domingo, 30 de agosto de 2015

Miniatura Marvel Nº 48 - Visão

Miniatura Marvel Nº 48 - Visão

Olá amigos... Hoje veremos a miniatura de um personagem que em minha opinião sintetiza de forma perfeita os Vingadores Clássicos: O Visão. Um "sintozóide" (um ser robótico com sensações, personalidade e memórias humanas), que conseguiu conquistar um lugar sólido no panteão da Marvel. Sua natureza complexa trouxe para dentro das HQs a interessante discussão sobre o que define o "ser-humano". Talvez isto explique o fascínio que o personagem exerce sobre todos nós. Discutiremos aqui as características de sua miniatura, bem como alguns aspectos de sua complexa origem.

Miniatura Marvel Nº 48 - Visão

A peça que representa o robótico herói traz, em cores vivas, o tradicional uniforme com sua longa capa com a gola marcante emoldurando a cabeça. Feições do rosto e anatomia estão adequadas em minha opinião. A postura adotada pelo personagem confere um "ar" de ordenança, como que a avisar alguém para interromper qualquer tipo de atividade que esteja fazendo. Esta postura é também similar àquela adotada pelo herói quando da sua 1ª aparição na capa de Avengers Nº 57, de Outubro de 1968. Pequenos detalhes da pintura poderiam ter sido melhor ajustados, como por exemplo os limites das partes em amarelo e verde. Por vezes é possível perceber pequenas invasões na pintura de uma cor sobre a outra. Esse erro pode também ser visto na região anterior do "Shorts", mais especificamente na virilha do personagem.

Miniatura Marvel Nº 48 - Visão

Um ponto positivo que pode muito bem ser visto nestas fotos é a leveza com que a capa foi moldelada. É possível, inclusive perceber uma sensação de movimento do manto para a direta, o que pode ser interpretado de duas formas: 1) - como se um vento tivesse soprando da esquerda para a direita; e 2) - como se o herói estivesse se movimentado e, de repente resolvesse parar subitamente, trazendo um movimento inercial para sua capa. Para mim este é um ponto alto da figura.

Miniatura Marvel Nº 48 - Visão

O Visão foi criado em 1968 por Roy Thomas e John Buscema, e ao analisarmos a concepção artística do personagem é interessante perceber que seus criadores conseguiram sintetizar perfeitamente em sua figura o conceito do "homem-robô" ao conceber sua cabeça com orelhas (em formato de Headphones) e cabelos cobertos por um tecido que deixa apenas uma face fria e vermelha exposta. A joia incrustada na testa permite a lembrança de algo espiritual, à semelhança dos povos hindus que costumeiramente se utilizam de joias nesse local. Falar da origem do personagem é se aventurar por um terreno complexo. Constantes reviravoltas nos eventos relacionados à sua origem sempre trouxeram sombras ao seu passado. Por isso explanarei rapidamente os fatos que, como peças de quebra-cabeça, oferecem apenas uma pista de quem é o Visão.

Miniatura Marvel Nº 48 - Visão

O Visão teria sido criado pelo vilão Ultron-5 para ser um sintozóide com padrões mentais de um outro vilão que havia morrido como um herói: Magnum. A criação do Visão atendia à um único propósito: ser usado como um Cavalo-de-Troia ao ser infiltrado no coração dos Vingadores para destruí-los. No entanto, logo após sua criação o Visão conseguiria escapar do controle de Ultron e se voltaria contra seu criador, auxiliando os Vingadores na destruição do vilão. Logo os Vingadores perceberiam que o Visão era um ser especial, pois ao ser convidado para integrar a equipe o herói verteria uma lágrima de gratidão. Algo muito estranho para um ser sintético.

Miniatura Marvel Nº 48 - Visão

Após diversas batalhas ao lado da equipe, o Visão se sacrificaria durante a Guerra Kree-Skrull para ajudar seus amigos. Para tentar reativa-lo, Hank Pym (o Homem-Formiga original) empreende uma viagem ao seu interior e descobre que o androide tinha algo realmente especial. Em seu interior Pym identifica que Visão era uma reformulação do Tocha-Humana Original (da Era de Ouro), um androide criado pelo gênio Phineas T. Horton em 1930. Na verdade Ultron teria adquirido o corpo inerte do Tocha Original e com a ajuda de um acuado Phineas reconfigurado o Tocha com os padrões cerebrais de Magnum, criando assim o Visão. De repente, o sintozóide sem um passado definido possuía um incrível histórico heroico. Sabedor dos eventos que envolviam sua criação, o Visão podia então seguir em frente e isso significava fortalecer os laços de afeto entre ele e a Feiticeira Escarlate, resultando na união matrimonial dos dois.

Miniatura Marvel Nº 48 - Visão

Tudo pareceu complicar de novo quando Magnum (Simon Williams), o homem (supostamente morto) em que Ultron havia se baseado para atribuir os padrões mentais ao Visão aparece vivo. Essa "sinuca" foi resolvida (ou talvez não) com a percepção do Visão de que tinha os padrões mentais de Magnum, porém baseava seu corpo na tecnologia do Tocha Original. O retorno de Magnum de certo modo não abalava isso. Outro fato que complicaria a origem do Visão foi o retorno do Tocha Original. Desta vez o problema era grande. A explicação veio através da descoberta de que Immortus (um viajante do Tempo) havia divergido as linhas temporais com o objetivo de criar uma duplicata temporal do Tocha Original, e foi então esta duplicata que se tornou o Visão. Ou seja, nada mudava de novo, o Visão continuava sendo uma criação de Ultron usando os restos do corpo do Tocha Original com os padrões mentais de Magnum.

Miniatura Marvel Nº 48 - Visão

Os poderes do Visão incluem a alteração de sua densidade corporal, deixando-o tão duro quanto uma rocha ou tão etéreo quanto o ar. Usando essa habilidade ele consegue voar e, além disso possui força, durabilidade, reflexos e velocidade sobre-humanas. Suas células são carregadas constantemente pela energia solar e por isso ele pode emitir rajadas de calor pelos olhos.

O Visão é um personagem que esteve ausente das HQs durante um bom tempo ao ser despedaçado por uma ensandecida Mulher-Hulk durante os eventos do arco "A Queda", que narra a dissolução dos Vingadores. Religado por Tony Stark, ele está novamente presente e atuante no Universo Marvel, e agora com um impulso adicional ao aparecer no filme "Vingadores: A Era de Ultron". O Visão é para mim um personagem muito querido e que nos lembra constantemente o quanto poderíamos ser melhores como seres humanos.

É isso aí amigos! Grande abraço!

domingo, 2 de agosto de 2015

Joyland - Stephen King


Um verão inesquecível na vida de um jovem em 1973. Uma temporada de trabalho como Serviços Gerais em um Parque de Diversões para ajudar a pagar a faculdade e esquecer uma jovem que lhe deu o "pé na bunda". Esse foi o verão de 1973 para Devin Jones, um cara (um tanto melancólico) que buscava desesperadamente esquecer seu primeiro amor, mas acabou tendo uma experiência que lhe marcaria para o resto da vida. Joyland livro de 2012 de Stephen King fala de crescer, amadurecer, de perdas, memórias e, acho que podemos dizer, do sentido das coisas. Talvez o romance não possua a grandiloquência de outros livros de King, mas nem quer ter. Ele se volta para as pessoas, para o ambiente íntimo de cada um. É um recorte de emoções profundas e por isso mesmo, intimista.


Começo dizendo que uma das coisas que mais me encantou no livro foi o elemento que serve de pano de fundo para a história, ou seja: O Parque de Diversões. King consegue traduzir todo encanto, alegria, diversão e (como em uma outra face da mesma moeda) toda solidão, medo, melancolia e desolação que um Parque de Diversões pode evocar. Os bastidores do Parque de Joyland é devassado e nos faz perceber o quão rico esse universo escondido é. Como frequentadores de parques vemos apenas o neon brilhante, os sorrisos e a alegria. Mas por baixo há um Mundo rico em companheirismo, camaradagem, tristezas e histórias enigmáticas. Sempre vi Parques de Diversões como um lugar que escondia mais do que apresentava, mas sempre quando vamos embora esquecemos disso e jogamos nossas perguntas e impressões para o fundo de nossa mente.


O Parque de Joyland é, sem dúvida, uma presença viva e um personagem onipresente na narrativa. Devin Jones evoca o camarada boa praça e de coração partido. Sua trajetória no Parque é seguida pela sombra de um assassinato ocorrido no interior do Trem Fantasma de Joyland, conhecido como Horror House. Como resultado do homicídio cometido há cinco anos, em 1968, ficou a lenda de que o fantasma da jovem assassinada (Linda Gray) aparecia ocasionalmente às pessoas mais sensíveis e com alguma capacidade mediúnica. 


Devin Jones conhece pessoas incríveis durante o verão em Joyland, dentre eles Erin Cook e Tom Kenedy (também universitários e colegas de trabalho). Temos também Lane Hardy, Pop Allen, Rozie Gold (ou madame Fortuna - a cartomante do Parque)... funcionários que além de serem amigos possuíam o calor humano característico do que podemos chamar de família verdadeira. Ah! Sem deixar passar o Sr. Brad Easterbrook (o velho e amigo dono do parque). Nesse caminho Devin conhecerá o "Colóquio", uma linguagem rica e toda própria dos Parques de Diversões (e isso é verdade). Quem tem Alma de Parque sabe o que isso quer dizer.


Ao longo do verão Devin pilota a Roda-Gigante (chamada carinhosamente de Carolina-Spin), vende cachorro-quentes, refrigerantes, cuida de barracas de tiro ao alvo, de carrinhos bate-bate, das Montanhas-Russa do Parque (a Thunderball e a Delirium Shaker), lava, engraxa, veste a roupa de Howie (o cão mascote do Parque) e salva a vida de uma garotinha que se engasga com um cachorro-quente. 


Temos também as Garotas-Hollywwood, universitárias ou interessadas em ganhar um dinheiro perambulando por Joyland tirando fotos dos Bobs (a forma como os frequentadores do Parque são tratados no Colóquio). A ruiva Erin Cook, amiga de Devin era uma Garota-Hollywood e passeava por Joyland com a câmera fotográfica padrão do lugar: a Speed Graphic. Erin é a garota que estampa a capa do livro, incrivelmente desenhada por Glen Orbik.


Em meio a tudo isso, ainda há Mike, um garoto fadado a ter poucos anos de vida em virtude da Distrofia Muscular de Duchene. Mike é mais que um garoto doente, ele tem o "dom". E sabe que o espírito da garota Gray está preso e vagando dentro do Trem Fantasma, o Horror House

Tudo isso, é claro, poderia ser mais um romance de terror, mas o que acho incrível em Stephen King é a capacidade que ele tem de desenvolver seus personagens e de retratar o belo e singelo ao lado do terror mais sombrio. 


Comparo Joyland à Stand By Me, obra de King adaptada para o cinema em 1986 que possui elementos sensíveis, perenes e, ao mesmo tempo, assustadores. Uma reflexão do quanto o mundo é belo e ao mesmo tempo sombrio. Se você não assistiu à Stand By Me não perca tempo. Um momento mágico nas vidas dos atores Will Wheaton (Star Trek - A Nova Geração), Corey Feldman (Goonies) e Jerry O´Connell.


É isso aí amigos! A próxima vez que for a um Parque de Diversões lembre-se... Há muito mais do que podemos ver lá!
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