quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Superman de Geoff Johns & Gary Frank


Olá amigos... Seguindo a linha editorial de comentar boas/ótimas HQs lançadas no Brasil nos últimos tempos eu gostaria de focar hoje nos 03 encadernados já lançados em nosso país trazendo o trabalho de Geoff Johns (roteiro) e Gary Frank (desenhos) junto ao Homem de Aço. Em tempos em que tanto se fala em atualizar o Superman para novas gerações, em torna-lo relevante e atraente para novos leitores este trabalho merece todo respeito por justamente focar os atributos originais do último filho de Krypton, respeitando aspectos que (alguns) julgam já ultrapassados. Dentre eles (por exemplo) a maneira correta, linear e sem tons de cinza de enxergar o Mundo de Kal-El. Geoff Johns mostra que, quando bem escrito, não importa os poderes ou motivações (simplistas ou complexas) de um herói, ou seja, se bem escrito ele sempre será relevante.

Lançamento no Brasil - 2013

Lançado aqui no Brasil depois do Reboot da DC, "Superman - Origem Secreta" parecia apenas um bem sucedido laboratório em que Geoff Johns pretendia desenvolver suas ideias a respeito do herói. Mesmo neste início, a arte de Gary Frank já sinalizava para uma grande epopeia envolvendo o Super, no entanto ficava difícil para qualquer leitor situar os conceitos tradicionais abordados por Johns naquela época frente a conjuntura de renovação que pairava sobre o Universo da DC com a chegada dos Novos 52. Li este encadernado à época de seu lançamento já com a triste sensação de se ler um material muito bom, porém fadado à interrupção em função das mudanças editoriais impostas naquela época. Um toque todo especial era a caracterização do Superman com os traços do ator Christopher Reeve, o eterno Superman dos cinemas e astro do filme de 1978.


Quem assistiu ao filme de 1978 não deixará de curtir o clima colegial no qual Clark Kent vivia em seus primeiros anos na fazenda Kent. Um clima diferente daquele mostrado em Smallville. Com uma história envolvente, "Origem Secreta" traz o Homem de Aço para nossos tempos sem aviltar em nada sua mitologia.

Lançamento no Brasil - 2014

Minha surpresa veio em 2014 com a continuidade desta linha de tempo com o lançamento de "Superman - E a Legião dos Super-heróis". Para quem não conhece muito o cânone do herói, a Legião dos Super-heróis é um grupo de heróis adolescentes do futuro que teve uma participação muito importante na formação da personalidade de Kal-El. Nesta aventura, todos já crescidos voltam para abordar um Superman já adulto que se vê envolvido em uma batalha cósmica no futuro junto aos seus parceiros (agora crescidos) da Legião.


Um dos grandes pontos altos da história é se deparar com uma grande quantidade de heróis integrantes da Legião dos Super-heróis e perceber que todos tem seu papel e são super interessantes!! Um dos grandes riscos de se fazer histórias com uma quantidade muito grande de heróis é que muitos escritores acabam por pulverizar a importância de cada um deles em meio ao todo. Como resultado disto o que se tem é um time gigante de heróis em que se tem tudo, e na verdade não se tem nada. O brilho de cada personagem se esvai. Porém, não é o que acontece nesta saga cósmica. Cada personagem novo da Legião que é apresentado ao longo da trama é cheio de significados e possui sua importância dentro da narrativa. Fora que a história em si é muito interessante ao mostrar no que um símbolo pode se tornar!

Lançamento no Brasil - 2015

Por fim, deparei-me, recentemente com mais um lançamento seguindo a linha estabelecida por Johns e Frank, "Superman: Brainiac". O que era para ser mais uma leitura agradável tornou-se, no entanto a leitura de uma "EXCELENTE" HQ. Um Superman já estabelecido, atuante e casado com Lois Lane se vê agora diante de uma ameaça crível, letal e por incrível que pareça, realmente amedrontadora. Sempre achei Superman um personagem difícil de se trabalhar tendo em vista a necessidade de se criar vilões à sua altura. Nem sempre isso aconteceu, banalizando as ações deste que é quase um deus entre os homens. Aqui, Brainiac é realmente este vilão que, mais do que poder físico, possui uma maldade da pior espécie, aquela em que o vilão não tem nenhum remorso e, tal qual um psicopata, ele parasita pessoas e Mundos.


Johns mostra que há mais de uma forma de se atingir alguém que detém um poder ilimitado, e Superman perceberá isso na própria pele. Não há muito o que se falar desta história sem deixar um rastro de spoiler, por isso minha mensagem aqui é que a leitura destes 03 encadernados se completam e trazem um painel atual do personagem, sem no entanto abrir mão de suas bases mitológicas, como eu disse no início da matéria.


Reforço aqui meu conselho de se deter um pouco à cada página de cada encadernado para absorver a incrível arte de Gary Frank. Uma arte que, além de muito boa nas ambientações, consegue trazer alma e expressões aos personagens retratados. 

Bom amigos...  É isso aí! Aqui foi mais uma dica do Blog. Grande abraço à todos!

sábado, 24 de outubro de 2015

Curso "Mario Bava - O Maestro do Macabro"... Agora em São Paulo!


Olá amigos! Recentemente conversamos aqui no Blog sobre o incrível trabalho que a Versátil Home Vídeo vem fazendo ao lançar em nosso país clássicos do cinema com uma qualidade e atenção com os fãs ímpares!! Um trabalho que resgata e apresenta às novas gerações um acervo com grandes clássicos que vão do Noir à Sci-fi, passando pelo Faroeste, Terror, bem como leituras específicas sobre alguns grande mestres do cinema. Um dos diretores revisitados no acervo de lançamentos da Versátil é Mario Bava, um gênio do cinema de terror/horror que soube como ninguém se utilizar da estética visual para valorizar e emoldurar suas narrativas. Assistir à um filme de Bava é experimentar uma experiência visual ímpar. Dito isto tenho o prazer de informar que agora teremos em São Paulo (SP) a oportunidade de participar de um curso ministrado por Fernando Brito (curador da Versátil) que traçará um incrível painel sobre a obra do gênio Bava!!

Mario Bava
Promovido pela CINE UM, uma produtora cultural especializada na realização de cursos livres de cinema e televisão, o Curso Mario Bava - O Maestro do Macabro acontecerá nos próximos dias 17 e 18 de novembro, terça e quinta das 19:00 às 22:00 no Espaço Maestro (Rua Maestro Cardim, Nº 1170, Bairro Paraíso, São Paulo - SP). Com um conteúdo diversificado, Fernando Brito falará (conforme programação divulgada no Site Oficial do Evento) sobre os primórdios da carreira do Mestre Bava e de obras pertencentes às suas duas décadas de grande produção. Poderemos entrar em contato com suas origens, formação e primeiros trabalhos como diretor de fotografia e técnico de efeitos especiais, passando pelas suas obras máximas nos anos 60 e 70.


Na esteira dos lançamentos da Versátil, o Curso Mario Bava: O Maestro do Macabro já foi ministrado anteriormente em Porto Alegre e já constrói uma trajetória importante de resgate e apresentação das obras de Bava. Elegantes, cheio de nuances visuais e de um charme todo particular, seus filmes não apenas possuem uma narrativa diferenciada como são reflexo de um gênero que conseguiu transcender o injusto rótulo "marginal" que os filmes de terror acabaram por possuir. 


Os interessados podem realizar sua inscrição pelo Site Oficial do Evento. Espero encontra-los por lá! Um grande abraço à todos!!

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss - Lista de Lançamentos - Atualizada - Junho/2017!!

Nº 01 - Batman: Silêncio - Parte 1; Nº 02 - Batman: Silêncio - Parte 2; Nº 03 - Superman: O Último Filho; Nº 04 - Liga da Justiça: Torre de BabelNº 05 - Superman - Batman: Inimigos Públicos; Nº 06 - Batman: O Longo Dia das Bruxas - Parte 1; 07 - Batman: O Longo Dia das Bruxas - Parte 2; 08 - Superman: O Homem de Aço.

Bem amigos... Depois de um tempo relativamente longo de espera, eis que uma das coleções mais esperadas de Graphic Novels chega definitivamente às bancas e livrarias de nosso país. Completando o time ao lado de outras duas coleções da Editora Salvat, a Coleção de Graphic Novels - Os Heróis Mais Poderosos da Marvel - 2015 (Capa Vermelha) e a Coleção Oficial de Graphic Novels Salvat - 2013 (Capa Preta), esta coleção da Eaglemoss vem trazer à todos nós sagas e arcos considerados importantes na mitologia dos grandes heróis e super-grupos da DC. Lançada a partir de um possível acordo com a PANINI (Editora que detém os direitos de publicação destes personagens no Brasil) esta coleção possui alguns atrativos que, embora sejam parecidos com aqueles vistos nas suas duas contra-partes da Salvat, estão aqui aprimorados em minha opinião.

Nº 09 - Liga da Justiça da América: Ano Um - Parte 1Nº 10 - Liga da Justiça da América: Ano Um - Parte 2; Nº 11 - Batman: Morte em Família; Nº 12 - Lex Luthor: O Homem de Aço; Nº 13 - Liga da Justiça da América: Terra 2Nº 14 - Superman/Batman: SupergirlNº 15 - Batman: O Nascimento do Demônio - Parte 1; Nº 16 - Batman: O Nascimento do Demônio - Parte 2.

Diferentemente das coleções da Salvat, a da Eaglemoss conta com um sistema de assinatura, o que não podemos deixar de reconhecer que é um diferencial. Outro ponto que me pareceu digno de menção positiva é o acabamento de cada encadernado que conta com uma capa brilhante e não fosca como os da Salvat. A estrutura de cada volume obedece uma apresentação interessante e já adotada pelos encadernados das coleções da Marvel/Salvat, porém aqui pareceu-me melhorada. Além de contar com a aventura principal do personagem/grupo, a aventura extra do volume traz quadrinhos clássicos da Era de Ouro ou Prata que incluem: 1) a 1ª aparição de personagens emblemáticos como Batman e Superman; 2) origens de determinados personagens (sejam eles heróis ou vilões); 3) as primeiras parcerias entre heróis; e 4) alguns momentos importantes de suas vidas. Ou seja, em minha opinião a reapresentação da trajetória clássica dos personagens foi expandida dentro desta coleção, trazendo material histórico mais amplo e raro da editora.

Nº 17 - Mulher-Maravilha: O Círculo; Nº 18 - Superman: Brainiac; Nº 19 - Liga da Justiça da América: O Prego; Nº 20 - Os Novos Titãs: O Contrato de Judas;  Nº 21 - Mulher-Maravilha, Batman e Superman: Trindade; Nº 22 - Mulher-Gato: Um Crime Perfeito; Nº 23 - Mulher-Gato: A Trilha da Mulher-Gato; Nº 24 - Superman: A Morte do Superman.

Além disso, cada história, seja ela a história-título ou a extra, são precedidas de uma explicação que a situa dentro de um contexto, permitindo uma maior compreensão para o leitor jovem e mesmo para aquele mais experiente. Por fim, outro atrativo ímpar é a arte da lombada de ninguém menos que Alex Ross. A decisão de lançar os volumes já com a arte da lombada coincidente e na sequencia (algo já adotado também na coleção de capa vermelha da Salvat) é a mais acertada, pois permite ao fã a apreciação do painel já em seus volumes iniciais. Soma-se a isso a possibilidade de se detectar qualquer problema relacionado à justaposição de cada lombada já de início, evitando ter que se esperar os números vindouros para se ter uma ideia se a arte está ou não coincidindo entre cada edição. Erros ortográficos precisam ser evitados a todo custo, já que o fã se sente extremamente ofendido ao comprar um material tão belo com erros ortográficos grosseiros tal qual ocorreu com alguns números da Coleção de Capa Vermelha da Salvat.

Nº 25 - Lobo: Sem LimitesNº 26 - Mulher-Maravilha: Paraíso Perdido; Nº 27 - Liga da Justiça: Justiça - Parte 1Nº 28 - Liga da Justiça: Justiça - Parte 2; Nº 29 - Superman e Batman: Poder Absoluto; Nº 30 - Lanterna Verde: Crepúsculo Esmeralda/Novo Amanhecer; Nº 31 - Arlequina - Prelúdios e Trocadilhos; Nº 32 - Arqueiro Verde: O Espírito da Flecha - Parte 1.

Nº 33 Arqueiro Verde: O Espírito da Flecha - Parte 2; Nº 34 Batman: O Homem que Ri & Asilo Arkham; Nº 35 - DC - A Nova Fronteira - Parte 1; Nº 36 - DC - A Nova Fronteira - Parte 2; Nº 37 - Superman e Batman: Vingança Máxima!; Nº 38 - Mulher-Maravilha: Deuses e Mortais; Nº 39 Batman: Estranhas Aparições; Nº 40 - Superman e Batman: Inimigos Entre Nós.

Nº 41 - Arqueiro Verde - Ano Um; Nº 42 Batman: Sina Macabra.

Bem amigos... Manterei os lançamentos atualizados aqui para que possam servir de consulta a todos nós! Sem dúvida nenhuma vivemos uma época ímpar para qualquer colecionador de quadrinhos, com tantas sagas Marvel e DC lançadas em coleções incríveis. É isso aí! Grande abraço à todos!!

sábado, 17 de outubro de 2015

Miniatura DC Nº 19 - Ravena

Miniatura DC Nº 19 - Ravena

Princesa, bruxa, benigna, maligna, sensível, selvagem, linda e ao mesmo tempo terrível... Todos estes adjetivos antagônicos fazem parte desta complexa personagem fundadora de uma das equipes mais conhecidas do Universo DC: Os Novos Titãs. Por ser portadora de luz e de caos, Ravena é uma anti-heroína que preenche todos os pré-requisitos contemporâneos de um personagem relevante nos quadrinhos hoje. Por isso é atual e cheia de potencial para viver grandes histórias. Por ter sua mitologia totalmente ligada aos Novos Titãs, Ravena ainda não conseguiu alçar uma carreira solo independente dentro da editora, porém tem toda prerrogativa dramática para isso. Hoje veremos um pouco das características de sua peça dentro da Coleção de Miniaturas de Metal da DC, bem como um pouco de sua sombria história.

Miniatura DC Nº 19 - Ravena

A peça seria apenas mais uma representação de uma das heroínas da DC dentro da coleção não fosse a forma como conceberam a pequena estatueta. Dois elementos chamam atenção logo de cara, sua grossa e esvoaçante capa, bem como seu escultural corpo. Talvez a mais tradicional imagem de Ravena seja aquela em que a personagem aparece de pé, com o capuz escondendo sua face e seu manto em repouso escondendo completamente seu corpo. Embora mais assustadora, esta não foi a postura escolhida para retrata-la dentro da coleção. O que acho que foi bom, pois assim a personagem é mostrada em toda sua exuberância, aproximando-se da lendária figura de uma princesa/bruxa de um contro de fadas.

Miniatura DC Nº 19 - Ravena

Como o próprio nome "RAVENA" propõe (Raven = Corvo em inglês), toda indumentária da personagem emula o aspecto do temível e agourento pássaro tão conhecido de contos e de histórias de terror. O capuz da personagem nos lembra de forma contundente este fato, imprimindo no subconsciente do fã a ideia de alguém que traz consigo uma sina ou maldição. É por isso que a criação de um personagem não é algo tão simples, pois exige a percepção do imaginário coletivo a respeito de alguma coisa. E é por isso também que devemos dar todo o crédito aos criadores de personagens emblemáticos de sucesso dentro da 9ª Arte. O criador deve conseguir catalisar e ideia original por trás do conceito que está criando. Nesse sentido Ravena converge totalmente em seu visual para a pessoa que ela é. Outro ponto que não posso deixar de salientar é a adequada modelagem da face da personagem. Um quesito que muitas vezes deixou a desejar, sobretudo na Coleção de Miniaturas da Marvel.

Miniatura DC Nº 19 - Ravena

Ravena possui uma sombria história pessoal. Ângela Roth, mãe de Ravena foi envolvida inadvertidamente em um culto satânico e, enganada por todos, acabou por servir de concubina ao demônio Trigon (ao melhor estilo de "O Bebê de Rosemary" de Roman Polansky). Após descobrir o terrível destino que lhe estava destinado, Ângela quase enlouqueceu e, como se não bastasse, descobriu que estava grávida do Trigon. Seu destino só não foi pior em função da intervenção de um benevolente grupo de sacerdotisas do Mundo de Azurath. Assim, Ravena nasceu no ambiente interdimensional de Azurath e Ângela, agora renomeada de Arella (para que Trigon não pudesse encontra-la), passou a viver naquele local com a filha. A relação entre Ravena e a mãe foi mínima, uma vez que sua educação e crescimento foi delegado totalmente à Azur, sacerdotisa líder daquele local, sendo que Arella (mãe de Ravena) a via apenas esporadicamente.

Miniatura DC Nº 19 - Ravena

Ravena viveu em Azurath sem conseguir desenvolver suas emoções como acontece com toda garota normal. Por isso, quando ela veio ao plano terrestre este fato traria grandes dificuldades para a moça. O evento que exigiu a vinda de Ravena para nosso plano foi a tentativa de invasão de Trigon ao nosso mundo. Detentora de incríveis poderes místicos, Ravena buscou inicialmente o auxílio da Liga da Justiça da América (LJA) para lidar com o pai. Sem sucesso, ela se dirigiu à equipe formada por ajudantes dos heróis seniores da LJA. Infiltrando-se nos sonhos de Robin (Asa-Noturna), Kid-Flash e Moça-Maravilha, Ravena sugestionou os heróis a se juntarem a ela para deter o pai. Assim, não tardou para que outros heróis adolescentes, à procura de auto-afirmação, se juntassem a equipe, dentre eles Mutano, Estelar e Cyborg. Com a derrota de Trigon, a equipe Titã, agora Novos Titãs, estaria pronta para buscar seu destino em meio às demais equipes de Super-heróis.

Miniatura DC Nº 19 - Ravena

E foi isso que aconteceu quando os Novos Titãs ganharam histórias escritas e desenhadas por Marv Wolfman e George Pérez, respectivamente, na década de 80. De repente uma equipe de heróis mirins ganhava status de equipe adulta vivendo aventuras difíceis até mesmo para a LJA. Ravena sofreria muito ao longo de todas estas histórias, chegando inclusive a perder a batalha para o seu lado demoníaco, transformando-se em um verdadeiro arauto para seu pai, servindo-o em seu propósitos malignos. Isso inclusive resultaria em sua morte, libertando-a definitivamente de seu lado obscuro, tendo agora seu espírito livre dos laços de sangue herdados de seu pai. Porém, como sempre acontece nos quadrinhos, Ravena seria descoberta ainda viva, vivendo na Louisina. A partir daí Ravena protagonizaria uma grande saga envolvendo o personagem Irmão-Sangue, um vilão cujo maior objetivo era se utilizar dos poderes de Ravena para dominar o Mundo.

Miniatura DC Nº 19 - Ravena

Usada e ludibriada em várias fases de sua vida, Ravena nunca conseguiu desenvolver-se totalmente sua personalidade humana, mesmo após conflituosos relacionamentos com Wally West (na época o Kid-Flash) e posteriormente com Mutano. A tortura emocional, a angústia e a sensação de inadequação está no DNA da personagem desde sua concepção, e os roteiristas parecem não querer afasta-la deste mundo de tormento pessoal, pois é justamente esta característica que a torna obscura, sensível, brutal e ao mesmo tempo terna. Mesmo nas animações da DC em que ela é retratada, seja para um público mais adulto ou mais infantil, Ravena está sempre ali como uma pessoa diferente, estranha e que exerce fascínio e repulsa nas pessoas ao seu redor.

Miniatura DC Nº 19 - Ravena

Ravena é uma personagem enigmática e que para mim traz dentro de si os aspectos mais terríveis e sedutores que podemos encontrar. Alguém que desperta desejo e medo em intensidades iguais. E não são destas duas coisas que o gênero do Terror é construído? 

Bom amigos... É isso aí. Um grande abraço à todos!!!

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Batman: Noel



De vez em quando nos deparamos com determinadas obras em quadrinhos que nos fazem lembrar o porque um dia nos apaixonamos pela 9ª Arte. De uma hora para outra somos transportados para um limbo artístico dentro do qual nos perdemos e tudo a nossa volta, toda aquela ficção, parece realmente ser real, dando significado à nossas vidas. Muitas destas obras nascem clássicas, no entanto acabam precisando passar pelo teste do tempo para que esta alcunha seja reconhecida por todos. Batman: Noel, de Lee Bermejo é um destes exemplos. Adaptando para a vida do Homem-Morcego o clássico conto de Charles Dickens, A Christmas Carol. Nele, um dos mais famosos personagens da literatura se fez conhecido, Ebenezer Scrooge.


A 1ª coisa que quero ressaltar nesta HQ é a soberba arte de Bermejo. Vivendo na Era Pós Alex Ross, dificilmente conseguimos nos surpreender com novos caminhos artísticos na 9ª Arte. Nas últimas década alguns ilustres desenhistas têm conseguido isso em minha opinião, caso de Alex Maleev, Adi Granov e Esad Ribic, por exemplo. Em Batman: Noel, no entanto Bermejo consegue um efeito que vivenciei poucas vezes até então enquanto admirador da arte quadrinística: uma sensação de cenas e personagens desenhados em camadas e em texturas. Estilo assim pode ser visto também em artes como as de J.J. Muth (Drácula - Graphic Album (Ed. Abril - 1990)) e Kent Willliams (Wolverine & Destrutor - Fusão (Ed. Abril - 1989)). Uma arte que se alinhou perfeitamente ao clima frio, melancólico e desolador da obra de Dickens.


Porém, como se não bastasse a arte, Bermejo reconstrói o conto de Dickens se utilizando da mitologia do Cruzado Encapuzado de forma elegante e sem deixar-se levar por soluções e desfechos comuns para cada sequencia. Uma grande prazer e surpresa para o leitor é ir, aos poucos, descobrindo quem é quem do Conto original, a saber Ebenezer Scrooge e os Fantasmas dos Natais passado, presente e futuro. Todas as premissas por meio das quais o grande Dickens construiu seu conto imortal são aqui trabalhadas: a finitude humana; a falsa sensação de segurança sobre a qual todos nós nos apegamos; a inutilidade de determinadas coisa que insistimos em valorizar; e a sensação de se descobrir algo já conhecido, só que agora visto em sua real essência.


Ilustres convidados aparecem na história, todos desenhados sob a perspectiva clássica e profunda de Bermejo. Em dias em que HQs se utilizam muito do expediente da violência desmedida e temas polêmicos para ganharem espaço no mercado, é muito bom encontrar histórias que se voltam para temas clássicos transpostos para personagens mitológicos modernos.


Ao ler Batman: Noel tive a agradável sensação de revisitar aqueles livros ou antigas enciclopédias que haviam em minha casa em minha infância. Como por exemplo a Enciclopédia Trópico que trazia desenhos que me trasportavam para outros lugares. Lee Bermejo possui um traço nostálgico e vintage, totalmente alinhado com antigas ilustrações. Essa sensação vintage e noir vem aliada, no entanto à uma narrativa gráfica muito moderna. Bermejo se utiliza muito bem de um recurso que confere ao leitor a percepção quase real de sentir cheiros, ouvir sons e tocar coisas junto com os personagens, ou seja, o recurso de transformar os quadrinhos da história (as transições de uma cena para outra), em ferramentas narrativas. Sem dúvida nenhuma um desenhista altamente em sintonia com o roteiro e que consegue domar a difícil arte de alinhar as duas coisas, desenhos e roteiro.


Bem amigos, seguindo a linha editorial aqui do Blog, de sempre comentar sobre inúmeras obras sem dar quaisquer tipos de "spoilers", deixo aqui minha recomendação à uma obra que para mim já poderia ser colocada no verbete "clássico". Mas deixemos o tempo conferir a ela este selo.


Um grande abraço à todos! o/

domingo, 4 de outubro de 2015

Deuses e Monstros


Olá amigos... Que a DC está muito, mas muito à frente da Marvel no Universo da animação isso todos nós já sabíamos. O que surpreende à todos é o quão longe ela está. Bruce Timm e companhia já atingiram um grau de requinte e seriedade em suas animações que nos deixa (surpreendentemente) sem palavras. Deuses e Monstros é uma das mais recentes animações da DC a chegar no Brasil em DVD e é tudo e mais um pouco do que eu já havia ouvido a respeito dela. Ousada, subversiva, adulta, cheia de surpresas e com vários segredos escondidos (Easter Eggs) ao longo da trama. Qualquer fã da DC se deliciará com o simples fato de ir descobrindo as diferenças existentes entre o Universo em que se passa Deuses e Monstros e o Universo tradicional da Editora.



A história é enxuta e traz uma Liga da Justiça com apenas 03 integrantes: Superman, Mulher-Maravilha e Batman. Porém, uma trindade bem diferente da tradicional, não apenas em suas personalidades, mas sobretudo em suas origens que são contadas em forma de Flash backs sem, no entanto tornar a narrativa cansativa. Aliás, um dos pontos altos da trama é justamente ir descobrindo quem são estes 03 integrantes da Liga. O expectador com certeza terá grandes surpresas ao descobrir quem é quem. Histórias como esta revelam o quanto a DC tomou a decisão certa nos quadrinhos ao, recentemente, optar pela volta de histórias mais diversificadas e sem muito compromisso entre elas. Ou seja, um retorno (de certa forma) às realidades alternativas ou ao conceito de Multiverso, onde roteiristas e desenhistas possuem muito mais liberdade para ousar com os tradicionais personagens da editora.



Quaisquer coisas que eu venha a falar poderá revelar determinada parte da trama e assim constituir-se em spoiler. Portanto, me restringirei a comentar que os personagens aqui apresentados serão (para muitos) a atualização dos tradicionais heróis da editora. Todo aquele fã que sempre quis gostar do Superman, porém nunca conseguiu engolir seu "ar" de bom moço, terá aqui uma grande surpresa, pois verá um personagem que congrega a complexa personalidade de alguém que é bom, no entanto traz a Guerra em seu DNA. Com certeza este é o Superman que muitos gostariam de ver. Eu, particularmente gosto da personalidade do Homem de Aço tradicional, por mais que às vezes ela pareça piegas. Porém, entendo perfeitamente aqueles que gostariam de ver o último sobrevivente de Krypton agindo à altura de seus Super-poderes. 



Batman possui uma outra personalidade também. Um temperamento diverso daquele tão tradicionalmente apresentado nos quadrinhos. Uma índole que o coloca mais perto da humanidade, por mais paradoxal que esta minha afirmação seja em relação à imagem acima. Seguindo esta mesma premissa, a Mulher-Maravilha também apresenta-se como alguém diferente em sua concepção e origem. Bruce Timm e Alan Burnet conseguiram subverter os conceitos mais pétreos e imutáveis do Universo DC de uma forma elegante e competente.



As diferenças não são apenas para chocar o expectador, mas trazem consigo uma certa crítica à sociedade e até mesmo à própria indústria dos quadrinhos. Personagens periféricos à mitologia da Liga da Justiça e de seus 03 principais heróis são apresentados na animação de forma que relações antes tidas como imexíveis na editora são aqui desconstruídas. E o que poderia ser um ponto negativo para a animação (já que muitos iriam reclamar de ver determinados fatos do cânon modificados) funcionam muito bem. O fã acaba terminando de assistir o DVD e ficando com a vontade de ver o desenrolar deste estranho universo.



Particularmente confesso que não gostei muito quando vi pela 1ª vez a proposta desta animação. Achei que seria uma animação tentando surfar na onda da mudança de personagens clássicos apenas para tentar chocar o público e assim ganhar novos leitores ou expectadores. Tal qual foi o caso, por exemplo, de converterem o Lanterna Verde da Era de Ouro em homossexual. Uma mudança totalmente desnecessária para um herói que já possuía toda uma mitologia bem fundamentada e consolidada. Eu não tenho contra personagens com orientações sexuais diferentes, pelo contrário. Apenas acho que para inseri-los não há necessidade de mexer com ícones já estabelecidos. Mas enfim... Isto não acontece com Deuses e Monstros, já que a subversão dos conceitos ao redor dos personagens não está a serviço apenas do mercado ($$), mas sim da possibilidade de atualização e aeração de antigos conceitos.



Bom amigos... Como disse no início da matéria, mais um ponto para a equipe de Bruce Timm e para a DC. É isso aí!!