quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Miracleman de Alan Moore no Brasil


Olá amigos... Há muito tempo eu vinha esperando para ter o prazer de comprar uma revista mensal de qualidade e que, para entendê-la, eu não precisasse comprar mais 06 ou 07 outras revistas relacionadas à história, um Modus Operandi que domina o mercado de quadrinhos atualmente. Miracleman foi a grata e já esperada surpresa que atendeu à esse meu sonho. Pouco conhecido para os leitores brasileiros, o personagem dominou o imaginário dos garotos ingleses que gostavam de quadrinhos nos anos 50 e 60. Dentre esses garotos temos grandes representantes como por exemplo Alan Moore e Neil Gaiman. Esse lançamento da Panini é histórico por diversas razões, dentre elas trata-se do resgate que Moore fez do personagem no início dos anos 80 após anos no limbo, além de ser material de grande qualidade (por derivar de uma época de grandes trabalhos de Alan Moore) e inédito no Brasil (exceto por uma tentativa pela Editora Tannos entre 1989 e 1990, que lançou até o Nº 4).


Qualquer admirador da Era de Ouro dos Quadrinhos deve ficar de olho nesse lançamento. A origem de Miracleman tem tudo a ver com outro personagem muito famoso da Era de Ouro, o Capitão Marvel (ou Shazam) como atualmente é conhecido. A história é a seguinte: com o incrível sucesso de vendas do Capitão Marvel nos anos 40 pela Editora Fawcet, a então DC Comics começou a se incomodar com isso. Assim, instigou um processo na justiça contra a Fawcet em função das semelhanças entre seu principal personagem o Superman e o personagem da Fawcet. Em 1948 a justiça deu parecer favorável à Fawcet, porém a DC apelou da decisão em 1951. Como nessa época os títulos já não vendiam tão bem e com os custos do processo se acumulando a Fawcet abriu mão da "briga" fazendo um acordo com a DC, que passou a deter os direitos do Capitão Marvel colocando-o na geladeira. Os últimos quadrinhos do Capitão Marvel saíram em 1953, ano do acordo.

Capitão Marvel e seu alterego Billy Batson. Personagem que inspirou a criação de Miracleman

Mas o que isso tem a ver com Miracleman? A verdade é que na Inglaterra o Capitão Marvel fazia muito sucesso, publicado pela editora inglesa Len Miller. Com a impossibilidade de continuar publicando suas histórias a editora solicitou a criação de um novo personagem que pudesse atender à demanda do mercado. Essa tarefa caiu nas mãos de Mick Anlgo. Assim, Anglo criou Miracleman que parecia-se muito com o Capitão Marvel no que se refere à sua gênese. O Contínuo (algo como um office boy) do jornal Clarim Diário "Mick Moran" tem um encontro com um FÍSICO (não mais com um mago como era o caso de seu antecessor), que lhe disponibiliza o conhecimento e o poder da código do Universo. Esse poder seria concedido à Mick Moran toda vez que ele dissesse a palavra "KIMOTA!". Kimota é na verdade "Atomic" ao contrário, o que mostra a grande influência da Era Atômica e da ciência nos quadrinhos naquela época, responsável pela maioria dos poderes dos Heróis no início da Era de Prata (ex. X-Men, Lanterna Verde, Flash e seu acesso ao campo de aceleração terrestre, o Quarteto Fantástico, Hulk...).


Embora de visual diferente em relação ao Capitão Marvel, Miracleman possuía praticamente os mesmos poderes do antigo herói da Fawcet e do Superman. Miracleman, que de início chamava-se Marvelman, foi sucesso imediato e preencheu a fantasia de garotos ingleses nas décadas de 1950 e 1960. Na verdade o nome Marvelman mudou para Miracleman apenas nos anos 80 por pressão da Editora Marvel, que possuía a propriedade de uso da palavra "Marvel". Miracleman ou Marvelman também tinha sua família de heróis (tal qual fora com o Capitão Marvel), pois seu amigo Dick Dountless se transformava em Young Marvelman ao dizer a palavra "MARVELMAN", e outro garoto Jhonny Bates transformava-se em Kid Marvelman ao dizer a mesma palavra. Foi então que na primeira metade da década de 80, Alan Moore decide trazer seu antigo ídolo de infância atualizando-o. É essa fase que o leitor brasileiro tem nas mãos agora.


A edição da Panini traz, além da primeira história da fase Moore "...Sonho de Voar..." uma material extra muito interessante com as três histórias (em PB) de estreia do personagem na revista Marvelman Nº 25 datada de 03 de fevereiro de 1954. Além destas três histórias há esboços da arte conceitual de Garry Leach (desenhista da fase Moore) para Miracleman, um histórico do personagem e o mais incrível: Uma entrevista que Mick Anglo (aos 94 anos) deu em 2011 ao editor-chefe da Marvel na época Joe Quesada. Um relato simples e cheio de paixão de um velhinho que aos 94 anos via as coisas do passado com a simplicidade que todos nós deveríamos ver.

Edição de estreia de Miracleman (Marvelman) em fevereiro de 1954.

Alan Moore consegue enxergar não apenas o valor histórico dos heróis da Era de Ouro, mas principalmente seu simbolismo. Não é à toa que a fase de Moore abre com uma história de Miracleman intitulada Família Miracleman, ambientada nos anos 50. Essa pequena história não apenas traz o personagem em sua concepção original, mas traz diversos simbolismos sobre uma Era mais simples e inocente, que já trazia consigo pequenos "flashes" da tempestade de desilusão que os anos 70 e 80 trariam.

História ambientada nos anos 50 que dá início à fase de Alan Moore junto ao personagem.

Bom amigos... Infelizmente os quadrinhos atuais obrigam o leitor a comprar, comprar e comprar... Sem isso é muito difícil acompanhar alguma história sem a necessidade de adquirir diversas revistas. Miracleman é talvez uma ótima oportunidade de sentir novamente aquela velha ansiedade para chegar logo o próximo mês e assim termos a continuidade da história. 

Um grande abraço à todos!!

14 comentários:

  1. Oi, Marcelo.... blz?

    Esse material é de altíssima qualidade mesmo.... é Alan Moore em sua melhor forma (no auge dos anos 80)!

    Mas decidi esperar por um futuro encadernado.... nada contra a revista em si (q saiu com ótimo papel (bem superior ás mensais normais), mas por decisão pessoal minha, manterei meu foco da coleção apenas em encadernados daqui pra frente (única exceção pra "Juíz Dredd")!

    Abs!

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    1. Oi Leo!! Blz!!

      Já deu pra ver a qualidade logo no Nº 01. Eu só havia ouvido falar desse material, porém nunca tinha lido. Esse é meu primeiro contato com ele. Mas eu sabia que era bom por ser de Alan Moore em sua melhor fase.

      Sobre os encadernados essa tem sido minha decisão também. Chega de sofrer. Aliás, lendo a Revista Mundo dos Super-Heróis ontem (na qual havia uma entrevista com o Roy Thomas) eu fiquei surpreso com o comentário dele, já que ele foi e é um grande apaixonado por HQs e com um currículo que dispensa apresentações. Na entrevista ele fala que "TENTOU" ler a Era de Ultron" mas desistiu. Disse que não suportou. Ou seja, é uma forma muito diferente de se fazer quadrinhos daquela que estávamos acostumados. Não me admira que o Mark Waid faça tanto sucesso e ganhe tantos prêmios ao inserir elementos da velha guarda em suas histórias.

      Valeu Leo!!

      Marcelo.

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  2. Eu acabei pegando um exemplar pra mim, mais pela repercussão toda. Confesso que apenas conhecia o personagem por nome e nada mais. Assim como o LEO, também poderia optar por um futuro encadernado, mas gosto de revistas mais finas e mensais também. Como tenho muita coisa acumulada para ler, vou deixar essa e as futuras, guardadas.Belo post Marcelo. Abs

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    1. E aí Fernando! Blz, amigo!?

      Eu também só conhecia o personagem de ouvir falar. Embora soubesse da importância dele para as HQs inglesas.

      Parei com todas as mensais Fernando. Cansei da forma das HQs atualmente. Estou me fixando mesmo nos encadernados e em material mais clássico. Mas optei em seguir essa mensal.

      Valeu mesmo Fernando! Um grande abraço, amigo!

      Marcelo.

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  3. Ótima postagem Marcelo! Miracleman tem tudo a ver com a Era de Ouro e você explicou tudo muito bem. Coincidência ou não, assim como você e o Leo, nos comentários acima, também só estou comprando os encadernados. Acho que não fui o único a perceber que as mensais estão muito chatas. Comprei essa edição de Miracleman pensando como você, pois trata-se de uma mitologia totalmente fechada. Espero que não haja cortes de algumas cenas nesta revista, como já li na internet. Um abraço!

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    1. Olá Marcelo...

      Como vai? Obrigado!

      Os bastidores dos Quadrinhos podem ser (muitas vezes) tão interessantes quanto as próprias histórias imaginadas pelos seus autores.

      Em relação às atuais mensais eu teria uma coisa a dizer: Acho que estamos precisando de um novo Jack Kirby ou Stan Lee. Penso que a fórmula adotada na Era Moderna dos Quadrinhos já está se tornando clichê. Penso ainda que precisaríamos de alguns quadrinistas talentosos para, novamente abrir um Novo Horizonte para os Super-heróis.

      Estou apostando nessa mensal como você, Marcelo. Vou torcer também.

      Grande Abraço!!

      Marcelo.

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    2. Pois é, Marcelo, como estávamos comentando antes, as mídias estão muito ligadas atualmente. Os quadrinhos viram filmes que viram videogame que voltam a virar quadrinhos etc. Neste processo frenético, a originalidade às vezes fica para trás. Claro que o processo tem que evoluir, pois o mundo está em constante evolução e quem manda é quem compra, já que no fundo tudo é comércio. Mas, infelizmente, tudo indica que a arte está ficando de lado. Às vezes eu imagino se um Stan Lee ou um Jack Kirby conseguiria surgir nos dias de hoje. Mas vamos ver o que vai dar no futuro! Um abraço!

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    3. É verdade Marcelo...

      As adaptações dos quadrinhos para o cinema talvez tenha sido o último grande evento dos quadrinhos depois dos anos 80. Fico um pouco temeroso que a Marvel ou mesmo a DC acabem se deixando seduzir demais pela Telona e acabem tornando os quadrinhos como uma mídia secundária ao cinema, sendo que deveria ser o contrário. O problema disso é que quando houver uma saturação do cinema as editoras não terão mais para onde se voltar, já que a base (os quadrinhos propriamente ditos) foram totalmente adaptadas para funcionarem à reboque do cinema. Outro ponto perigoso se isso acontecer é que "o quadrinho" sempre foi o celeiro das ideias e das experimentações, que revelou grande histórias, muitas delas inclusive que o cinema se serve hoje. Isso me parece um pouco como "vender a galinha dos ovos de ouro".

      Mas vamos ver. Como vc mesmo aponta as coisas precisam evoluir, não é mesmo?

      Valeu amigo!

      Marcelo.

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  4. É, Marcelo! Infelizmente essa coisa de ter que "comprar, comprar e comprar" eu senti logo que comecei a comprar A SOMBRA DE BATMAN e percebi que eles não anunciaram o fim de uma saga, mas simplesmente interligaram o começo da outra, dando a impressão de que tratava-se ainda da mesma história. Mas é claro que um olhar atento fazia-se perceber que não. Mas achei uma sacanagem isso e parei de comprar. Também vinha comprando alguma coisa do Homem-Aranha, mas as aventuras mais legais acabavam se arrastando por cerca de cinco edições, mais ou menos. Sendo que na revista eles colocavam apenas cerca 20 páginas dela. Então eu comecei a comprar as edições bem antigas dele que também acabam tendo que continuar na próxima edição, porém, na revista havia cerca de 60 páginas dedicadas à saga. Então vejo que saí no lucro, pois li muito mais do que leria em publicações mensais atuais hoje em dia. Não sei o que esses editores tem na cabeça, de fazer com que as histórias se alastrem por tantas edições assim, sendo que acabam publicando uma miséria de páginas dela em cada mês. O resto é recheado de outras histórias. Algumas até legais, mas outras são de artistas "méé´".

    Sobre essa briga com o personagem do Capitão Marvel, foi uma boa solução a criação desse. Isso mostra que uma pessoa pode até tirar um personagem de circulação sob um processo. Mas é só criar outro depois. Não deveria acontecer, mas é uma saída.

    Abraços e tudo de bom!

    Fabiano Caldeira.

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    1. Olá Fabiano! Blz amigo!!??

      Então... Esse jeito de fazer quadrinho deixa o leitor sempre dependente da mídia de forma que precisa comprar e comprar e comprar... O exemplo que você cita da Sombra do Batman é visto em todas as mensais hoje. Isso me deixa irritado porque é como se o consumidor não tivesse a opção de comprar essa ou aquela saga, ou seja, precisa comprar tudo.

      Por isso, penso eu, que os encadernados ganharam tanta força nos últimos anos. O leitor compra um produto com início, meio e fim e não se vê obrigado a continuar comprando para entender o arco. Outro ponto que elevou as vendas dos encadernados foi a baixa qualidade das HQs em relação às do passado. Por isso que encadernados lançados atualmente com material antigo estão entre os mais procurados!!

      Esse negócio de publicar uma ninharia da história por mês é ridículo também. Me irrita muito!!!!

      Sobre o Miraclemen é isso mesmo que você comenta. Sua criação foi uma saída criada pela editora inglesa para aproveitar a onda que havia na época. Comprei recentemente o Nº dessa saga, vou começar a ler. A Saga como um todo foi muito elogiada e estou ansioso para segui-la.

      Valeu mesmo pela presença!! Muito bom encontrar seu comentário e ideias por aqui!!

      Grande abraço!!

      Marcelo.

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    1. Olá José Carlos...

      Grande catálogo. Parabéns... Um acervo excelente.

      Agradeço a presença.

      Abc.

      Marcelo

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