante na aquisição das fotos. Mas fiquei contente em conseguir resultados bons já de primeira. Há duas opções de tamanho de mini estúdio fotográfico na MUTU, um com 35 cm de altura, largura e profundidade e outro de 60 cm. O pedido básico acompanha o estúdio, já com a iluminação de "led" instalada, uma fonte bi-volt para ligar o "led" à rede elétrica e 03 fundos infinitos (01 branco, 01 preto e 01 verde). Além disso, estão disponíveis outros fundos em outras cores, e um segundo kit de lâmpadas de "led".

FNM D-9500 Brasinca – 1957 – Carretos - Planeta DeAgostini
FNM D-9500 Brasinca – 1957 – Carretos - Planeta DeAgostini
FNM D-9500 Brasinca – 1957 – Carretos - Planeta DeAgostini

Acredito que esta dica possa ser útil para muitos de vocês. Não achei o preço do Mini Estúdio tão exorbitante. Paguei R$ 178,00 (Mini Estúdio + Kit com 03 fundos infinitos). Na 1ª compra eles dão R$ 20,00 de desconto. O material do estúdio é semelhante àquele usado em pastas de arquivo-morto de plástico. Este é um ponto negativo, pois não é um material muito resistente. Mas acho que tendo cuidado não há problemas. Ah... A forma de fixação das paredes durante a montagem da caixa se dá por meio de ímãs já instalados nas folhas plasticas. Achei bem fácil de montar e desmontar.


Este é o estúdio montado ontem aqui em casa. Bom amigos... É isso aí... Um grande abraço à todos e boas fotos!

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Miniatura Marvel Série Especial Nº 11 - Hulk Cinza

Miniatura Marvel Especial Nº 11 - Hulk Cinza

O Hulk teve uma 2ª peça lançada dentro do Segmento Especial da Coleção Eaglemoss. Diferentemente de outras peças que não teriam sentido em sair duplicadas (caso do Anjo por exemplo), o Hulk Cinza até possui este direito, embora em minha opinião teria que ter saído evocando o aspecto característico do Hulk Cinza dos quadrinhos, que é bem diferente de sua versão bestial verde. Para novos leitores vale a pena explicar que esta versão cinza é a mesma do Hulk Verde, mas que se apresenta com uma coloração cinza por conta de uma história de bastidores muito interessante dentro da Marvel à época de sua criação em Maio de 1962 na Revista The Incredible Hulk 01.

Miniatura Marvel Especial Nº 11 - Hulk Cinza

O Hulk foi criado como todos sabem por Stan Lee e Jack Kirby e ocupa um lugar de honra na galeria Marvel, já que foi o 2º personagem a ser concebido após o Quarteto Fantástico (grupo que inaugurou a Era Marvel nos 60). Lee pensou em um monstro que evocasse medo nas pessoas, mas ao mesmo tempo compreensão e compaixão. A cor escolhida pelos criadores foi o cinza, uma cor que sem explicação nenhuma não ficava adequada na revista impressa. Stan Lee comentaria o seguinte a respeito disto: "A pele dele era cinza claro em alguns pontos e quase preto em outros. Havia alguns painéis em que ela parecia vermelha e, por algum motivo que ninguém foi capaz de explicar, num close já próximo do final da história, ele ficou verde esmeralda. Como você já deve ter suposto, ficou dolorosamente claro para mim que cinza não fora a melhor das escolhas de cor que eu já tinha feito".

Miniatura Marvel Especial Nº 11 - Hulk Cinza

O Hulk abandonaria a cor cinza já no Nº 02 de sua revista mensal de Julho de 1962. Este Hulk de cor cinza poderia ter ficado no limbo editorial se não fosse pela ideia do escritor Al Migrom na segunda metade dos anos 80. Na história, após uma tentativa mal sucedida de se eliminar o Hulk (Verde), a criatura torna-se cinza. A cor traz consigo outras estranhezas, por exemplo o fato do Gigante tornar-se inteligente, "sacana" e com uma obsessão de eliminar por completo os resquícios interiores de Banner. Este Hulk Cinza voltaria a aparecer alguns anos depois na Era do escritor Peter David sob a alcunha de Joe Tira-Teima. Esta fase seria caracterizada por um Hulk que vivia escondido em Las Vegas como guarda-costas.

Miniatura Marvel Especial Nº 11 - Hulk Cinza

Mas como explicar de forma coerente estas mudanças de coloração? A explicação veio de forma elegante por meio de uma trama com tons psicológicos do roteirista Paul Jenkins. A verdade é que Robert Bruce Banner havia sido vítima de abuso infantil e isto explicaria, por exemplo sua grande dificuldade de se socializar desde o começo de sua existência e apresentada nos quadrinhos desde o início. Outros danos deste abuso seria a internalização de uma raiva imensa por parte de Bruce, além é claro de uma dificuldade de cometer pequenos e inofensivos delitos, o que expressava a grande repressão existente dentro de Banner. Isto então explicaria a existência de Hulks distintos com aspectos predominantes em cada um deles. Por exemplo, um Hulk Verde, incomensuravelmente forte e bestial e um Hulk Cinza mais contido e cheio de artimanhas.

Miniatura Marvel Especial Nº 11 - Hulk Cinza

Stan Lee nunca escondeu que foi grandemente influenciado pela obra O Médico e o Monstro (Dr. Jekyll & Mr. Hyde ) publicada em 1886 dRobert Louis Stevenson. Na história o bom Dr. Jekyll cria uma fórmula que conseguiria acessar o âmago do ser humano, tornando-o bom e livre de sua consciência pecaminosa. O efeito é desastroso e, ao cair da noite, Jekyll transforma-se em um homem hediondo, horripilante em sua aparência, que condensa todas as piores facetas da alma humana. O livro é um clássico e serve de alegoria para o fato de que nossa alma está fadada a se digladiar dia e noite em um palco onde luz e trevas, virtudes e tendências malignas estão presentes sempre em conflito. Aliás, deve ter sido deste livro que Lee também extraiu a ideia de que a transformação de Banner no Hulk aconteceria sempre à noite, algo que foi posteriormente alterado para uma transformação deflagrada pela raiva e estresse. Recomendo muito que assistam às duas adaptações cinematográficas de O Médico e o Monstro, ambas fenomenais, embora eu prefira a primeira de 1931 com Frederic March no papel de Dr. Jekyll. A segunda data de 1941 com o grande Spencer Tracy no papel principal.

Miniatura Marvel Especial Nº 11 - Hulk Cinza

Outra inspiração de Stan Lee para criação do Hulk dispensa apresentações, Frankenstein de Mary Shelley. Publicado em 1818 o livro trouxe pavor às pessoas da época, sobretudo pelo fato de que não se conhecia ainda muito bem o efeito da corrente elétrica sobre o corpo humano. A possibilidade de que a eletricidade poderia realmente reviver algum cadáver não era totalmente descartada no início do século 19. Vale à penas ressaltar aqui uma "lenda literária" envolvendo o nome de Mary Shelley. Reza a lenda que escritores daquela época, em busca de boas histórias de terror, alimentavam-se copiosamente à noite e iam dormir logo em seguida para terem pesadelos e assim trazê-los à luz do dia em forma de histórias. Teria sido em condições assim que Mary Shelley concebeu Frankenstein

Miniatura Marvel Especial Nº 11 - Hulk Cinza

De Frankenstein acredito que Lee extraiu a solidão da criatura que vive incompreendida em busca de paz, sozinha sem poder contar com quase ninguém, a não ser improváveis amigos, como foi o caso de Rick Jones (rapaz responsável por Banner ter recebido a massiva carga de radiação gama). Em minha opinião, embora Hulk tenha sido bem trabalhado no passado, nunca ninguém conseguiu construir uma história que explorasse este lado dramático e aterrorizador da criatura em sua solidão, como já foi feito por exemplo com Frankenstein e o próprio Dr. Jekyll na literatura. Seria uma história em que a "pancadaria" estaria minimizada para se tentar maximizar o drama do monstro, tal qual aconteceu, por exemplo em outro clássico da literatura muito parecido com o narrativa trágica de Hulk, O Corcunda de Notre Dame de Vitor Hugo.

Miniatura Marvel Especial Nº 11 - Hulk Cinza

Bom amigos esta é mais uma matéria em que abordamos o conceito por trás do personagem. Um grande abraço à todos!

sábado, 15 de julho de 2017

Colecionadores x Leitores de HQs: Há diferença!!??


Respondendo: Sim, há. Recentemente presenciei uma cena (que ocorreu dentro de uma Comic Shop) e que me deixou muito insatisfeito e triste. No passado, nós Nerds sofríamos Bullying de valentões e de supostos fanfarrões bem-sucedidos socialmente. Atualmetne, infelizmente, o Bullying ocorre a partir de Nerds (valentões) sobre outros Nerds. Um cenário incrivelmente surreal e deprimente. A cena a que me refiro ocorreu quando dois Nerds-Valentões estavam numa Comic Shop gabando-se de seus conhecimentos de cultura pop e começaram dizer, com ar superior, que eles pelo menos liam as HQs que compravam, diferentemente da maioria dos outros Nerds que as compravam e não liam. A cena me motivou a tecer algumas reflexões acerca do que envolve colecionar e ler HQs.


Em primeiro lugar gostaria de diferenciar o Leitor de HQs do Colecionador de HQs. Ambos não são excludentes, claro. Mas o fato é que você pode ser apenas um leitor de quadrinhos, não dando muita importância para o quadrinho em si, ou seja, para aquilo que ele representa enquanto material colecionável. Este é o Leitor de HQ. Tal pessoa é extremamente bem vinda para o mercado de quadrinhos e não há qualquer problema em ser assim. Compram, leem e, depois de ler, o material perde sua importância. Volto a dizer que não há problema algum nisso. Aliás, possivelmente os Nerds-Valentões descrito na cena inicial acima, possivelmente eram apenas leitores de quadrinhos (embora com um conceito péssimo da vida em sociedade). Os Leitores de Quadrinhos até querem possuir esta ou aquela HQ, mas não possuem aquela vontade de completar esta ou aquela sequencia de histórias ou arcos para depois expo-las na estante para si.


O segundo tipo de amante dos quadrinhos é o Colecionador de Quadrinhos. Este tipo em geral se importa com a sequencia de arcos e enxerga o quadrinho não apenas como histórias, mas como um objeto colecionável, tal qual o colecionador de "moedas", "selos" ou quaisquer outros tipos de coleções. Este tipo, aliás, vem se beneficiando com a grande onda de lançamentos de HQs dentro de coleções (Ex. Coleção Histórica Marvel, Coleção Capa Preta, Vermelha e Definitiva do Homem-Aranha da Salvat, além da Coleção da DC da Eaglemoss). Nesta perspetiva fica claro porque algumas pessoas compram quadrinhos e demoram muito tempo para lerem a história. Isto acontece porque a compra não está atrelada diretamente à leitura, mas sim à continuidade ou conclusão de determinado título (seu objeto de coleção). Vamos fazer um pequeno exercício ilustrativo: Pense um pouco... Caso você compre Action Figures de uma determinada linha, e tenha o espírito de colecionador, provavelmente você buscará com afinco seu término. Enquanto outra pessoa que é apenas um aficionado talvez queira comprar apenas esta ou aquela peça, sem se importar com a coleção toda. Nada mais comum e nada mais legítimo. O problema começa quando o Não-Colecionador, ou seja, aquele que quer apenas ler uma HQ ou comprar apenas esta ou aquela peça inicia uma intimidação sobre aquele que tem "alma" de colecionador. Na verdade há lugar para todo mundo viver em paz.


Há também um 3º tipo de pessoa é claro, o Acumulador. Mas este é quase um nômade, pois trafega entre os diversos tipos de assuntos acumulando de forma sazonal aquilo que lhe apraz naquele momento. Em geral este tipo não possui tanto conhecimento acerca do assunto e após algum tempo se desinteressa completamente por ele. Embora eu tenha definido teoricamente estes 3 tipos  de pessoas (Colecionador, Leitor de HQs e Acumulador), na prática há uma inter-relação entre eles, ou seja, é possível que se tenha um pouco dos 3 ou então predominância de um tipo. Por isso fiz o diagrama abaixo para tentar elucidar esta inter-relação no dia a dia.


O indivíduo que existe estritamente dentro do universo "1" seria aquele que definimos na matéria com o perfil 100% Colecionador de HQ. No universo "2" o que definimos como Leitor de Quadrinhos e no de número "3" o Acumulador. É possível que se tenha características associadas, ou seja, aquele na intersecção "1 e 3" seria o colecionador que já começa a apresentar características acumulativas, perdendo um pouco o senso do que é factível em sua vida. Aquele na intersecção "2 e 3" seria o leitor que começa a apresentar características de acumulador. Não se interessa exatamente pelo assunto, quer apenas '"ter". Na intersecção "1 e 2" temos uma mistura entre colecionador e leitor e, por fim na intersecção "1, 2 e 3", o indivíduo com todas as características que vão se manifestando ao longo do tempo.


Bom amigos... Esta matéria objetivou tentar lançar um pouco de luz sobre esta relação entre tais tipos de pessoas que se relacionam com os quadrinhos. Lembrando que, à exceção do Acumulador (que pode ter conotações patológicas), os demais tipos são legítimos, não excludentes e que podem sim conviver em harmonia.

Em grande abraço à todos!

domingo, 25 de junho de 2017

Deuses Americanos


Você já passou pela experiência de saber que um livro que você queria ler há muito tempo, de repente virou filme ou série e você se recusa a assisti-lo (a) antes de ler o livro para ter uma visão pessoal da obra e assim não seja contaminado com a visão do produtor/diretor? Acredito que isso já deve ter acontecido com você várias vezes. Comigo aconteceu com O Senhor dos Anéis por exemplo. Agora esta experiência se repete com Deuses Americanos de Neil Gaiman. Há muito eu gostaria de ler o livro, e assim que fiquei sabendo do lançamento da série eu saí correndo para comprar e lê-lo, já que é uma das obras mais comentadas do autor depois de Sandman. Esta semana terminei de ler e resolvi tecer algumas palavras acerca da obra sem, obviamente, revelar nenhum spoiler.


Eu estava particularmente muito influenciado pelo grande número de pessoas que comentavam, por ocasião do lançamento da série, que este era um dos livros mais interessantes de Neil Gaiman. Deuses Americanos é um bom livro, porém ele não me tocou tão profundamente quanto outras duas obras de Gaiman, Sandman e O Oceano no Fim do Caminho. Arte é assim, fala a públicos específicos e, exatamente por isso, não entra no conceito de arte boa ou ruim. O livro é arte, porém não me atingiu como aconteceu com as duas obras acima que, como uma pedra que cai num lago, até hoje reverberam dentro de mim.


Em Deuses Americanos, Gaiman nos entrega uma história coesa e muito interessante e, talvez se a tivesse escrito de forma mais intimista como escreveu O Oceano no Fim do Caminho, provavelmente teria me atingido com mais profundidade. No entanto, o autor escolheu dar uma atmosfera de Road Book à história, deixando-a mais parecida com obras como o filme Sem Destino (EUA - 1969) e com o livro On The Road de Jack Kerouac lançado em 1957. Acredito que a escolha de Gaiman foi acertada à medida em que com isso conseguiu que sua história fosse menos hermética, dialogando então com uma diversidade maior de públicos. O que de fato ocorreu, tanto que agora virou série pelas mãos do serviço de Streaming da Amazon.


Uma das grandes sacadas do livro é trabalhar um conceito que já foi imaginado e trabalhado por outros autores, a saber: a ideia de que o que traz à existência os etéreos seres folclóricos das mais diversas raças e povos é a crença das pessoas, ou seja, a credulidade que oferecemos a estes seres. A própria Bíblia aceita a ideia de que há uma assembléia de deuses, dentre os quais o superior à todos é o Deus que se deu a si mesmo em prol da humanidade na pessoa de Jesus Cristo. Dentro deste entendimento, a credulidade da humanidade é que daria base para a existência dos inúmeros seres que vagam pelo mundo espiritual. A partir disto, Gaiman consegue tecer uma intrincada trama em que deuses antigos (e quase já sem poderes) convivem com novos e poderosos deuses lado a lado com os homens.


Gaiman expande este conceito ao incluir uma nova ideia, a de que ao viajarem para as mais diversas partes de nosso mundo, os homens levaram em seus corações os deuses de suas terras natais. Com isso, núcleos de credulidade se formaram sobre arquétipos de conceitos originais de seus deuses. Por exemplo, o Odin dos nórdicos foi trazido para a América junto com a onda migratória dos primeiros séculos. Mas será que o Odin crido atualmente na América é crido da mesma maneira que os Nórdicos atuais o fazem? Provavelmente não. Desta forma, o Odin americano seria o mesmo dos antigos?

Djinn

As partes mais interessantes do livro para mim foram aquelas em que Gaiman descreve como é a vida dos antigos deuses na América moderna. Ao fazer isto, o leitor acaba por descobrir origens milenares de seres que foram incorporados às novas mídias de nosso século: TV, séries, livros, internet. No final, muitos mitos e lendas foram reciclados e vendidos ao mundo ocidental, proporcionando a continuidade de conceitos que de outra forma estariam mortos e perdidos para sempre. Esse esquecimento realmente chegou a acontecer com alguns deuses, ou seja, com aqueles que não foram atualizados e passaram para o limbo das crenças. Apenas aqueles que ainda possuem uma quantidade  mínima de pessoas ainda conscientes de sua história é que conseguem, minimamente, sobreviver.

Kobold

Ascensão e queda de crenças é algo relativamente comum entre os homens. Vale lembrar que a crença em certos conceitos nunca saiu de moda, por exemplo: Dinheiro, Guerras, Luxúria entre vários outros... Ao longo de nossa vida encontramos pessoas que servem diariamente a estes deuses e nem se dão conta, e isso acontece dentro de qualquer lugar, seja ele corporativo, religioso e etc... Aliás este último é um grande exemplo de local onde certos deuses relacionados ao dinheiro se alojam facilmente.


Não posso deixar de indicar uma leitura relacionada a este conceito de credulidade. Todos os leitores aqui do Blog sabem do meu apreço pelo Universo Imaginário de Astro City do autor Kurt Busiek. No encadernado Astro City Nº 03 - Álbum de Família, lançado no Brasil  em dezembro de 2015 pela Editora Panini, há uma história (a última do encadernado) chamada Astro das Telas. A história foi para mim quase que uma epifania (!!) ao destilar de forma brilhante o que é acreditar em alguma coisa. A narrativa é perfeita e é uma verdadeira pérola preciosa que todo fã de quadrinhos ou literatura fantástica deveria ler. A história, escrita por Busiek, aborda de forma singela, triste, melancólica e violenta a ideia de se acreditar em algo. Esta HQ, por exemplo me tocou profundamente.


Voltando à Deuses Americanos eu digo que com certeza assistirei à série derivada do livro, mas fico feliz de ter lido primeiro a obra em seu estado bruto. Acredito que a série tem tudo para ser um sucesso. Bem amigos... É isso aí! Um grande abraço à todos!

domingo, 18 de junho de 2017

Batman - Sangue Ruim


Muitas são as divergências no Mundos dos Quadrinhos, mas uma das unanimidades quanto à qualidade e respeitabilidade aos personagens são as animações da DC. Acumulando experiência desde os anos 90 com as Séries Animadas de Batman e Superman, o Departamento de Animações da DC possui nomes de peso envolvidos em suas produções, dentre eles: Paul Dini, Bruce Tim, Alan Burnett, a incrível diretora de dublagens Andrea Romano e seu time de famosos dubladores, Mark Hamill, Kevin Conroy, Rosario Dawson entre outros. Batman - Sangue Ruim segue esta trilha e não decepciona. Recentemente assisti à animação com expectativas que foram plenamente atendidas. Confesso que estava com um "pé atrás" por se tratar de uma história envolvendo a chamada "Família Batman", um conceito que particularmente não me agrada muito. No passado tivemos este conceito muito presente nas HQs, por exemplo: Família Marvel (Capitão Marvel, Mary Marvel e Capitão Marvel Jr.), Família Superman (Superman, Supergirl, Super-Cão...). O conceito teve seu lugar em uma época mais inocente dos quadrinhos, e reproduzi-lo em nossos dias é algo que tem todas as prerrogativas para não dar certo. No entanto, Sangue Ruim trabalha este conceito de FAMÍLIA do personagem dentro de uma perspectiva moderna e atual.


A família em questão seriam os heróis que, inspirados no exemplo do Homem-Morcego, decidiram dedicar suas vidas ao combate ao crime sob a insígnia do Morcego de Gotham: Asa Noturna, Robin (Damian), Bat-Woman e Bat-wing. A história começa frenética com uma luta com um desfecho muito ruim para Batman, o que já dá o tom de que os protagonistas da animação serão outros, e não o Cruzado Encapuzado. O nome Sangue Ruim é muito adequado, por se dúbio em relação à quem ele se refere, à dinastia Batman ou alguma outra? Além disso, os heróis vão sendo apresentados aos poucos, e a união deles é justificada de uma forma plausível e consistente.


O ponto alto do filme para mim são os diálogos. Percebe-se um cuidado muito grande em colocar as palavras adequadas na boca de cada personagem, evitando a armadilha de se criar a constrangedora situação de ações e palavras não terem nada a ver com o DNA do personagem. Os astros do filme são Damian (filho de Bruce Wayne com Talia Al Ghul) e Dick Grayson (Asa Noturna), que se vê obrigado a vestir o manto do Homem-Morcego. Damian começa a mostrar pequenos lampejos de maturidade e do caminho que decidiu seguir ao lado do pai. Entendendo o rígido código moral adotado por Batman: Justiça, não Vingança. Há alguns segredos escondidos (estear eggs) no longa que não vou dizer para não estragar a experiência de assisti-lo. Vale ressaltar, no entanto a conversa romântica/sensual que Asa Noturna desenvolve com uma moça ao telefone enquanto luta com um criminoso. O fã descobrirá facilmente a identidade da moça do outro lado da linha com sendo Rory, a heroína Estelar dos Novos Titãs. 

O Herético em 1º Plano na imagem

A galeria de vilões é bem interessante, mas muitas surpresas vão sendo descortinadas ao longo da trama, mostrando que tudo é um grande jogo de uma mente mais perigosa por trás. A consistência dos vilões dá credibilidade à narrativa, e a história acaba sendo adulta, com violência explícita e intenções sub-entendidas. Dentre os vilões destaco 02, o Herético e Tetch. Este último um vilão mais velho que é na verdade uma mistura de gênio tecnológico dentro de uma mente doentia.

Tetch

Há um sub-texto de caráter ético que permeia a animação, ao questionar de forma sutil se a missão de Batman é ou não correta, uma vez que seus métodos sombrios e sua mente traumatizada se assemelham muito à daqueles que ele mesmo combate. Esta questão será crucial para definir o ato final da história. De ponto negativo eu poderia ressaltar o fato de Damian ser apenas um adolescente de aproximadamente 13 anos e durante as cenas de luta receber golpes de pessoas que são 10 vezes maiores que ele sem, no entanto quaisquer prejuízos ao pequeno Robin. Acho isto importante já que estamos falando de uma animação que pretende atender à critérios adultos de narrativa.


O DVD da animação traz dois extras, uma prévia da animação Liga da Justiça vs Jovens Titãs e um trailer longo do filme Esquadrão Suicida. Liga da Justiça vs Jovens Titãs parece ser uma animação muito interessante dentro da linha cronológica de crescimento e amadurecimento de Damian, já o trailer de Esquadrão Suicida gera uma profunda tristeza, pois mostra o filme que ele deveria ter sido mas não foi, muito provavelmente por medo dos acionistas perderem dinheiro com a onda de ceticismo que havia na época fruto do filme Batman vs Superman. Caso consigamos esquecer do filme e nos concentremos apenas no trailer, podemos ver o quão interessante o filme era antes de ser amputado.


Caso você tenha assistido à Batman - Sangue Ruim, diga o que achou abaixo. 
É isso aí amigos!! Abcs!

domingo, 4 de junho de 2017

Miniatura DC Série Especial Nº 11 - Jonah Hex

Miniatura DC Especial Nº 11 - Jonah Hex

Violento, letal, solitário e forjado no ambiente mais hostil que uma criança pode crescer, Jonah Hex tornou-se uma lenda do Velho Oeste dentro do panteão da Editora das Lendas. Sua personalidade complexa e seu passado obscuro construíram um personagem dos mais interessantes dentro dos quadrinhos. Sua miniatura foi lançada na Coleção de Miniaturas DC da Eaglemoss dentro do segmento "Especial". Hoje analisaremos sua miniatura, origem e passado. Um estranho homem circunscrito dentro de um período de tempo que gerou histórias memoráveis, o Velho Oeste americano.

Miniatura DC Especial Nº 11 - Jonah Hex

Jonah Hex aparece classicamente representado dentro da coleção, com seu uniforme confederado cinza. No Brasil a peça foi disponibilizada em "resina", o que a deixou bem leve. Lá fora, e no início da coleção ela foi confeccionada em metal. Embora mais leve, a peça em resina é semelhante em detalhes e não é possível distingui-la da de metal, a menos que a peguemos para sentir seu peso. A peça é praticamente um diorama, expondo o pistoleiro em um cenário que, embora pequeno, é bem representativo. Eu particularmente gostei muito. Há detalhes escondidos como o fato, por exemplo, do homem dono do esqueleto por baixo da baú ter morrido segurando (talvez gananciosamente) seu ouro. O esqueleto aparece de forma bem identificável, a caveira está bem modelada e compõe de forma emblemática o pequeno cenário. O baú também salta aos olhos, desde os pequenos entalhes, passando pelos ferrolhos, parafusos de metal até o seu conteúdo, que dá a entender se tratar de barras de ouro ou prata.

Miniatura DC Especial Nº 11 - Jonah Hex

Outro ponto bem interessante que me chamou atenção foi a consistência da terra/areia ao redor do baú. Ela foi modelada de uma forma a representar de forma fiel a terra árida, dura e amarelada das imensas planícies. Pode-se até distinguir grandes torrões de terra ao redor do baú e pés de Jonah. Os adereços estão bem situados, por exemplo, a pá atrás de Jonah, como se ele tivesse acabado de desenterrar o tesouro, a machadinha Apache em sua mão esquerda e, obviamente seu Colt .44 Dragoon na mão direita. Especificamente a respeito do traje do renegado Jonah Hex, posso dizer que está muito bom. O inconfundível uniforme cinza confederado está muito bem apresentado. Suas botas estão bem modeladas e até as dobras do tecido das calças obedecem a posição de extensão da perna direita e flexão da perna esquerda apoiada sobre o baú. Esta posição gera dobras no tecido que precisam simular as linhas de força da posição, e isso está presente. Caso observemos é possível constatar a tensão no tecido da calça ao redor do joelho esquerdo flexionado, o que gera toda uma tesão no tecido nesta perna e na outra perna em extensão. Por fim, os detalhes em dourado da camisa militar estão bons também, além do cinto, coldre e chapeú. A deformidade na face direita de Jonah, talvez pelo pequeno espaço disponível, não é tão bem delimitada, como sabemos que ocorre nos quadrinhos. De todo modo, meu parecer final é muito favorável à peça.

Miniatura DC Especial Nº 11 - Jonah Hex

Mas quem foi Jonah Hex? Jonah nasceu em 1838, filho de Woodson e Virgínia Hex. O pai era um alcoólatra que, após extrapolar seus abusos, se viu sozinho para criar o filho, já que Virgínia o abandou e fugiu com um vendedor itinerante. O pequeno Jonah passaria seus primeiros anos recebendo castigos do pai mas, ao mesmo tempo, se fortalecendo com eles. O pai, de uma forma estranha via princípios educacionais e pedagógicos nos castigos, para fazer do filho um homem. Tais castigos fortaleceu o físico e os reflexos de Jonah. Próximo dos 13 anos o pai diria algo que o marcaria para sempre, algo que passaria a carregar como sendo sua crença pessoal: "Nunca roube, minta ou implore. Nunca traia a confiança. Nunca cause dor deliberadamente a não ser que a situação exija. Nunca me use como exemplo porque eu quebrei todas essas regras, e você pôde ver o resultado que isso trouxe à minha vida". Em 1851, o pai de Jonah resolveu tentar a sorte no extremo Oeste. Durante a viagem eles se depararam com um tribo de Apaches. Como salvo-conduto Woodson ofereceu Jonah à tribo com a promessa que em 06 meses retornaria para resgata-lo, algo que nunca aconteceu. Jonah cresceu na tribo quase como um escravo, sofrendo castigos e provações, o que mudou somente quando salvou o chefe da tribo de um puma. A partir daí Jonah foi considerado como o 2º filho do chefe, o que gerou ciúmes em Noh-Tante, o filho verdadeiro do chefe.

Miniatura DC Especial Nº 11 - Jonah Hex

O status de Jonah na tribo mudara, mas por pouco tempo, já que o interesse amoroso do jovem era o mesmo de Noh-Tante, a jovem Cervo Branco. Durante uma missão para roubar cavalos de uma outra tribo, Noh-Tante esfaqueou Jonah e o deixou para morrer nas mãos da outra tribo. Jonah lutou e milagrosamente sobreviveu aos guerreiros. Foi nessa época que ele entrou para o Exército do Sul em 1861, quando eclodiu a Guerra da Secessão Americana. Jonah serviu como tenente na 4ª Cavalaria do exército confederado. Embora valoroso nos combates ele foi capturado pelo exército da União e torturado no Forte Donelson. Chicoteado e quase morto, Jonah foi deixado para morrer nas margens do Rio Cumberland, sendo salvo por um médico simpatizante da causa confederada. Foi nesta época que Lincoln proclamou a "Emancipação" e, sabendo disso e não concordando que nenhum ser humano exerça direitos sobre outro, Jonah decidiu deixar a guerra e se entregou ao exército da União. Sua ideia era passar o resto do conflito como prisioneiro. O Capitão Tennison da União foi quem o recebeu no Forte Charlotte. Tennison, porém percebeu o tipo de terra presente nas botas de Jonah e localizou o acampamento dos confederados prendendo todos. Com objetivo de semear discórdia, Tennison mentiu aos soldados de Jonah, dizendo que fora ele que os entregara. Muitos soldados confederados foram mortos e a culpa recaiu sobre os ombros de Jonah, visto agora como traidor.

Miniatura DC Especial Nº 11 - Jonah Hex

Hex abandonaria seu passado militar, mas jamais tiraria a roupa do exército confederado para lembra-lo de seus erros do passado. Foi nesta época que ele retorna à sua tribo Apache para encontrar Noh-Tante casado com Cervo Branco. Na tentativa de recuperar sua honra na tribo, Jonah desafia Noh-Tante para um duelo segundo as regras dos Apaches, no entanto Hex recebe uma machadinha sabotada. Durante a luta, para não morrer nas mãos de Noh-Tante, Hex o mata e é definitivamente desonrado pela tribo, sendo marcado (desfigurado) à ferro na face direita e banido da tribo. A partir daí Hex torna-se aquilo pelo qual a maioria dos leitores o conhece, um caçador de recompensas. Ao longo de sua carreira Jonah Hex angariou a fama de assassino frio e calculista, sempre à caça de recompensas por criminosos. Poucos foram aqueles pelos quais Hex se associou, mas podemos citar alguns, dentre eles... Tallulah Jack, uma jovem que teve sua família morta e sobreviveu à uma bala na cabeça. Posteriormente Tallulah se tornou prostituta e foi novamente torturada. Talvez por se enxergar um pouco na jovem Hex a treinou transformando-a em uma pistoleira exímia, que buscou vingança. Outro parceiro foi El Diablo. Na verdade El Diablo era um Espírito de Vingança que se apossava do bancário Lázarus Lane. Os caminhos de Hex e deste "Espírito Vingador" vieram a se cruzar algumas vezes. Por último podemos citar Bat Lash, um jogador que adorava cosias finas.

Miniatura DC Especial Nº 11 - Jonah Hex

Hex teve dois filhos, uma menina que nasceu morta e um menino que foi levado para longe dele. Muitos anos depois Hex o encontraria mas, sem qualquer tipo de laço com o jovem, Jonah se afastou dele para não ser um mal exemplo para o filho. Em 1904, o Velho Oeste já praticamente não existia, substituído pelo progresso e suas máquinas à vapor. Hex encontrou a morte nas mãos do malfeitor George Barrow. Barrow o matou enquanto Hex, já velho, estava limpando seus óculos em uma mesa de pôquer. Mas mais estranho e bizarro que a vida de Jonah Hex, foi o destino de seu corpo. Seu cadáver foi roubado pelo showman Lew Farham, que o embalsamou, o vestiu com uma roupa idiota de cowboy e passou a exibi-lo em seu show. O corpo de Hex passaria de mão em mão e continuaria exposto ao longo das décadas em monumentos em honra à Era dos Cowboys

Não posso terminar esta matéria sem mencionar a animação Superman-Shazam - O Retorno de Black Adam. Neste DVD há 08 histórias de 04 personagens diferentes, sendo um deles Jonah Hex. O pistoleiro aparece em duas animações no disco, a 1ª ainda jovem (excelente!!), e a 2ª mostra sua participação dentro da Série Animada do Batman. Vale muito a pena conferir. Para saber mais clique no link acima.

É isso aí amigos... Grande abraço!!!
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