domingo, 12 de novembro de 2017

Coleção Salvat - Tex Gold - O que Já Saiu!? - Lista de Lançamentos - Atualizada - Novembro/2017!!

Nº 01 - O Profeta IndígenaNº 02 - O Cavaleiro Solitário.

Olá amigos! O mercado de HQs encadernadas de luxo definitivamente se firma no Brasil. O que antes eram apenas tentativas tímidas de algumas editoras em lançar certas coleções capa dura (como foi há muitos anos o caso da Panini com a Biblioteca Histórica Marvel), hoje é uma realidade plena. Haja vista as várias coleções no Mercado: 1) Coleção Oficial Salvat de Graphic Novels (Capa Preta); 2) Coleção Salvat Os Heróis Mais Poderosos da Marvel (Capa Vermelha); 3) Coleção de Graphic Novels DC Comics da Eaglemoss; a 4) Coleção Salvat Definitiva do Homem-Aranha. Embora pudéssemos pensar em um mercado já saturado, incrivelmente parece que a força Nerd está mais ativa que nunca. Prova disso é que chegou às livrarias e bancas uma nova e robusta coleção de encadernados capa dura tendo como foco um Gigante Italiano dos Quadrinhos: O Ranger Tex Willer!!


Acredito que muitos devam pensar, erroneamente, como eu pensava, que Tex fosse um personagem criado e popularizado a partir dos Westerns Italianos dos anos 60. Estes Westerns são derivado dos Westerns americanos e, seu sucesso na Itália foi tanto que, ganhou o carinhoso nome de Westerns Spaghettis. Só que não, Tex é muito maior que os Westerns Spaguettis. Criado em 1948 (!!) pelo italiano Gianluigi Bonelli em parceria com o ilustrador Aurelio Galleppini, o herói tem raízes mais profundas e sólidas. O Ranger Texano é um dos poucos heróis que conseguiu ser publicado por décadas e décadas de forma ininterrupta, possuindo uma mitologia focada num dos períodos mais interessantes da história norte-americana, a 2ª metade do Século 19, período que compreende a Guerra Civil Americana (1861 - 1865). As histórias de Tex ainda jovem se passam por volta do ano de 1860, enquanto as histórias de um Tex mais velho e quarentão, acompanhado de seu filho Kit Willer, envolvem o período de 1880 - 1890.


Confesso que, embora sempre tenha tido vontade, eu nunca entrei em contato de fato (como leitor) com o Universo Bonelliano, que compreende aliás, muitos outros personagens além de Tex. Assim, resolvi me envolver definitivamente com este importante segmento que sempre esteve fora do circuito das grandes editoras norte-americanas de quadrinhos. E a porta de entrada para mim está sendo estes lançamentos da Editora Salvat. A Coleção Tex Gold compreenderá 60 volumes (pelo menos até decidirem por uma expansão futura), e as lombadas de cada volume, quando juntas na estante, formarão um belo painel ilustrado. A promessa é que cada número traga textos de especialistas que ajudarão os leitores a se familiarizarem com a mitologia do personagem.


A ideia desta matéria, assim como de outras deste tipo aqui no Blog, é que possamos acompanhar os lançamentos de maneira a conseguirmos um controle mais preciso e adequado do que sairá. A novidade desta matéria é que postarei, à cada atualização, a imagem da lombada em formação, o que permitirá que todos acompanhem também a imagem que se forma.

Lombada em Formação

É isso aí amigos! Agora vamos acompanhando a evolução e atualização desta Coleção aqui pelo Blog. Forte abraço!

sábado, 4 de novembro de 2017

Distrito: Top 10 de Alan Moore


O que você esperaria de uma HQ que tivesse um cachorro falante e inteligente de verdade, e que todos os dias vestisse uma armadura ciborgue que o colocasse em posição vertical bípede (o Kemlo "Hiper-Cão" César)... Nesta mesma HQ você teria também seres humanos barrigudos e comuns, só que com super poderes... Misture as esses conceitos super-heróis com nomes do tipo "Rei Pavão", Pete "Peter Chocante" Cheney, Sinestesia Jackson, Duane "Demônio da Poeira"... Bem, você não daria um tostão furado por uma HQ assim, cheia de conceitos absurdos e até infantis, certo? Pois é... Eu também não daria 1 real por ela. Exceto por um pequeno detalhe que me chamou atenção quando comprei estas duas HQs (Top 10 - Contra o CrimeTop 10 - Assuntos Internos) da Editora Devir lançadas no Brasil em 2005 e 2006, respectivamente: este detalhe chama-se Alan Moore. E uma coisa eu digo, Top 10 é talvez uma das HQs mais inventivas que já li. Esta matéria tratará do universo de Top 10 e, como sempre, sem spoilers.


Eis a premissa: Na década de 40 diversos combatentes da liberdade (chamados de Heróis da Ciência) pipocaram em vários lugares para combaterem as Forças do Eixo. Bastava um garoto vestir um colant e realizar alguns feitos heroicos para começar a contaminar sua vizinhança com o "vírus" do heroísmo. Soma-se a isso o fato de alguns meteoritos ou acidentes radioativos terem conferido superpoderes à diversas pessoas. Isto posto, depois de algum tempo já tínhamos uma considerável febre pró-heroísmo instalada. Com o final da 2ª Guerra Mundial, o contingente super-heroístico ficou razoavelmente ocioso e, além disso, não podemos esquecer dos inúmeros autômatos, robôs, e vilões que continuaram a aparecer inspirados nos vilões nazistas dos anos 40 que também não tinham muito o que fazer. Todo este contingente tinha, é claro, uma certa dificuldade em se ajustar a uma vida comum que constava de ir para o trabalho todos os dias com fins de semana comuns com churrasco na casa dos amigos e trabalhos de jardinagem. Como era de se esperar começaram a nascer os filhos dos casais super-heróicos formados nas frentes de batalha mundo afora e, com isso acontecendo, pronto (!!), estava armada uma "panela de pressão" de super-seres com seus diversos superpoderes precisando ser regulamentada e colocada na linha.


Por conta de todo o cenário acima, pareceu plausível a construção de uma cidade na qual todos estes super-seres bons e maus pudessem ser alocados e assim vivessem a vida que gostariam de viver com trabalhos e expectativas mais voltadas para sua natureza. Os grande vilões do nazismo foram convocados e desenvolveram a planta e gerenciaram a construção da cidade que foi chamada de NEÓPOLIS. Tudo ia muito bem, porém ninguém previu o "boom" populacional dos anos 60, de maneira que nos anos 80 a "panela de pressão" novamente parecia que iria explodir. Assim, em julho de 1985 um plano proposto pela Alter-Terra (uma das centenas de Terras Alternativas que começavam a fazer fronteira dimensional com nosso Mundo)  foi aceito de bom grado pelas centenas de Neópolis espalhadas pelas inúmeras Terras do Multiverso. Este plano previa a criação de uma força policial que teria um distrito em cada Neópolis de cada uma das Terras alternativas, obedecendo ao distrito central sediado na Terra 54, a Central-Mor. O Top 10 do título é nada mais nada menos que um dos postos avançados desta força policial, presente em uma das Terras.


Tudo isso que descrevi acima é o que você precisa saber para começar a ler Top 10. Embora tudo pareça "meio" maluco, a realidade é que Alan Moore deu, com esta base narrativa, plausibilidade à existência de Super-heróis de verdade, ou seja, acredito que algo muito parecido teria acontecido com nosso mundo caso eles realmente tivessem nascido nos anos 40 em nossa Terra real. O 10º Distrito é formado por uma equipe que patrulha uma Neópolis que, para um bom leitor, é cheia de "easter eggs" sobre o Mundo dos quadrinhos. Se você for atento poderá ver ao fundo da maioria dos quadros referências incríveis acerca de personagens e acontecimentos importantes da Marvel e da DC. A história é inteligente e cheia de pontas interligadas em cada caso investigado pelos heróis do 10º Distrito. Inicialmente você não vê muita ligação entre os acontecimentos, mas como uma colcha de retalhos tudo vai se encaixando para revelar algo muito, muito maior.

Toy Box ao centro

A história começa com a chegada de uma recruta ao batalhão do 10º Distrito, a Sargento Slynger, codinome Toy Box. A partir daí casos e investigações se sucedem apresentando personagens extremamente críveis, dramáticos e reais ao leitor. Mesmo o Sargento Kemlo "Hiper-Cão" César é extremamente crível e passa a figurar como um personagem integrado e relevante durante toda história. Isso sem falar nos diversos outros policiais. É perceptível a nostalgia presente em cada página ao verificarmos heróis que perderam o rumo ao longo da vida e hoje fazem parte do grande contingente de mendigos nas ruas de Neópolis. Isso fora os super-heróis mutilados em Guerras e confrontos que hoje não possuem uma pensão decente por parte do governo. Problemas existentes em nosso Mundo real são todos espelhados em Top 10. E se você pensa que "perda de emprego" e "pensão social" são os únicos assuntos debatidos por Alan Moore na história, está redondamente enganado. Para surpresa minha e, acredito que sua, aqui vai uma lista de assuntos que permeiam Top 10: 1) Prostituição; 2) Suicídio; 3) Pedofilia; 4) Existencialismo; 5) Satanismo; 6) Cristianismo; 7) Homossexualismo; 8) Intolerância Étnica... E aí: Está bom ou quer mais!? Não é a toa que a obra é recomendada apenas para leitores adultos.

Da esquerda para a direita: Capitão "Jetman" Traynor; Slynger "Toy Box" e Jeff Smax

Todos esses assuntos são incorporados à trama e apresentados completamente inseridos no dia a dia dos personagens. Isto faz com que o conteúdo não seja "panfletário" ou "proselitista". Em momento nenhum você se sentirá pressionado a seguir uma determinada crença ou tendência do autor. Há passagens incríveis como a que trata de uma infestação de Super-ratos no apartamento da mãe do policial Duane "Demônio da Poeira". Um dedetizador (parecendo o Bane da DC) é contratado e leva Super-gatos para lidar com a situação. Quando o leitor retorna ao problema, páginas à frente, a questão já possui proporções Cósmicas nos cômodos do apartamento, com a presença de um Galactus do Mundo felino e de ninguém menos que o personagem Eternidade do Mundo dos Ratos que pela silhueta parece ser Mickey Mouse. Veja na imagem abaixo (!!).


O leitor "Nerd" ficará positivamente surpreso com a forma com que Moore apresenta estas homenagens sem ferir em nada a seriedade das histórias originais. Tudo fica realmente com um ar de respeitosa homenagem. Todas estas referências, é claro, podem eventualmente passarem despercebidas pelo leitor iniciante, mas em nada compromete o andamento da história, ou seja, você não precisa ser um expert em quadrinhos para gostar da obra. Os desenhos ficam por conta do desconhecido (pelo menos para mim) Gene Ha. De início achei o traço dele um pouco carregado, mas nas primeiras páginas eu senti que sua narrativa gráfica se ajustava perfeitamente à trama.


Os dois encadernados acima se completam e fecham todas as tramas iniciadas no 1º volume. Aparentemente Alan Moore parece ter criado Top 10 para acabar nestes dois encadernados. No entanto, fiquei sabendo que lá fora saíram algumas continuações. Infelizmente no Brasil só temos estes dois volumes iniciais publicados pela Devir e acredito que talvez possa ser difícil de achar estas publicações. De qualquer forma seria uma boa pedida para republicação!

Sargento Kemlo "Hiper-Cão" César

Bom amigos... É isso aí! Um forte abraço à todos!!

sábado, 28 de outubro de 2017

Butcher´s Crossing


Butcher´s Crossing ou Travessia do Carniceiro é um livro que foi escrito pelo escritor, editor e professor John Edward Williams (1922 - 1994) e publicado pela primeira vez em 1960. O livro narra a história do jovem Will Adrews, estudante em Harvard, de família tradicional e que, na década de 1870, desiste de tudo para atender um chamado interior que o impulsiona em busca de algo profundo e que, acredita, estar escondido de alguma forma na natureza. Semelhante à outras grandes histórias, (Caninos Brancos de Jack London, Na Natureza Selvagem de John Krakauer, Walden de Henry Thoreau...) verídicas ou não, de homens que se se sentiram impulsionados à encontrarem o significado da existência no reencontro com algo que perdemos enquanto espécie, e que se encontra nos silêncios, barulhos e crueza da natureza, a história de Will Andrews o segue para o interior do Kansas - EUA, para uma pequena vila chamada Butcher´s Crossing nos limites da civilização.


A grande procura do protagonista terá como palco uma viagem em busca dos gigantes paquidermes das pradarias Norte-Americanas, os Búfalos. Aquecido pela grande demanda pela pele destes grandes e lindos animais, a caça comercial exterminou milhares e milhares de Búfalos ao longo da 2ª metade do Século 19 nos EUA. O livro narra a expedição de Will acompanhado do experiente caçador Miller, seu ajudante Charley Hoge e do escalpelador Fred Schneider. A escrita é fácil e o autor consegue promover a imersão do leitor no rico cenário do Oeste Selvagem. Gostaria, no entanto de descrever algumas impressões muito positivas a respeito da obra, bem como algumas reflexões pessoais sobre seu conteúdo. Uma das primeiras coisas que me trouxe grande surpresa em relação ao autor John Williams, foi sua capacidade de traduzir em palavras determinados sentimentos ou buscas pessoais que carregamos mas que não conseguimos expressa-los de maneira a manter sua integridade sagrada. Prefiro explicar transcrevendo trechos do livro:

- Reflexão pessoal de Andrews diante das Montanhas -
"Quando chegaram mais perto, ele teve outra vez a sensação de que estava sendo absorvido, incluído em alguma coisa com a qual nunca se relacionara antes; mas, ao contrário da sensação de absorção que experimentara na pradaria anônima, essa sensação prometia , ainda que vagamente, uma riqueza e uma satisfação plena para as quais ele não tinha nenhum nome".

"Ele se deu conta de que seu frenesi de alcançar as montanhas era parecido com a sede que havia acabado de sentir. Sabia que as montanhas estavam lá, podia vê-las, mas não entendia exatamente que tipo de fome ou de sede as montanhas aliviariam dentro dele."


Se por um lado a viagem interior de Andrews nos leva a identificar a própria voz que clama dentro de nós em busca da plenitude primal existente na natureza, por outro lado temos o mundo real ao redor do personagem que o faz mergulhar no universo dos caçadores de Búfalos. Com uma brutalidade absurda, Miller (o caçador) abate sem piedade manadas inteiras ao longo do livro. E este aspecto é o segundo ponto que eu gostaria de salientar em relação à obra: o autor descreve a selvageria humana que cresce dentro de Miller e, à semelhança de um Capitão Ahab (de Moby Dick) das planícies, Miller mergulha com uma raiva irracional e insana sobre o dóceis e sábios Búfalos. E neste sentido o livro foi difícil para mim ao escancarar o abismo da alma humana.

Típico Caçador de Búfalo

Para os puristas literários, comparar Butcher´s Crossing com o clássico da literatura Moby Dick seria um sacrilégio, no entanto o paralelo existe sim, fazendo com que Butcher´s Crossing seja um  primo distante da obra prima de Herman Melville. Em vários pontos do livro o leitor não quer acreditar em nossa insistência em chafurdarmos o lamaçal da agressão contra a própria Criação (Natureza). Miller se torna co-protagonista da história ao lado de Andrews ao se apresentar como alguém que parece ter raiva do Búfalos como que se desejasse despejar sobre eles sua frustração pelo nosso paraíso celestial perdido. Pelo menos para mim fica esta interpretação. A raiva por termos perdido um vínculo com algo muito precioso. De outro lado, no entanto Andrews parece buscar a restauração deste vínculo.

Caçadores de Búfalo

O livro mostrará também a futilidade dos desejos humanos e o quanto arriscamos perder, apenas para saciar estes desejos. Fazemos isso, infelizmente até hoje. Buscamos certas coisas que no fim não são tão importantes assim. E nesse caminho nos embrutecemos e percebemos que o que vale a pena foi sacrificado por este "ouro de tolo".

Montanhas de Peles de Búfalo

Podemos classificar o livro como um Western, mas uma espécie de Western mais profundo, que mostra a realidade das pessoas que viveram aquele período que foi centenas de vezes encenado no cinema. Meu conselho é ler a obra destituído de uma expectativa contaminada pelas aventuras relativamente cartunescas e panfletárias do cinema. Isso lhe dará a perspectiva correta para aproveitar Butcher´s Crossing

Típico Saloon da Fronteira Americana - 2ª Metade do Século 19

Concluindo... É impossível não pensar que do passado, pessoas nos observam talvez tentando nos dizer para vivermos de forma diferente deles, pessoas que, incapazes de nos alertar diretamente parecem pedir que olhemos suas histórias e, assim, repensemos nossa jornada e construamos vidas diferentes.

John Williams

Um grande abraço amigos...

sábado, 21 de outubro de 2017

Miniatura DC Série Especial Nº 12 - Kilowog

Miniatura DC Especial Nº 12 - Kilowog

Kilowog é o alienígena responsável pela segurança do Setor 647 do Universo. Proveniente do pacífico planeta Bolovax Vik, Kilowog traz consigo uma triste origem, bem como um histórico de bravura, liderança e convicção. Sua miniatura dentro da Coleção de Miniaturas DC da Eaglemoss infelizmente foi lançada após a mudança de material de "metal" para "resina", tornando a peça menos atrativa à medida em que, apesar de robusta, é leve, o que acaba por trazer um pouco de decepção ao colecionador. Hoje falaremos desta peça, origem e carreira deste lendário patrulheiro galáctico que, à semelhança de outros colegas de Tropa, ganhou respeitabilidade universal e editorial.

Miniatura DC Especial Nº 12 - Kilowog

Na peça, Kilowog aparece trajando seu clássico uniforme de Lanterna Verde. Para aqueles que são recém-chegados ao Mundo dos Quadrinhos de Super-heróis, a Tropa dos Lanternas Verdes se constitui em uma incrível força policial galáctica criada pelos seres mais antigos do Universo, Os Guardiões do Universo. Provenientes do Planeta Oa, os Guardiões do Universo forjaram diversos anéis de poder que de tempos em tempos necessitam ser carregados em uma Lanterna Portátil. Esta Lanterna Portátil por sua vez extrai seu poder da imensa Bateria Central localizada em Oa. Os anéis de poder possuem a missão de recrutar seres inteligentes de diversos Mundos habitados, e assim muni-los com seu poder. Cada escolhido é responsável pela paz e segurança de um setor espacial. Kilowog foi um destes escolhidos.

Miniatura DC Especial Nº 12 - Kilowog

Sua peça saiu dentro do segmento Especial da Coleção porque, como todo bolovaxiano, Kilowog possui grandes proporções físicas. A miniatura traz seus músculos bem definidos, além de uma pintura bem delimitada, com uma tonalidade de pele próxima àquela vista nos quadrinhos. Porém, esta tonalidade não é exatamente igual à das HQs, nas quais o personagem possui uma cútis de cor salmão quase avermelhada. Uma crítica que faço à peça, além do material por meio do qual foi confeccionada (a resina), é a modelagem da face de Kilowog, que aqui aparece com a mandíbula discretamente deslocada para a à esquerda. Tirando este detalhe a face é parecida com a dos quadrinhos, ou seja, uma face que lembra o crânio de um "buldogue" com uma grande mandíbula. Assim como nos quadrinhos, a peça é simples no que se refere à adereços ou outros dispositivos, tais como capa, armas, coldres, cinturões, espadas etc... Afinal, tudo que um Lanterna Verde precisa é de sua força de vontade e de seu anel energético.

Miniatura DC Especial Nº 12 - Kilowog

Kilowog foi escolhido como Lanterna Verde após a morte de seu antecessor, o Lanterna Verde chamado Branwilla. Ele foi um relutante recruta da Tropa, já que em seu Planeta Natal todos os bolovaxianos possuíam um forte elo mental, o que fazia com que vivessem como uma mente coletiva. Separar-se deste elo era algo incomum para um bolovaxiano. Por isso, em seus primeiros anos como Lanterna Verde, Kilowog mantinha-se o mais próximo possível de seu Planeta. Seu treinador dentro da Tropa foi o lendário Lanterna conhecido como Ermey, um líder linha dura porém muito sensível às habilidades de seus recrutas. Em uma das primeiras missões, ainda como recruta, ao lado de Ermey, Kilowog acabou por presenciar a morte de seu líder, não antes porém de ouvir de Ermey que ele possuía características excepcionais para um futuro Lanterna Verde. Na memória de Kilowog, Ermey se tornaria seu eterno mentor, aliás foi por isso que ele assumiria, anos mais tarde, o posto de treinador que fora de Ermey. Anos difíceis, no entanto aguardavam Kilowog.

Miniatura DC Especial Nº 12 - Kilowog

Com o evento conhecido como Crise nas Infinitas Terras, o Planeta de Kilowog (Bolovax Vik) foi varrido da existência deixando-o como único sobrevivente de sua espécie, já que foi protegido da onda de destruição por seu anel. Um detalhe importante é que o anel, além de proteger Kilowog, foi também capaz de armazenar dentro de si, a essência de todos os bolovaxianos. Desta forma Kilowog sempre teve a esperança de um dia encontrar um novo planeta no qual poderia liberar a essência de seus compatriotas e assim restaurar seu lar. Após os eventos de Crise nas Infinitas Terras, Kilowog se alocou na Terra onde passou a viver e (incrivelmente) ser reconhecido pelos terráqueos como um herói, já que participara do salvamento de centenas de vidas durante um combate com o vilão Mão Negra. Nesta época Kilowog se envolveu profundamente com países do Bloco Comunista da época, dentre eles Rússia e China, uma vez que o herói se identificava com a ideologia. Após algumas decepções nestes países o herói participaria de uma importante missão nos confins do Universo, e foi durante esta missão que ele encontrou um Planeta para liberar a essência de seu povo. Kilowog foi ajudado por vários de seus amigos Lanternas Verdes até Terraformar um Mundo que pudesse receber aqueles que desde então estiveram presos dentro de seu anel.

Miniatura DC Especial Nº 12 - Kilowog

Todos os bolovaxianos foram revividos no novo Mundo escolhido por Kilowog, que experimentou, em êxtase, o reencontro com pessoas que há muito não via. Toda esta alegria, no entanto durou pouco, já que Sinestro (o Lanterna Renegado) em sua vilanesca vingança contra todos os Lanternas Verdes do Cosmo, simplesmente destruiu o Novo Mundo escolhido por Kilowog, junto com todos seus habitantes. Em um estado quase catatônico, Kilowog experimentou a insanidade ao saber que tudo estava realmente perdido agora. Este trauma só foi superado pelo herói graças a ajuda da Lanterna Verde Arísia. Foi nesta época que um Kilowog frustrado e sem esperanças voltou para a Terra e fez parte da Liga da Justiça, porém ocupando um estranho cargo (que ele mesmo escolheu), algo como um "faz-tudo" ou "zelador" de pequenos reparos na Mansão da Liga. Após este período o herói voltaria à Tropa dos Lanternas Verdes como treinador de novos recrutas, dividindo seu tempo entre a Tropa e a Liga.

Miniatura DC Especial Nº 12 - Kilowog

Kilowog ainda desempenharia um papel crucial dentro da epopeia de outro importante Lanterna Verde, Hal Jordan, talvez o mais conhecido e influente Lanterna da Terra que já viveu. Hal ficara insano por uma sequencia de acontecimentos envolvendo a destruição de sua cidade natal e a influência de um poderoso vilão, Paralax. Kilowog foi um dos últimos Lanternas a lutar contra um poderoso e enlouquecido Hal Jordan/Paralax, sendo morto durante este conflito. Este, no entanto não foi o fim do famoso bolovaxiano, já que seu heroico espírito pôde ser ressuscitado com a intervenção de diversos Lanternas Verdes. Kilowog atuou também em outra saga que ajdou a redefinir o futuro dos Lanternas Verdes, o arco A Noite Mais Densa de Geoff Johns publicado na década de 2000. Foi sua grande força e perspicácia que derrotou o agente das Trevas Nekron.

Miniatura DC Especial Nº 12 - Kilowog

Com um temperamento aparentemente rude e de poucos amigos, Kilowog é na verdade um herói com um enorme coração, além de uma sensibilidade singular. Se eu pudesse compara-lo com outro personagem no Mundos dos Quadrinhos eu o associaria à personalidade de Ben Grimm, o Coisa, membro do Quarteto Fantástico. Um herói que, assim como Kilowog, pode evocar estranheza em uma primeira impressão em função da aparência rude e diferente, no entanto possui um grande coração cheio de doçura.

Bom amigo... É isso aí! Um forte abraço á todos!!

sábado, 7 de outubro de 2017

Blade Runner - 2049


Lembranças guardadas com carinho são protegidas de forma aguerrida por todos nós... Seja ela de qualquer tipo. Blade Runner (EUA - 1982) foi um filme que passou despercebido à época de seu lançamento, ganhando status de cult (merecidamente) ao longo dos anos. Quem atingiu a idade da razão nos anos 80 fatalmente deve ter se chocado com este filme, que preencheu o imaginário de uma legião de pessoas que se viram encantadas com a forma com que questões tão profundas foram abordadas na obra. O que nos faz humanos? Para onde vão nossas memórias depois que tudo se acaba para nós? Como lidar com a finitude que nos cerca? Quando eu soube que esta obra iria ganhar uma sequência meu coração se encheu com duas grandes questões fortes e absolutamente antagônicas: 1º - Fiquei extremamente feliz em saber que veria este universo de Philip K. Dick novamente nas telas; 2º - Fiquei extremamente preocupado de que o novo filme poderia mexer com uma lembrança tão carinhosa e profunda para mim, alterando-a negativamente. Ontem finalmente me deparei com a resposta para estas duas questões.


Minhas impressões não poderiam ter sido melhores. O filme de 1982 trazia como grande diferencial um tom NOIR, bem como uma tristeza, melancolia e encantamento subjacentes à trama e que, nem por isso, era menos violenta. Meu grande medo era que o diretor de sua continuação (Blade Runner 2049), Denis Villenueve, deixasse de lado justamente aquilo que havia tornado cult o 1º filme. Meu medo era de que Villenueve cedesse às pressões de uma parcela da indústria cinematográfica que procura atender a sede de violência das grandes massas, e com isso diminuísse os elementos que davam sustentação ao 1º filme. Caso tivesse feito isto teríamos como produto final um filme descartável, que até teria uma bilheteria grandiosa, mas que logo seria esquecido. Isto aconteceu, por exemplo, recentemente com as refilmagens de clássicos com Ben Hur e O Vingador do Futuro.


Da forma como ficou, Blade Runner 2049 pode até receber algumas críticas (como já pude ver no YouTube) daqueles que não conseguem sobreviver a uma sessão de cinema sem ver violência gratuita e sem sentido, mas permanecerá como uma sequência digna. O caráter perene desta continuação está no foco que se dá, acertadamente, ao significado da existência humana a partir das memórias e lembranças que nos fazem quem somos. Talvez o que temos de mais corriqueiro dentro de nós, a saber, "nossas lembranças", "experiências" e "memórias", sejam no final o mais importante de nossa existência. E só é possível perceber isso quando as perdemos, ou então quando sabemos que tais memórias são apenas implantes. Que existem como maquiagem apenas para nos fazer pensar que somos especiais. Esta angústia é o combustível da revolta e tristeza de todo REPLICANTE (Androides fabricados pelos humanos). Seres que compartilham de tudo que somos, menos a percepção de serem verdadeiros, já que são produtos da Engenharia Biosintética.


O filme se passa em 2049, 30 anos após os acontecimentos vistos em Blade Runner de 1982. Acontecimentos importantes aconteceram ao longo destes 30 no Universo da obra. Estes acontecimentos são contados em 03 Curtas Metragens disponíveis no YouTube e que o fã pode ter acesso. O 1º chamado Black Out 2022, o 2º 2036: Nexus Dawn e o 3º  2048: Nowhere to Run. Os acontecimentos destes 03 curtas moldaram o Mundo na forma que o vemos em 2049. Os mesmos elementos do filme anterior estão presentes: a chuva ácida contínua, as ruas apinhadas de pessoas em contraponto à eventuais espaços grandes e vazios, edifícios decadentes e gigantescos, a ostensiva propaganda em todos os lugares (sobretudo de origem japonesa) e a estética cyberpunk que permeia a tudo, até mesmo as roupas dos indivíduos com suas capas transparentes, botas impermeáveis, guarda-chuvas, casacões e veículos blindados pesados e reforçados.


A fabricação da antiga geração de Androides Nexus 6, com seus números de série codificados nas células, foi extinta. As revoltas e problemas causados por esta geração foi o deflagrador de sua extinção. Os poucos modelos remanescentes desta cepa são agora caçados pelos dóceis, obedientes, mas não menos perigosos Nexus 8. A história se desenvolve ao redor do policial "K", personagem de Ryan Gosling. O oficial "K" fará uma descoberta logo no início do filme que precipitará toda a dinâmica da história. A narrativa faz por vezes o espectador tirar conclusões que depois se provam erradas, e isto é outro ponto positivo, por não tornar óbvia a evolução da trama.

Cena de Blade Runner - 1982

A trilha sonora de Hans ZimmerBenjamin Wallfisch segue as linhas melódicas de Vangelis do 1º longa. Já ouvi críticas dizendo que Zimmer e Wallfisch não conseguiram superar Vangelis no quesito trilha sonora. No entanto, este não é um ponto negativo, mas positivo. Os músicos parecem respeitar a obra de Vangelis ao ponto de segui-la, mas (propositalmente) não supera-la. Não há motivo para isto. Minha admiração por Zimmer (autor da belíssima trilha de Interestelar) aumentou depois de Blade Runner 2049. Harrison Ford revive o personagem Rick Deckard do 1º filme, agora com o peso dos 30 anos que se passaram. A densidade alcançada com a presença de Ford/Deackard é palpável, pois percebe-se claramente os segredos que ele guarda a respeito da história. Fiquei contente com o fato de não tentarem tornar o personagem de Ryan Gosling ("K") em um novo Deackard. Teria sido um erro caso tivessem tentado. Nos trailers pareceu-me que isso ia acontecer.


As paisagens fora das cidades são novidades em relação ao filme de 1982. A desolação e melancolia de espaços outrora cheios de vida são impactantes. Não se pode deixar de ressaltar a presença da areia. Algo que parece engolir a tudo. Isto fatalmente nos leva diretamente a outra obra seminal de Ficção Científica: Duna de Frank Herbert. Caso você vá assistir a Blade Runner 2049 eu sugiro que vá de mente aberta. Vá com a mente sensível a mensagens subliminares e subtextos. Ciente de que muito do que é dito no filme está no silêncio, e não nas falas.


Por fim... Vá com a percepção de que milagres existem...

domingo, 24 de setembro de 2017

Miniatura DC Nº 26 - Ra´s al Ghul

Miniatura DC Nº 26 - Ra´s al Ghul

Ra´s al Ghul foi criado pelas brilhantes mentes de Neal Adams e Dennis O´Neil (a mesma dupla que conduziu a aclamada série do Arqueiro e Lanterna Verde nos anos 70) em 1971. A reputação do personagem foi crescendo ao longo dos anos à medida em que um pouco mais de sua misteriosa origem e objetivos foram sendo aos poucos apresentados. Dono de um intelecto incrível e de uma visão apaixonada e violenta de seus ideais, Ra´s al Ghul é sem dúvida um vilão complexo e à altura do Homem-Morcego. Sua mente prodigiosa veio preencher uma lacuna na galeria de vilões do Cruzado Encapuzado, que até então fora construída quase que predominantemente por vilões com mentes perturbadas e doentes. Aqui, Batman foi testado quase que até seu limite, não apenas física e intelectualmente, mas também emocionalmente, já que foi com a filha de al Ghul que Bruce Wayne teve seu filho Damian.

Miniatura DC Nº 26 - Ra´s al Ghul

Ra´s al Ghul foi bem representado na Coleção de Miniaturas DC Eaglemoss. Ele aparece em um postura tradicionalmente vilanesca e com seu traje tradicional que evoca a figura do "Barão", "Duque" ou "Conde". Ao mesmo tempo há interessantes detalhes em seu traje que faz relação direta com o Oriente Médio, sua terra de origem. Podemos identificar mangas largas em sua camisa, que também possui uma abertura na altura do peito lembrando muito bem trajes usados no Oriente. Além é claro de detalhes em amarelo (ouro) nas mangas e orla do manto. A própria cor predominante do manto e camisa nos arremete à bandeira da Arábia Saudita, um verde vivo e inconfundível. Com este visual Ra´s al Ghul compõe uma mistura de "Conde" Europeu e Líder Messiânico Árabe.

Miniatura DC Nº 26 - Ra´s al Ghul

Seguindo o padrão da coleção, o manto do personagem está muito bem modelado, expressando ao mesmo tempo suas ondulações e uma ideia de ser pesado, tal qual um manto cerimonial e imprerial deve ser. Achei muito interessante terem conseguido chegar ao tom diferenciado de pele na peça. Ra´s é do Oriente e, apesar de não ser possível precisar sua origem exata (pode-se muito bem associa-la aos Persas ou aos povos da Península Arábica - Arábia Saudita, Iêmen, Jordânia e Oman), este fato o diferencia em hábitos, visão de Mundo e cor de pele, e é para este último detalhe que chamo atenção na peça. Vemos uma cor de pele diferente do tradicional rosa salmão dos caucasianos (Europeus) e dos negros Africanos. Neste quesito al Ghul está em posição de destaque dentro da coleção, ao possuir este interessante diferencial. A face do personagem, com seu bigode longo, olhos claros e cabeleira farta porém grisalha na lateral, dá o tom necessário para o associarmos à uma certa sabedoria, dramaticidade e profundidade interior.

Miniatura DC Nº 26 - Ra´s al Ghul

A origem de al Ghul é imprecisa, no entanto especulações o colocam como um homem que nasceu no Oriente Médio há 06 séculos, ou seja, no Século 15 (algo entre os anos de 1400 e 1500). Ele teria nascido junto à uma tribo de nômades do deserto. Ainda jovem, al Ghul abandonou sua tribo para buscar conhecimento e aprofundar-se nos mistérios da vida. Nesta busca ele descobriu o que viria a ser sua fonte de "imortalidade", o Poço de Lázaro, uma fonte que traz rejuvenescimento a quem nela adentra. Como efeito colateral, no entanto a fonte traria insanidade temporária. Por ser ainda jovem, Ra´s al Ghul partilhou este segredo com um Príncipe de uma cidade na qual vivia. O Príncipe foi o 1º a acessar a fonte, o que trouxe demência e loucura para ele, levando-o a cometer assassinato. A culpa, no entanto recaiu sobre al Ghul que fugiu para o deserto, se organizou junto à sua tribo e massacrou à todos na cidade que o acusara. Este 1º ato de violência de al Ghul daria o tom de sua personalidade para o resto de sua vida.

Miniatura DC Nº 26 - Ra´s al Ghul

Beneficiando-se dos efeitos do Poço de Lázaro, al Ghul se tornou em excelente espadachim e um lutador versado em diversos tipos de combate. Ele participou como guerreiro em Guerras e Eventos-chave na história da humanidade, tais como a avassaladora Campanha Militar de Napoleão Bonaparte e Revolução Francesa. Mas toda a expertise que acumulou ao longo do tempo daria ao imortal Ra´s a possibilidade de fundar uma organização terrorista chamada "Demônio", sendo um de seus desdobramentos a chamada "Liga dos Assassinos". Nesta trajetória beligerante ele teve duas filhas, a 1ª chamada Nyssa, e a 2ª Tália. O primeiro embate entre Ra´s al Ghul e Batman envolveu justamente Tália. Determinado a encontrar o par perfeito para sua filha e assim um herdeiro digno e à altura de sí, al Ghul percorreu o globo e encontrou o Batman. Alguém que possuía a determinação e coragem que serviria a al Ghul. Aliás, determinar a identidade secreta do Cavaleiro de Gotham não foi problema para al Ghul, que por simples dedução chegou à Bruce Wayne.

Miniatura DC Nº 26 - Ra´s al Ghul

É difícil compreender os objetivos de Ra´s al Ghul. Sabemos que ele possui amor pela vida e pela natureza. Ao longo dos séculos, no entanto ao ver a humanidade se lançar de forma tão voraz em suas Guerras e contra a natureza, ele percebeu o quão letal o homem pode ser. Isto construiu dentro dele uma visão negativa e violenta contra o homem. Hoje poderíamos dizer que o objetivo de al Ghul seria extirpar da Terra o que ele considera como seu "câncer", ou seja, a raça humana. E foi neste contexto que os objetivos dele e de Batman se chocaram. Embora Bruce possui-se afeição e amor por Tália, ele não pôde deixar de rejeita-la frente aos objetivos de al Ghul (muito embora Bruce e Tália tenham sim desenvolvido um romance escondido por muito tempo). Os confrontos entre Batman e Ra´s al Ghul sempre foram brutais e violentos, envolvendo ameaças incríveis contra a raça humana. Foi também contra al Gul que Batman precisou usar sua perspicácia e astúcia como nunca antes usara, sendo estas histórias as que serviram para os autores trabalharem seu perfil detetivesco.

Miniatura DC Nº 26 - Ra´s al Ghul

Damian Wayne nasceu do relacionamento entre Bruce e Tália, porém Batman soube de sua existência quando o menino já era um adolescente. Criado pela mãe e sob o treinamento da Liga dos Assassinos, Damian possui personalidade selvagem e difícil. Hoje ele vive com Batman e é o Robin que temos visto aparecer nos quadrinhos e animações da DC. O avô, Ra´s al Ghul é um vilão muito bom e complexo. Tal qual um Doutor Destino da Marvel, ele carrega conceitos de justiça, lealdade e moral dentro de si. Isto o torna mais difícil de ser decifrado, sobretudo pelo fato de administrar uma causa que muitos se identificam, ou seja, o combate ao efeito negativo da humanidade sobre a criação. Não à toa podemos associa-lo facilmente a personagens ficcionais famosos, como por exemplo Robur, O Conquistador e o Capitão Nemo, ambos de Júlio Verne. Homens que sofreram tragédias e perceberam a crueldade do homem, tornando-se reclusos e com planos de trazer a humanidade à razão, mesmo que seja a força.

Miniatura DC Nº 26 - Ra´s al Ghul

Em minha opinião as histórias envolvendo Ra´s al Ghul devem ser sempre mais associadas à questões dramáticas, do que simplesmente um combate entre "mocinho" e "bandido". Isto coloca o ideal super-heroico em cheque, já que expande o Universo muitas vezes parcial e inflexível do herói.

É isso aí amigos! Deixo um forte abraço à todos!

domingo, 17 de setembro de 2017

O Eternauta


Angustiante, claustrofóbico, sem oferecer quaisquer concessões a seus personagens ou aos desfechos da narrativa, O Eternauta é uma história de ficção científica publicada entre 1957 e 1959. Incrivelmente inteligente, sem clichês e com um final elegante e surpreendente, que oferece inclusive a explicação do que aconteceria se eu voltasse ao passado para encontrar a mim mesmo, O Eternauta estava à frente de seu tempo em 1959 e poso garantir (como alguém que leu muita ficção científica) está também à frente do nosso tempo. A obra foi escrita por Héctor Germán Oesterheld e desenhada pelo fantástico Francisco Solano López, ambos Argentinos. Não posso escrever sobre O Eternauta sem deixar registrado rapidamente em um parágrafo a trágica história do autor Héctor G. Oesterheld. A humanidade deve isso a ele.

Héctor G. Oesterheld e Família - Quase todos assassinados

Em 1976 o General Jorge Rafael Videla chefiou o Golpe Militar na Argentina que depôs a Presidente Isabel Perón. Neste ano, Oesterheld já havia publicado O Eternatuta há muito tempo e se aproximara da resistência política contra o regime ditatorial de Videla. No dia 27 de Abril de 1977 haveria uma reunião da resistência que fora descoberta pelos soldados de Videla. Todos os participantes foram avisados para não ir, menos Héctor, que apareceu no local marcado e foi preso. Todos acharam que Héctor iria delatar os companheiros sob tortura, mas isso nunca aconteceu. Mesmo os leitores nunca ficaram sabendo do desaparecimento de Héctor. As 04 filhas de Héctor (Estela Inés, Diana Irene, Beatriz Mara e Marina) também haviam optado pela resistência política e viviam na clandestinidade. A caçula Marina foi a primeira a ser assassinada pelo regime e a única que Elsa, esposa de Héctor, conseguiu enterrar. Depois do assassinato de Marina, foram assassinadas (também por Videla) Diana, na época grávida do 2º filho, e seu marido. Logo após foi a vez de Beatriz ser assassinada, também grávida (de 8 meses). A filha mais velha (Estela) foi a última a morrer junto com o marido, também assassinados. Héctor foi assassinado por último, possivelmente para que soubesse que sua família havia sido praticamente dizimada. Elsa, sua esposa conseguiu criar 01 neto (Martín), filho de Estela, e encontrou no neto a força para entrar no movimento de resistência Abuelas de Mayo (Avós de Maio), união das avós dos desaparecidos durante o regime de Videla. O regime do sanguinário Videla perdurou até 1983. A história de Héctor G. Oesterheld precisa ser conhecida e propagada para que coisas assim não voltem a acontecer.

Héctor Germán Oesterheld

O Eternauta deve ser lido não em função do sacrifício de Héctor, mas porque a obra tem brilho próprio. E que brilho!! É difícil imaginar que alguém em 1959 tenha imaginado uma história tão claustrofóbica, real, contemporânea e angustiante como O Eternauta. Embora descreva um fenômeno mundial, a história consegue manter o foco em apenas alguns personagens: Juan Salvo (O Eternauta do título), Elena e Martita Salvo (esposa e filhinha de Juan), René Favalli, Alberto Franco, Pablo Ledesma e Ruperto Mosca. A história é narrada por Juan (O Eternauta) ao próprio roteirista (Héctor G. Oesterheld) e, portanto o leitor sabe que o desfecho da história envolverá, possivelmente, muita dor.


Na história, um grande e terrível acontecimento rouba da humanidade qualquer esperança de se perpetuar como espécie na Terra. Um evento que em seu início já produz milhares de mortes. Os poucos que sobram precisam lidar com questões práticas como sobreviver, se alimentar e tentar descobrir quem são os responsáveis por tamanha agressão à nossa raça. A partir daí o autor começa a aumentar a ação que, em vários momentos coloca os personagens principais em situações literalmente inescapáveis. Mas mesmo quando escapam há um custo, e este é um dos brilhantismos do autor, ou seja, qualquer coisa que nos acontece nos muda, tem um preço e nos rouba algo.


Portanto, se você espera ver uma história de saídas fáceis, como se você já imaginasse para onde a história iria, não é o caso aqui. As saídas para os personagens os colocam dentro de situações e cenários até piores que os iniciais. Por ser uma obra escrita em 1959, a forma com que os personagens se tratam é diferente da atual. Não espere por palavrões e expressões de baixo calão. É necessário que entendamos como livros, revistas e a mídia em geral se expressava na época. Na verdade a ausência destas coisas (palavrões e desrespeitos entre as pessoas) não faz absolutamente falta nenhuma. Isto evidencia como este expediente muito em voga hoje em dia (dar relevância à uma obra a partir da quantidade de sangue, palavrões e desrespeitos) é na verdade uma forma de encobrir a falta de talento do roteirista.

A Tomada do Estágio do River Plate

Héctor Oesterheld fez questão de situar a ação em O Eternauta em ruas, praças e monumentos da Grande Buenos Aires. Isto fez com que os leitores da época e das décadas seguintes se familiarizassem e desenvolvessem grande apresso por ela. Atualmente O Eternauta é um clássico dos Quadrinhos Argentinos e, na minha opinião, dos quadrinhos mundiais. Ao ambientar a obra em lugares conhecidos, o autor faz com que o leitor entenda a angústia dos personagens que há pouco  passeavam por aqueles mesmos lugares vivendo suas vidas, e hoje tudo aparece devastado. Outro efeito no leitor é que, sem querer, ele começa a imaginar os lugares que conhece totalmente devastados, tal é a atmosfera que o autor dá às ações. Apesar de não morarmos em Buenos Aires e não conhecermos muitos dos locais mencionados, as reflexões dos personagens nos colocam no mesmo lugar que eles, imaginando a angústia caso acontecesse a mesma história onde moramos.


A arte de Francisco Solano López é perfeita para o clima onírico e de fantasia que se instaura na mente das pessoas envolvidas na história. É impressionante o controle narrativo de López, que consegue expressar nas imagens a fluidez do texto de Oesterheld. Não posso deixar de mencionar coisas que me surpreenderam ao ler a história. Uma delas foi a aparência dos "Gurbos", criaturas que se revelaram em um determinado momento da obra e que, se o leitor observar de perto, é muito parecido com as gigantescas máquinas de 04 patas vistas em Star Wars. Só que com um detalhe, O Eternauta foi escrito duas décadas antes da estreia de Star Wars, ou seja, podemos muito bem ver que muitos beberam na fonte inspiradora que é O Eternauta.


No Brasil não temos (pelo menos que eu conheça) precedente narrativo como o visto em O Eternauta, infelizmente. Carecemos de uma epopeia como essa. É difícil saber o porque e talvez eu não tenha conhecimento nem credencial para supor o porque o Brasil nunca ousou realizar uma obra desta envergadura. Os Argentinos se orgulham muito de O Eternauta. No Bairro de Puerto Madero em Buenos Aires é possível se deparar com a Estátua de Juan Salvo trajado como O Eternauta. Puerto Madero é um bairro que possui lugar importante na história, e nada mais justo do que situa-la ali.

Estátua de O Eternauta em Buenos Aieres - Fonte: http://www.diariodecultura.com.ar/

O desalento no olhar de Juan Salvo - Estátua em Puerto Madero - Buenos Aires

Placa aos pés da Estátua - Fonte: http://ceaa.blogspot.com.br/

Quando Héctor G. Oesterheld foi preso em 1977, chegava às livrarias O Eternauta 2. Volume escrito e desenhado novamente pelos parceiros Oesterhel e López. Héctor não veria a continuação de sua obra chegar às livrarias, pois já estava preso e sendo torturado. Na época, na Europa, alguns roteiristas tentaram fazer alguma coisa por ele, mas sem sucesso. O regime de Videla foi eficiente em manter muitos Argentinos à margem do que acontecia nos porões de seu país. Ainda mais depois que, em 1978, a Argentina sagrava-se campeã da Copa do Mundo de Futebol. No Brasil a obra era inédita em sua versão completa até que, em 2012, a Editora Martins Fontes lançou a obra original, bem como sua continuação. O Eternauta 1 e 2 ainda podem ser encontrados em vários locais no Brasil, inclusive na Amazon Brasil.


O 1º volume de O Eternauta possui um dos finais mais interessantes que já li. Não vou conta-lo aqui, mas saiba que você não consegue saber nem antever o desfecho da História mesmo faltando 01 página para o final. E o mais interessante: este final não decepciona!! Em apenas 01 página Héctor consegue dar um encaminhamento na história que é perfeito!! Você não se decepcionará também.

É isso amigos! Espero em breve trazer uma outra matéria abordando o volume 2 de O Eternauta. Forte abraço!
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