domingo, 29 de março de 2015

Miniatura DC Série Especial Nº 03 - Crocodilo

Miniatura DC Especial Nº 03 - Crocodilo

A Coleção de Miniaturas Marvel e DC seguem seu curso de sucesso no Brasil e a Eaglemoss vem cumprindo a sequencia de lançamento das peças Especiais divulgada em julho de 2014. Da Marvel: Destroyer, SentinelaMojo, Arcanjo (a mesma peça lançada anteriormente do Anjo, só que com uma cor diferente (Azul)), Galactus, Ronan, Rino, Skurge, Homem-Coisa, Ka-Zar e Zabu, Manto e Adaga. E da DC: Apocalypse, Darkseid, Antimonitor, Batman em sua motocicleta, Crocodilo e Centenial Park Superman

Dentre as Especiais da DC hoje veremos o selvagem, brutal e superforte Crocodilo, um dos vilões da exótica e bizarra galeria de malfeitores do Homem-Morcego.

Miniatura DC Especial Nº 03 - Crocodilo

Confesso que quando adquiri a peça ela não me chamou muita atenção. Talvez a coloração verde escura e contínua dificulte a percepção dos detalhes da modelagem. Ao fotografa-la para essa matéria, no entanto fiquei surpreso com a quantidade de detalhes ligados à anatomia do vilão. Músculos bem definidos, dentes à mostra, escamas e garras.

Miniatura DC Especial Nº 03 - Crocodilo

Outro destaque é a coluna de escamas que pode ser vista na região das costas. Protuberâncias bem alinhadas e contínuas que lembram perfeitamente a região costal dos crocodilos e jacarés, trazendo uma aversão à qualquer olhar humano. Gostei também da modelagem do "shorts" usado pelo vilão, com definição dos bolsos, braguilha, passadores de cinto e pontas desfiadas. A postura curvada do personagem, bem como sua ligeira inclinação de cabeça para a esquerda (quando observado de frente), deixa-o com a atitude de busca e atenção tão comum em répteis. Excelente!

Miniatura DC Especial Nº 03 - Crocodilo

Embora muitos possam pensar que o Crocodilo seja um crocodilo mutante, ou mesmo algum outro tipo de animal, na verdade isso não é verdade. Waylon Jones (o Crocodilo) já foi um ser humano fisicamente igual à todos nós na infância. Vítima de uma doença degenerativa, Jones nasceu na região dos pântanos da Flórida e foi criado por uma violenta tia alcoólatra. A manifestação da doença já se iniciou logo que o pequeno Waylon atingiu a idade escolar. Sofrendo bullying continuamente em casa e na escola, o garoto passou a frequentar cada vez mais os pântanos, onde conseguia se sentir melhor, longe de tudo e de todos.

Miniatura DC Especial Nº 03 - Crocodilo

A aparência de Waylon ia se transformando muito lentamente, de maneira que ele ainda conseguia frequentar escolas comuns. E foi nesse ambiente que o garoto se envolveu em uma briga após se defender de garotos que o afugentavam. Ao machucar muito um deles, Waylon foi enviado para um reformatório  onde seu ódio pela humanidade aumentava cada vez mais, junto com sua auto-repulsa, em função de sua aparência. No reformatório ele começou a cometer pequenos roubos e delitos até se envolver em algum ato ilícito que acabou no assassinato de um casal (Joseph e Trina Todd). Preso pelo crime o jovem Crocodilo foi preso e cumpriu pena por 20 anos.

Miniatura DC Especial Nº 03 - Crocodilo

Ao sair da prisão a doença de Waylon havia progredido e o aspecto e cor de sua pele já se aproximava cada vez mais da cor e textura de um réptil. Passando um temporada trabalhando em um circo, Waylon logo percebeu que desejava retirar mais da vida e da humanidade que tanto o machucara. Esse sentimento o levou à Gotham City, local que abrigava a maior coleção de pessoas bizarras e más de que ele já tinha ouvido falar. Iniciando sua carreira no submundo da cidade sob o pseudônimo de Crocodilo alcançou certa visibilidade passando a ser combatido pelo Cruzado Encapuzado e por fim trancafiado no Arkham.

Miniatura DC Especial Nº 03 - Crocodilo

O vilão ainda teve grandes embates com o parceiro de combate ao crime do Homem-Morcego, Robin, sendo por fim preso em Blackgate, prisão de segurança máxima para criminosos de alto poder. Antes dos Novos 52, o Crocodilo teve participação em importantes arcos de sucesso envolvendo o Batman, dentre eles Batman: A Queda do Morcego de 1993, Inferno na Terra e Batman: Silêncio, ambos de 2003.

Miniatura DC Especial Nº 03 - Crocodilo

Waylon Jones teve sua aparência ainda mais transformada nos últimos anos com o avanço de sua doença, evoluindo com a protusão de sua mandíbula, desenvolvimento de dentes longos e pontiagudos, garras nas mãos, além da capacidade de regeneração de partes do corpo.

Fruto de um mundo cheio de raiva e pouco acolhedor ao que é diferente, o Crocodilo só conseguiu desenvolver ódio e rancor em sua alma, transformando-se cada vez mais em um animal por dentro e por fora. É isso aí amigos, e que venham mais Especiais!

domingo, 22 de março de 2015

Neuromancer


Ácido, vertiginoso, digital, surreal e complexo em sua narrativa e vocabulário, Neuromancer pode ser considerado o romance que evolui o livro "Androides Sonham com Ovelhas Elétricas" de Philip K. Dick e antecipa em muito o que Matrix traria mais de uma década depois dele. Um romance que tem em seu centro a possibilidade da viagem pelo cyberespaço descrita de forma contundente, real e sob uma incrível e perfeita estética cyberpunk! Escrito por William Gibson e lançado em 1984, o romance faz parte da trilogia conhecida como "Trilogia do Sprawl", ao lado de "Count Zero" e "Mona Lisa Overdrive". Considerado a obra que deu origem ao gênero Cyberpunk, Neuromancer é sem dúvida seu maior representante.


Num mundo em que a tecnologia praticamente se fundiu à base orgânica do homem, implantes digitais são comuns e a existência é norteada a partir do mercado de softwares e drogas. Case é o personagem principal do livro e um dia foi um excelente "Cowboy", um hacker do Cyberespaço. Sonhando com algo mais, ou simplesmente querendo surfar na onda do desconhecido e proibido, Case cai na armadilha do ego e rouba seus empregadores. Ao ser pego em sua própria armadilha, Case é mantido vivo, porém sem seu bem mais precioso, a habilidade de navegar pelo Cyberespaço após lesarem seu sistema nervoso. A história começa bem aqui, com um Cowboy disposto a qualquer coisa já que seu vício em drogas já lhe roubara seu fígado e pâncreas.


Case pode ser comparado à um outro personagem conhecido da cultura pop e que possui o mesmo senso de autodestruição, o mesmo padrão de vida marginal e degradante: John Constantine (conhecido personagem dos quadrinhos da série Hellblazer). Sob essa perspectiva ele conhece Molly, a estranha e violenta oriental alterada digitalmente ao receber implantes nos olhos, bem como outras habilidades que suas economias pôde comprar no passado. Assim, Case se vê novamente no perigoso jogo das megacorporações.


Gibson conduz a narrativa numa direção em que o próprio leitor parece fazer uma alucinógena viagem. E aí está a eventual complexidade do livro. No entanto, não há como não admitir o poder da linguagem usada pelo autor. Em meio à rastafáris rebeldes, violência e muita viagem no Cyberespaço (ou Matrix) tudo se transforma no que a humanidade pode um dia se tornar. Ilhas de prosperidade ao redor da total desagregação social.


Neuromancer é um livro seminal, e por isso sua estética ainda é inovadora em nosso tempo. Para lê-lo você precisa se sentar numa poltrona, apertar o sinto e se deixar levar pela catarse da vida no Sprawl!

domingo, 15 de março de 2015

Miniatura Marvel Nº 44 - Punho de Ferro

Miniatura Marvel Nº 44 - Punho de Ferro

Criado em 1974 no auge da popularização dos filmes de "Artes Marciais" nos EUA, Punho de Ferro é um dos heróis da Marvel que conseguiu sobreviver com relevância e elegância nessas últimas décadas. E mesmo após a decadência do estilo de luta oriental na cultura pop em geral, ele se conserva popular, transformando-se num ícone da Marvel nesse quesito. Hoje veremos as características de sua peça na Coleção de Miniaturas Marvel, além de falarmos um pouco de seu triste passado, seu torturante treinamento e sua atividade como justiceiro anos mais tarde.

Miniatura Marvel Nº 44 - Punho de Ferro

Punho de Ferro, ou Daniel Rand, é apresentado nessa peça em seu traje clássico verde e amarelo. Traje este com que ficou conhecido de todos os fãs. Embora todos quiséssemos que o personagem estivesse em uma de suas clássicas posições de ataque, saltando em um golpe mortal, creio que seria difícil de compor tal cena com uma miniatura de metal sobre uma base tão pequena. De qualquer forma ele se apresenta ereto, punhos cerrados e em atitude de alerta, como que a olhar para algum lugar distante.

Miniatura Marvel Nº 44 - Punho de Ferro

Gostaria de destacar alguns pontos que considero importantes na peça. Em primeiro lugar chamo atenção para a forma como as duas pontas soltas da máscara do herói estão dispostas, como se esvoaçassem ao vento. Essa característica faz o colecionador facilmente imagina-lo no alto de uma montanha ou simplesmente integrando uma paisagem tempestuosa. Achei esse detalhe algo que, embora pequeno, deu um tom especial à peça. Em segundo lugar as golas de seu traje estão bem retratadas, compondo um quadro de poder junto à marca de dragão em seu peito. No geral o traje é simples, sem aspectos espalhafatosos, presentes em alguns guerreiros da Marvel. Essa simplicidade se alinha muito bem à personalidade e formação de Danny Rand.

Miniatura Marvel Nº 44 - Punho de Ferro

A história do Punho de Ferro começa com um Daniel Rand ainda garoto, aos 09 anos de idade, acompanhando seu pai (Wendell Rand), sua mãe (Heather Rand) e o sócio do seu pai (Harold Meachum) em uma jornada ao Himalaia em busca da cidade mítica de Kun Lun. Um lugar mágico que existe em uma outra dimensão paralela à da Terra e que a cada dez anos torna-se visível graças ao alinhamento das duas dimensões. Wendell Rand já estivera em Kun Lun antes e sua intenção era retornar à cidade. Sob uma temperatura extrema os quatro avançavam na direção do local onde supostamente Wendell estivera no passado. No entanto, o destino dessa busca seria trágico!

Miniatura Marvel Nº 44 - Punho de Ferro

Traído por seu sócio Wendell é assinado em frente à Danny e sua mãe Heather que acabam abandonados à própria sorte no inferno gelado da cordilheira do Himalaia. Logo lobos se aproximariam para devorar mãe e filho e, num esforço de salvamento, Heather se atira para ser morta pelos lobos, dando assim a chance de Danny fugir a esmo. Num golpe de sorte Danny adentra a cidade de Kun Lun onde viveria seus próximos dez anos de vida sendo treinado e nutrindo um ódio mortal pelo assassino de seu pai e por consequência de sua mãe. Ao final de um longo tempo Daniel Rand se submeteria ao teste final na cidade de Kun Lun, ganhando o direito de confrontar o Dragão Dourado, uma criatura que habitava os arredores de Kun Lun. Tendo conseguido abater a criatura com suas habilidades Danny chega até o coração derretido do Dragão que era mantido no interior de uma caverna.

Miniatura Marvel Nº 44 - Punho de Ferro

Colocando suas mãos em contato com o coração incandescente da fera, Danny ganharia o poder de concentrar seu CHI (sua energia interior) em seu punho, tornando-o poderoso e incrivelmente potente, daí seu nome. Voltando à civilização já crescido Daniel vai em busca de sua vingança, porém encontra o assassino de seu pai preso à uma cadeira de rodas ao perder suas duas pernas para o frio em seu retorno após os eventos trágicos que causou. Com isso Danny desiste de sua vingança e passa a buscar seu lugar no mundo.

Miniatura Marvel Nº 44 - Punho de Ferro

Punho de Ferro foi um personagem criado pouco tempo depois da criação de outro conhecido herói da Marvel ligado às artes marciais: Shang-Chi (O Mestre do Kung-Fu). Shang-Chi era um personagem que, embora satisfizesse plenamente os quesitos necessários como um bom Lutador Marcial, ainda sim não possuia um super poder. Foi aí que Roy Thomas e Gil Kane entraram na história para criar um herói que fosse um lutador, mas que ao mesmo tempo se aproximasse de um Super-herói, integrando-se melhor ao Universo Marvel. Assim surgiria o Punho de Ferro. Além do poder relacionado ao seu punho, Daniel Rand é ainda um admirável lutador, com força, velocidade, reflexos e habilidades acrobáticas ímpares. Sua força CHI pode também ser direcionada para dentro de si, acelerando seu dom de cura, o que lhe confere a capacidade de curar seus ferimentos e de colegas. Danny ainda tem uma capacidade que, embora limitada, lhe permite fundir seus pensamentos conscientes com os de outra pessoa, o que lhe possibilita a comunicação com outra pessoa em pensamento.

Miniatura Marvel Nº 44 - Punho de Ferro

Embora sempre associado à personagens urbanos, sobretudo em função de sua parceria com Luke Cage nos anos 70 na agencia "Heróis de Aluguel", o Punho de Ferro é para mim um personagem que encerra toda sabedoria, disciplina e serenidade dos Mestres Orientais e esse é seu legado. Seu potencial é grande e há planos da Marvel para realizar um Seriado de TV contando sua história. Um personagem que teria tudo para ser o novo David Carradine (da série Kung-Fu dos anos 70) dos nossos dias!!!

quinta-feira, 12 de março de 2015

Supremo - A Era de Prata


Há algum tempo comentei aqui no Blog sobre o primeiro volume da série Supremo de Alan Moore (Supremo - A Era de Ouro). Uma história genial em que eventos atuais e dos anos 40 se confundem na vida do herói Supremo. Uma homenagem à história e à narrativa dos quadrinhos em que o mito do Super-homem é debatido e toda nostalgia de uma Era mais inocente vai sendo trazida a tona. Continuando essa grande homenagem, Supremo - A Era de Prata traz aventuras que alternam momentos recentes da vida do herói só que agora intercalados com episódios da Era de Prata. Uma Era que viu ressurgir a indústria dos quadrinhos e que foi do final dos anos 50 até o início dos anos 70. Uma fase que trouxe de volta os Super-heróis para as bancas, renovou conceitos da Era de Ouro e viu o alvorecer de mitos que perduram até hoje. Alan Moore em Supremo - A Era de Prata enche o leitor de referências e dá uma perspectiva interessante da nossa existência.


O encadernado pode ser dividido em três partes igualmente geniais. Na primeira temos o herói Supremo em nossos dias (1997 no caso, ano de lançamento original do material) sendo chamado para investigar o sumiço de um parceiro de combate ao crime dos anos 60, o Professor Meia-Noite e sua parceira Sombria. Intercalando momentos atuais com antigas histórias da Era de Prata, a história segue cheia de pistas do passado que podem indicar a solução no presente. É a nostalgia e a inocência do passado provando-se não tão inocentes assim (outra sutileza de Alan Moore). O ponto alto dessa primeira parte é a introdução do conceito da Ideiosfera, ou Reino do Pensamento, local para o qual o Professor Meia-Noite e diversos heróis da Era de Prata foram levados. O conceito de um Reino formado por nossos arquétipos pessoais já é incrível em si, e o autor sugere que poderíamos ir até ele caso tivéssemos tecnologia para isso no mundo real. Não revelarei o desfecho da história porque seria spoiler, porém o principal aqui é debater o conceito elaborado por Moore.


A segunda parte traz uma interessante narrativa sobre a vida amorosa do herói. Utilizando-se de um equipamento guardado em sua cidadela suspensa nas nuvens, chamado Possibilitron, Supremo procura acessar possíveis futuros para si caso se casasse com diversas moças. Isso ocorre enquanto ele trava uma interessante conversa com seu interesse amoroso atual, Diane Dane, sua colega repórter. A energia dos diálogos entre os dois, a tensão sexual reprimida em cada quadrinho e as lembranças do passado de Supremo fazem a história ser tão interessante quanto uma briga com algum vilão. Isso mostra a força que um bom diálogo pode imprimir numa sequencia, valorizando o universo interior dos personagens. O leitor praticamente nem sente falta das brigas, exageros e lutas tão comuns em HQs de Super-heróis.


A última parte mostra o retorno de uma antigo inimigo de Supremo, talvez o mais letal, Darius Dax, um garoto genial que, corrompido pela inveja, tornou-se um gênio do crime. Novamente alternando flashes do passado com situações do presente temos ao final da aventura uma estranha pista sobre a origem de Supremo relacionada à distorção do espaço-tempo. Temas complexos e profundos inseridos em uma narrativa gráfica que muitos podem achar simples. Ao final do encadernado o leitor é brindado com interessantes extras sobre a cidadela do Supremo e histórias da Era de Prata do personagem.


A verdade amigos é que Supremo foi um personagem criado por Rob Liefeld como uma cópia "xerox" do Superman para a Editora Image Comics nos anos 90. Supremo teria passado facilmente para o limbo dos quadrinhos se Alan Moore não assumisse o personagem em 1996, construindo uma incrível mitologia para o personagem e trazendo uma narrativa inovadora em que os conceitos das diversas Eras dos quadrinhos são homenageados, trabalhados e até aprimorados. Uma leitura mais cuidadosa vai com certeza encontrar uma certa nostalgia que permeia todas as histórias, em que o passado é lembrado com saudade, ao mesmo tempo que o presente é amedrontador em função da quebra da inocência dos primeiros anos.


Supremo - A Era de Prata é a continuação dessa viagem pelas Eras dos Quadrinhos, uma viagem cheia de reviravoltas, nostalgia, saudade, metafísica, ciência e aventura. Um material que pode ser lido como simples passatempo, ou ser esquadrinhado com um olhar mais detalhado e apaixonado pela 9ª Arte. Caso você faça isso, tenho certeza de que você não se arrependerá, e em troca viajará pelo espaço-tempo da existência!!

sábado, 7 de março de 2015

Miniatura Marvel Série Especial Nº 03 - Destroyer - O Demolidor

Miniatura Marvel Especial Nº 03 - Destroyer - O Demolidor

Diretamente da longínqua Era de Ouro dos Quadrinhos, Destroyer - O Demolidor é lançado em meio às Especiais da Coleção de Miniaturas Marvel. Para mim foi uma grata surpresa ter essa peça dentre as Especiais da coleção. Criado em plena 2ª Guerra Mundial por ninguém menos que Stan Lee, Destroyer é um personagem que ficou conhecido como o Flagelo dos Nazistas, um super-soldado que lutou atrás das linhas inimigas e possui um interessante passado. Nessa matéria examinaremos as características da peça e alguns aspectos de sua obscura mitologia.

Miniatura Marvel Especial Nº 03 - Destroyer - O Demolidor

A peça é uma das mais interessantes da coleção em minha opinião. Detalhes e destaques não faltam, no entanto é sua composição geral (praticamente um diorama) que revela não apenas a natureza do personagem, mas também sua missão militar. Trajando uma camisa com uma caveira estampada no peito a peça traz Destroyer com uma musculatura muito bem definida, além de uma pose de enfrentamento empunhando uma metralhadora em uma postura de hostilidade e triunfo, ao pisar sobre um soldado alemão no chão.

Miniatura Marvel Especial Nº 03 - Destroyer - O Demolidor

Gostei também do lenço vermelho ao redor do pescoço, um detalhe que lembra os antigos heróis das matinês dos anos 40 e 50. Além disso, outro ponto alto que caracteriza o personagem é sua face. Lembrando um fantasma que não tem rosto definido, Destroyer traz a frieza de um andróide, característica que pode ter influenciado Stan Lee na concepção do personagem em função do medo de autômatos e de robôs da sociedade da época. Um ser que não teria medo ou escrúpulos em suas ações. O corpo do soldado aos seus pés é outro show à parte. Toda indumentária de um soldado alemão está ali presente, capacete, uniforme, cantil, alforje, botas e um rifle caído sob sua mão esquerda. É possível ver inclusive que o cotovelo esquerdo do soldado está ligeiramente inclinado para cima, numa posição que nos faz supor que ele está tentando se recuperar ou levantar.

Miniatura Marvel Especial Nº 03 - Destroyer - O Demolidor

Não posso deixar de comentar o traje dos membros inferiores do Destroyer (uma calça listrada que termina dentro de pequenas botas). Um dos grandes erros que podemos cometer é analisar qualquer característica de uma obra ou personagem do passado, única e exclusivamente à luz do pensamento filosófico e estético atual. Ao fazermos isso desprezamos toda perspectiva histórica e o contexto que permeava a criação. Temos que lembrar que o Destroyer foi criado para lutar nas gélidas paisagens das cidades europeias (Alemanha, Áustria, Hungria, Bulgária, República Checa dentre outros países). Não é difícil imaginarmos que as vestes do personagem lembram facilmente a de um cigano. Ciganos em geral eram vistos como párias na sociedade europeia da época (e talvez até na nossa sociedade atual). Por isso acredito que sua calça listrada e suas botas evoquem na verdade a indumentária de um cigano. O que muda completamente nosso conceito do que é esteticamente aceitável ou não ao observarmos novamente o traje deste personagem.

Miniatura Marvel Especial Nº 03 - Destroyer - O Demolidor

A história da origem do personagem é cercada de mistérios, porém começa com um repórter britânico que cobria a 2ª Guerra Mundial atrás das linhas inimigas, Kevin Marlow. Marlow foi capturado pelos nazistas e lançado em um cárcere em que conheceu o cientista alemão anti-nazista  Eric Schmitt. O cientista trazia consigo uma fórmula de super-soldado semelhante àquela usada em Steve Rogers. Em seus minutos finais de vida o alemão pede a Kevin que tome a fórmula. Assim, o repórter britânico ganharia superforça, sentidos super-aguçados, além de agilidade e resistência acima do normal. Kevin devasta quase todas as alas da prisão em que se encontrava e vinga a morte de Eric. A partir daí, passaria a usar o uniforme que vemos nas fotos acima, lutando com o nome de Destroyer e arrasando as forças nazistas.

Miniatura Marvel Especial Nº 03 - Destroyer - O Demolidor

Há, no entanto uma segunda história que ocorre paralela àquela relatada acima. Uma história envolvendo outro jornalista, Brian Falsworth. Preso também durante a 2ª Guerra, Falsworth seria preso na mesma cela que Kevin Marlow fora preso. Encontrando resquícios da fórmula dentro da cela, Falsworth prepararia a sua própria versão da fórmula, tornando-se de igual modo um jovem super-dotado que também passaria a atuar como Destroyer. Ao que tudo indica, portanto haviam dois Destroyers lutando ao mesmo tempo na Europa contra a ameaça nazista. Outra hipótese é que na verdade eles fossem a mesma pessoa e a confusão histórica seria fruto da dificuldade de se obter registros confiáveis na época. Outro detalhe interessante é que o pai de Brian Falsworth foi o 1º Union Jack (herói britânico da Era de Ouro) e sua irmã era ninguém menos que a heroína Spitfire, outra conhecida personagem dos quadrinhos na época.

Miniatura Marvel Especial Nº 03 - Destroyer - O Demolidor

Destroyer - O Demolidor foi criado dentro de uma editora que nos anos 40 era apenas mais uma dentre muitas: a Timely Comics. A Timely cresceria sob a batuta de Martin Goodman (proprietário) e de artistas como Joe Simon, Jack Kirby e Stan Lee, destacando-se na Era de Ouro dos Quadrinhos (1938 - 1950). Com o nome alterado para Marvel Comics, a editora de Goodman lançaria importantes personagens na época (Capitão América, Namor, Tocha Humana Original, Anjo, dentre outros). Com o renascimento dos heróis na Era de Prata (década de 60) muitos heróis voltariam à ação. Infelizmente não foi o caso de Destroyer, um obscuro herói que dedicou sua vida à erradicação de um dos piores movimentos da humanidade, o Nazismo.

Miniatura Marvel Especial Nº 03 - Destroyer - O Demolidor

Para mim Destroyer - O Demolidor possui todos os ingredientes que compõem (ainda em nossos dias) um bom Super-herói. Sua imagem estranha, exótica e talvez até bizarra é um destaque em minha opinião, e não o contrário. Já que a Marvel também aceita o conceito de múltiplos universos, eu ficaria muito contente se um dia a editora lançasse histórias de um universo paralelo em que personagens assim pudessem ser melhor desenvolvidos.

Ok amigos... Um grande abraço!
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