domingo, 28 de setembro de 2014

Miniatura Marvel Nº 40 - Dr. Estranho

Miniatura Marvel Nº 40 - Dr. Estranho

Um dos personagens mais queridos de minha infância é o Dr. Estranho. Um homem que transita entre os limites de nosso mundo físico e espiritual. Criado por Stan Lee e Steve Ditko em 1963, o Dr. Estranho era um personagem diferente de tudo que vinha sendo pensado até o momento de sua criação. Um herói que não se enquadrava na premissa genética a qual os mutantes faziam parte, tampouco fora banhado por raios cósmicos (Quarteto Fantástico) ou recebera doses de radiação de qualquer espécie (Hulk, Homem Aranha...). Ele é na verdade um homem que estudou muito, conquistou a si mesmo e domou as artes místicas nas Montanhas do Tibete. Nessa matéria conheceremos um pouco de sua história e apreciaremos os detalhes desta peça que o representa na Coleção de Miniaturas Marvel.

Miniatura Marvel Nº 40 - Dr. Estranho

A peça traz o Mago Supremo da Terra em seu traje original, idealizado nos primeiros anos de sua carreira na Marvel. Embora muitos personagens (talvez a maioria) tenham atualizado seus uniformes nos últimos anos e décadas, para mim é um grande prazer verificar que a Coleção traz a maioria dos heróis e vilões em sua indumentária clássica. A miniatura do Dr. Estranho tem detalhes importantes e que se destacam. A começar pela boa modelagem de sua roupa, sobretudo de sua túnica, que possui uma consistência mais "fofa" próximo às luvas. Além disso, podemos observar as dobras desta túnica azul logo abaixo da faixa ao redor do quadril. Essa faixa aliás, está bem modelada também, possuindo uma sobra de tecido ondulante que desce do lado esquerdo da cintura do Mago. As mãos estão em um clássica posição de conjuração mágica, colocando a figura em um momento de ataque.

Miniatura Marvel Nº 40 - Dr. Estranho

A capa é outro destaque. Desde pequeno o formato do manto do Dr. Estranho me chama atenção, com suas imensas golas em formato de dois chifres, conferindo um "ar" ao mesmo tempo demoníaco (quando visto de costas) e de poder e introspecção quando visto de frente. Além disso, o manto está com uma modelagem que lhe confere as ondulações características de um tecido grosso e pesado. O famoso, o lendário, Olho de Agamoto está presente prendendo o manto ao peito do herói. Sua presença enriquece e dá consistência histórica à peça, algo que todo fã quer ver no personagem que gosta. Outro ponto que merece destaque são as inscrições presentes na faixa amarela mais externa da capa. Como "runas" místicas, esses desenhos também estão de acordo com o visual que todos nós conhecemos do velho e bom mago. A modelagem do rosto, infelizmente não faz jus ao personagem. Embora o bigode seja sua marca registrada, de alguma forma sua face, da maneira como está, deixa o herói com uma idade e uma aparência não muito poderosa, pelo contrário.

Miniatura Marvel Nº 40 - Dr. Estranho

O Dr. Estranho é na verdade Stephen Strange, um médico cirurgião outrora famoso e arrogante. Ao melhor estilo Marvel, a origem do personagem é marcada pelo processo de derrocada e redenção. Antes de se tornar o herói que conhecemos ele era incapaz de realizar um ato sequer movido por bondade ou altruísmo, tudo o que o dirigia eram sua ambição e o amor pelo dinheiro. Um terrível acidente de carro, no entanto faria com que Strange perdesse determinados movimentos de suas mãos, impedindo-o, para sempre, de operar. Orgulhoso demais para procurar colegas de profissão em busca de uma cura, ou pelo menos um exercício mais "clínico", e não cirúrgico, da medicina, Stephen Strange partiu em busca de um homem que ouvira falar, O Ancião. Ao final de uma penosa jornada pela Montanhas do Tibete, ele encontraria o alvo de sua busca. Em um mosteiro isolado ele conheceria O Ancião que, reconhecendo o orgulho e egoísmo no coração do médico, lhe proporia um outro tipo de tratamento, a possibilidade do aprendizado das Artes Místicas. Talvez O Ancião tivesse reconhecido alguma chama de bondade no coração de Strange, ou talvez ele apenas estivesse preocupado com o fato de seu outro pupilo (o malévolo Barão Mordo) o suceder como grande mago.

Miniatura Marvel Nº 40 - Dr. Estranho

O fato é que Stephen acabaria ficando no mosteiro e, em seu processo de aprendizado, acabaria por se ver transformado em um homem amável e preocupado com o próximo. Após vencer Mordo o Dr. Estranho receberia de seu mentor uma das maiores armas místicas do universo, o Olho de Agamoto. As histórias do personagem fizeram sucesso sobretudo ao longo do anos 60 e 70, décadas imersas em um psicodelismo muito presente nas sagas de Stephen Strange como Mago Supremo. Meu primeiro contato com o personagem se deu na extinta revista Super Aventuras Marvel da Editora Abril no início dos anos 80. Lembro-me inclusive que, aos meus 12 anos de idade, eu quase chorei de alegria ao receber pelo correio o exemplar de Nº 10 da revista que completaria assim minha coleção até ali, e que trazia ninguém menos que o Dr. Estranho na capa. Um tipo de recordação que apenas fãs nerds que conservaram a "chama" acesa dentro de si podem entender.

Miniatura Marvel Nº 40 - Dr. Estranho

Aproveitando o tema "HQs" do personagem, gostaria de lembrar duas delas que me marcaram profundamente. Recentemente pude ver uma delas relançada. "Triunfo e Tormento" possui roteiro de Roger Stern e arte de Mike Mignola e é uma descida aos porões da psiquê do Dr. Destino e do Dr. Estranho. Uma uma história de tragédia, amor e dor. Recomendo!! A 2ª HQ (e que gostaria muito de ver novamente nas bancas) é talvez a que mais tenha me marcada: Shamballa. A história, escrita por J.M. DeMatteis e com fantásticos desenhos de Dan Green, traz o Dr. Estranho às voltas com o mítico lugar citado por muitos textos antigos e sagrados do oriente, Shamballa. Um local secreto e escondido na cordilheira do Himalaia ou próximo à Sibéria. Um lugar de sonho, felicidade e paz. A história consegue captar a essência e o potencial do Mago Supremo e foi lançada no Brasil apenas uma vez dentro da inesquecível coleção de Graphic Novel da editora Abril entre os anos de 1988 e 1992. Assim, Shamballa seria um grande e inesquecível relançamento.

Miniatura Marvel Nº 40 - Dr. Estranho

O Dr. Estranho é ainda um personagem fascinante para mim. Sempre que lembro dele me vem a mesma imagem que tanto me maravilhou inicialmente, ou seja, sua soturna mansão no bairro do Grrenwich Village em Nova York à rua Bleecker Street 177A (mesmo endereço aliás de Roy Thomas, autor de várias histórias do persoangem). Vislumbrar a mansão por fora era pensar: Que estranhos segredos essa mansão, ou seu morador escondem? Que estranhos portais seus corredores, bibliotecas e salões guardam? Pois foi com essas perguntas que o Dr. Estranho entrou para minha preferência de personagens Marvel.

Miniatura Marvel Nº 40 - Dr. Estranho

Ok amigos... Um grande abraço à todos!!

domingo, 21 de setembro de 2014

Coleção Carros Inesquecíveis do Brasil - Lista de Miniaturas - EXPANDIDA! Atualizado Janeiro/2017

Nº 01 ao 12
Nº 01 - Opala - 1976; Nº 02 - Fusca - 1961; Nº 03 - Rural Willys - 1968; Nº 04 - Ford Maverick  GT - 1974; Nº 05 - Volkswagen Karmann-Guia - 1962; Nº 06 - DKW-Vemag Belcar - 1965; Nº 07 - Simca Vedette Chambord - 1960; Nº 08Volkswagen Gol BX - 1981; Nº 09Volkswagen Kombi T2 - 1976; Nº 10Ford Del Rey Ouro - 1982; Nº 11Volkswagen Brasília - 1975; Nº 12Dodge 1800 SE - 1975.

A Coleção Carros Inesquecíveis do Brasil chegou ao Brasil pela Editora Planeta DeAgostini no 1º semestre de 2012 e desde então foi lançada em várias cidades. Sou assinante desde seu início e posso dizer que a coleção serve desde ao profundo conhecedor de automóveis (que não é o meu caso) até às pessoas que enxergam nos veículos que passaram por nosso país, uma forma de narrar histórias de infância, juventude e vida adulta de maneira afetiva e nostálgica (categoria esta na qual me enquadro). Há algum tempo e, atendendo à alguns pedidos aqui no Blog, eu estava querendo trazer a sequencia de miniaturas que compõem essa incrível e histórica coleção.

Nº 13 ao 24
 Nº 13 - Puma GTE Coupé - 1973; Nº 14 - Chevrolet Chevette - 1974; Nº 15 - Ford F-100 Pick-Up - 1978; Nº 16 - Fiat 147 - 1979; Nº 17 - Renault Willys Gordini - 1965; Nº 18 - Alfa Romeo FNM JK 2000 - 1967; Nº 19Volkswagen Variant - 1969; Nº 20Ford Galaxie 500 - 1967; Nº 21Gurgel Xavante - 1972; Nº 22Volkswagen SP2 - 1973; Nº 23Simca Esplanada - 1966; Nº 24Bugre I - 1970.

Abrangendo os veículos que fizeram parte da vida de um grande número de cidadãos brasileiros, os modelos da coleção contemplam lançamentos da indústria automotiva dos anos de 50, 60, 70, 80 e 90. Décadas que, em minha opinião, produziram veículos que realmente se diferenciavam entre si em se tratando de design. Digo isso porque ao olhar para os automóveis de hoje em dia vejo-os muito parecidos entre si em concepção e design. Analisando, no entanto os veículos que compõem a coleção é incontestável a variedade de estilos e formatos, o que trazia uma maior riqueza de opções e estilos.

Nº 25 ao 36
Nº 25Volkswagen Passat - 1975; Nº 26Ford Belina II - 1980; Nº 27Volkswagen TL - 1972; Nº 28Dodge Dart - 1975; Nº 29Ford Corcel - 1970; Nº 30Chevrolet Veraneio - 1965; Nº 31Toyota Bandeirante - 1967; Nº 32Fiat Uno - 1983; Nº 33Chevrolet Diplomata 4.1S Caravan - 1988; Nº 34Willys Interlagos - 1963; Nº 35Volkswagen Fusca - 1985; Nº 36Alfa Romeo 2300 - 1975.

Mais do que a oportunidade de conhecer a mecânica e a história de cada veículo (algo que pode ser feito através do fascículo que acompanha cada miniatura), a grande e fascinante característica desta coleção é enxergar a nossa história através de modelos e estilos. Quando olho para um modelo dos anos 70, por exemplo consigo reconhecer as aspirações e desejos das pessoas que viviam naquela época. Isso acontece com cada modelo de cada época. Essa análise mais sociológica, no entanto se confunde também com a perspectiva afetiva. Passei minha infância na 2ª metade dos anos 70, início dos anos 80, portanto olho alguns desses modelos e reconheço muito da minha infância, juventude a até início da vida adulta. O Toyota Bandeirante, por exemplo foi o modelo no qual meu pai me ensinou a dirigir. Já o Ford F-100 Pick-Up foi o veículo que, por pelo menos uma década, meu pai dirigiu em seu trabalho de administrador rural.

Nº 37 ao 48
 Nº 37Chevrolet 3100 Picape - 1958; Nº 38DKW – Vemag Vemaguet - 1964; Nº 39Volkswagen Kombi 1200 - 1957; Nº 40Fiat 147 Panorama - 1980; Nº 41Miura Sport - 1977; Nº 42Brasinca 4200 GT Uirapuru - 1964; Nº 43Willys Itamaraty - 1967; Nº 44Chevrolet Opala 2500 - 1969; Nº 45Volkswagen Parati - 1983; Nº 46Willys Aero Willys - 1966; Nº 47Malzoni GT - 1965; Nº 48 –  Volkswagen 1600 - 1969.

Além dos aspectos técnicos, afetivos, nostálgicos, pessoais e históricos que a coleção evoca não posso deixar de comentar que os modelos ficam muito bem em expositores. A Planeta DeAgostini possui pacotes de assinaturas para todo o Brasil e no 1º semestre de 2014 decidiu dar continuidade à coleção para além da peça de Nº 50 (número que encerraria a coleção), prorrogando-a para até o Nº 75. Sendo assim, pretendo, futuramente, completar essa postagem com as demais peças. Outro ponto que vale lembrar a todo colecionador que eventualmente venha a ler essa matéria, é que a ordem das peças pode ser um pouco diferente dependendo da época em que você iniciou a compra dos modelos, ou seja, no início de seu lançamento em 2012 ou depois. Isso porque a editora alterou a ordem de 2012 pra cá, possivelmente por motivos logísticos.

Nº 49 ao 60
Nº 49Ford Corcel II - 1980; Nº 50 –  Chevrolet Monza - 1988; Nº 51Miura Targa - 1982; Nº 52Gurgel BR-800 SL - 1991; Nº 53Ford Escort XR3 - 1990; Nº 54Volkswagen Santana - 1985; Nº 55Chevrolet Marajó 1.6 - 1989; Nº 56Fiat Elba - 1986; Nº 57Chevrolet Ipanema - 1991; Nº 58 - Volkswagen Gol GTI - 1989; Nº 59 - DKW-Vemag Candango - 1961; Nº 60 - Chevrolet Amazonas - 1963.

Bom amigos, espero que a matéria sirva como fonte de consulta e auxílio à todos àqueles que gostam de carros, seja em seu aspecto técnico, emocional ou histórico. Abaixo segue a atualização desta matéria com os últimos modelos da coleção que se encerra no Nº 100 com chave de ouro ao trazer a Volkswagen Kombi Limited Edition - 2013 (!!).

Bom... Como poderão ver abaixo esta coleção foi expandida para mais 25 edições. Portanto esta matéria foi reativada. Agora vamos seguir juntos acompanhando esta expansão.

Nº 61 ao 72
Nº 61Dodge Charger R-T - 1975; Nº 62Chevrolet Kadett - 1991; Nº 63Ford Pampa - 1989; Nº 64Chevrolet Omega CD - 1992; Nº 65Volkswagen Voyage - 1983; Nº 66Volkswagen Kombi CD - 1981; Nº 67Ford F-75 - 1980; Nº 68Simca Jangada - 1962; Nº 69Willys Jeep CJ5 - 1963; Nº 70 - Chevrolet Chevette GP II - 1977; Nº 71 - Fiat 147 Pick-up - 1979; Nº 72 - DKW-Vemag Fissore - 1967.

Nº 73 ao 84
Nº 73Fiat Prêmio - 1987; Nº 74Chevrolet Corsa 1.0 - 1994; Nº 75Chevrolet Bonanza - 1989; Nº 76Renault Twingo - 2000; Nº 77 - Chevrolet Vectra II - 1997; Nº 78 - Peugeot  205 GTI - 1986; Nº 79 - Romi-Isetta - 1956; Nº 80 - Volkswagen Saveiro - 1982; Nº 81 - Renault Clio - 2000; Nº 82 - Ford Corcel GT - 1971; Nº 83 - Lada Niva - 1991; Nº 84 - Gurgel X12 TR - 1979.


Nº 85 ao 96
Nº 85 - Willys Interlagos - 1963; Nº 86 - Gurgel Carajás - 1986; Nº 87 - Renault 1093 - 1964; Nº 88 - Simca Rallye - 1962; Nº 89 - Volkswagen Passat TS - 1976Nº 90 - DKW-Vemag Belcar - 1967; Nº 91 - Fiat Tipo 1.4 i.e. (1995); Nº 92 - FNM 2150 - 1971Nº 93 - Volkswagen Fusca Conversível - 1973; Nº 94 - Ford Fiesta - 1996Nº 95 - Volkswagen Passat GTS Pointer - 1984; Nº 96 - Puma GT - 1967.

Nº 97 ao 108
Nº 97 - Dodge Dart SE - 1972Nº 98 - Volkswagen 1600S Bizorrão - 1974; Nº 99 - Chrysler Esplanada GTX - 1968; Nº 100 - Volkswagen Kombi Limited Edition (2013); Nº 101 - Ford Maverick 4 Super Luxo - 1977; Nº 102 - Lada Laika 2105 - 1991; Nº 103 - Chevrolet Kadett GSI - 1994; Nº 104 - Ford F250 - 2000; Nº 105 - Suzuki Sidekick Canvas Top - 1995; Nº 106 - Honda Civic Lx - 1993; Nº 107 - Fiat Fiorino - 2001; Nº 108 - Hyundai Tucson - 2006. 

Nº 109 ao 120
Nº 109 - Mitsubishi L200 - 2007; Nº 110 - Willys Jeep CJ3B - 1954; Nº 111 - Fiat Uno Turbo I.E. - 1994; Nº 112 - Agrale Marruá - 2006; Nº 113 - Volkswagen Kombi T2 Camper - 1976; Nº 114 - Toyota Bandeirante Cabine Dupla - 1994; Nº 115 - Volkswagen Kombi T2 Comercial - 1976; Nº 116 - ; Nº 117 - ; Nº 118 - ; Nº 119 - ; Nº 120 - .

Nº 121 ao 125
Nº 121 - ; Nº 122 - ; Nº 123 - ; Nº 124 - ; Nº 125 - .

 Um grande abraço à todos!!

sábado, 13 de setembro de 2014

Carrie - A Estranha


Recentemente assisti ao Remake de "Carrie - A Estranha", lançado em 2013 e estrelado por uma atriz que gosto muito no papel de Carrie (Chloë Grace Moretz). Carrie é na verdade o 1º livro do fantástico e imortal escritor americano Stephen King. Publicado em 1974 Carrie é extremamente atual ao abordar questões importantes que permeiam nossa sociedade tendo como pano de fundo o sobrenatural dom da menina Carrie. Stephen King conseguiu destilar em Carrie toda inocência e beleza que envolve um momento muito peculiar de toda menina que chega à puberdade. A passagem da infância para a vida biologicamente adulta é tratada com o respeito e delicadeza que o tema merece. No entanto, espreitando na escuridão há um mal que visa destruir tudo que é belo e inocente. Esse mal? O próprio "Ser Humano". Ao assistir a versão de 2013 não pude resistir ao ímpeto de revisitar a obra cinematográfica original de 1976, tendo como atriz a incrível Sissy Spacek no papel de Carrie e na direção o famoso Brian De Palma.


Embora Chloë Moretz faça um bom trabalho no recente remake, devo dizer que nada se compara a personificação de Carrie por Sissy Spacek. A sequencia que abre o filme de 1976 é sublime e mostra um vestiário feminino em que várias garotas que acabaram de tomar banho estão se trocando e brincando umas com as outras. Sozinha e isolada, Carrie toma seu banho embalada por uma música incrivelmente bela que dá a dimensão do quão sensível e único é a adolescência para toda menina. A sequencia inicial termina com Carrie percebendo que sangue escorre de sua virilha, ou seja, ela ficara menstruada pela primeira vez e não tem ideia do que é aquilo. Criada por uma rígida mãe Evangélica, Carrie vivera até então superprotegida em um ambiente religioso e castrador ao extremo. Seu pavor ao ver sangue sair de si mesma, traz consigo o seguinte pensamento: "Estou morrendo".


Logo em seguida se manifesta o problema que permeia todo o filme: o Bullying. Carrie experimentará ao longo do filme a face cruel  e maléfica do ser humano que ataca o próximo simplesmente por ele ser diferente. Mas há mais coisas que Stephen King quer mostrar em seu livro e que é traduzido no filme de 1976. Em minha opinião King usa Carrie para comunicar algo que a própria humanidade já reconheceu de certa forma, que as mulheres realmente possuem um sexto sentido, um dom, uma intuição que vai além das análises superficiais do hermético mundo masculino. Um dom que chega para as mulheres quando da sua entrada na vida adulta, marcada pela 1ª menstruação. No caso de Carrie esse dom parece amplificado e sobrenaturalmente presente. Assim, a "Menstruação" é a "Telecinesia" de Carrie são usadas como metáfora para a entrada nesse mundo adulto e para comunicar o sexto sentido feminino, respectivamente.


Só esses dois assuntos já seriam incrivelmente pertinentes e atuais (o Bullying e o Universo Adolescente Feminino), no entanto King vai além ao destrinchar o desabrochar do coração adolescente no envolvimento de Carrie com um dos garotos mais populares do colégio, que se aproxima da esquisita Carrie por insistência de sua namorada. De certa forma eles querem compensar toda intimidação que ela sofre todos os dias. Carrie se vê então sentindo a esperança de ser simplesmente "Normal" e aceita entre as pessoas. Novamente King mostra aqui o qual poderoso é o sentimento que nos move na direção da aceitação social. Como desejamos ser inseridos e queridos.


Mas como disse no início da matéria algo espreitava Carrie à distância: a inveja e a ira daqueles que não querem aceitar "diferentes" em seu meio. O desfecho do filme deve ser assistido e contemplado em toda sua fúria, quando Carrie é levada ao limite de sua dor e vergonha por ser diferente. Todo poder da menina é liberado numa noite de pesadelo criado pelos invejosos à sua volta.


O que faz de Carrie - A Estranha uma obra prima é o respeito, beleza e crueza com que King mostra os assuntos que comentei acima. O filme ou livro pode ser visto ou lido como sendo apenas uma obra de Terror, e caso o espectador ou leitor faça isso, mesmo assim será uma experiência incrível, no entanto a obra é mais do que isso. Quando se observa as verdades que Stephen King quer comunicar, a história ganha outro patamar, de maneira que o Terror passa ao 2º ou até 3º plano. Na versão cinematográfica de 1976 outro interessante achado é ver a estreia de um jovem e ainda inseguro ator: John Travolta, com apenas 22 anos.


A versão de 2013 não decepciona. É um bom filme. E Chloë Moretz se esforça para interpretar uma Carrie verossímil e em sintonia com o drama da personagem, porém coloco a adaptação cinematográfica de 1976 como sendo a definitiva da obra de Stephen King.


 
Bom amigos... Um grande e eterno clássico de Stephen King que recomendo que seja conhecido ou revisto!

domingo, 7 de setembro de 2014

Miniatura DC Nº 12 - Supergirl

Miniatura DC Nº 12 - Supergirl

Kara Zor-El é a prima do Homem de Aço. Proveniente do Planeta Krypton, a Supergirl é o que o Superman pode chamar de sua família na Terra. Com uma história parecida com a de seu famoso primo, a Supergirl foi criada em 1959 ainda sob a antiga percepção que existia nos quadrinhos (sobretudo das Eras de Ouro e de Prata) de que o Universo Mitológico de um Super-herói de sucesso deveria ser expandido criando-se familiares para ele. Exemplos não faltam: Capitão Marvel (Shazam) e toda sua família, Capitão Marvel Jr. e Mary Marvel; Batman e os diversos heróis correlatos, Bat-Girl, Bat-Mirim; entre outros. Assim, a existência da prima do Superman nos dias de hoje é para mim motivo de reflexão sobre o quanto um herói ou heroína desse tipo ainda é relevante sob a moderna ótica do leitor de quadrinhos.

Miniatura DC Nº 12 - Supergirl

Particularmente não vejo com bons olhos a criação de heróis tendo como base outros de maior sucesso. Fica sempre a ideia de uma tentativa de se "pegar carona" no sucesso de um personagem famoso. Isso sempre acaba soando como uma criação "caça-níquel" oportunista. A existência desses heróis associados (primos, irmãos e tios do herói principal) nos anos 40, 50 e 60 (Eras de Ouro e Prata das HQs) fazia sentido ao analisarmos o perfil dos leitores da época, que era sobretudo infantojuvenil. Assim, essa maneira de se criar novos heróis poderia ser justificada em função da identificação que as crianças já possuíam por um Super-herói de sucesso. Atualmente, para que um personagem secundário, criado a partir de um principal, ganhe relevância é necessário fundamenta-lo dentro de uma premissa bem construida. Caso contrário a sensação será a de oportunismo sem sombra de dúvida.

Miniatura DC Nº 12 - Supergirl

Sob essa ótica, não consigo justificar a existência desta personagem dentro de uma abordagem mais contemporânea. As explicações que temos para sua existência ainda não satisfazem (em minha opinião) a mente dos leitores da atualidade. A Warner deverá trabalhar bem o roteiro da nova série que recentemente anunciou (Supergirl) para que faça algum sentido. Caso contrário, as chances de se tornar um folhetim adolescente será grande. De qualquer forma Supergirl tem sua importância se a analisarmos sob o contexto geral das histórias em quadrinhos da DC. A peça que a representa dentro da Coleção de Miniaturas de Metal da DC não trouxe grandes atrativos em minha opinião, exceto 01.

Miniatura DC Nº 12 - Supergirl

Refiro-me à capa que pende dos ombros da heroína adolescente. Grande, bem pintada e muito bem moldada, essa capa é uma das melhores em termos de grandeza e símbolo de poder. Sua coloração "vermelho vinho" ajuda bastante para conferir um ar de nobreza que até nem combina tanto com a premissa de herói adolescente dentro da qual Kara Zor-El está inserida. Esse ar adolescente, inclusive, é ressaltado pelo tamanho e tipo de saia que ela usa. Um acessório típico de jovens meninas que frequentam internatos e que querem parecer contraventoras ao usa-las mais curtas. Esse visual atesta claramente as intenções por trás da personagem. Torna-la um símbolo identificável para um público que em geral se interessa pouco por quadrinhos: o público feminino mais jovem.

Miniatura DC Nº 12 - Supergirl

O pai de Kara era Zor-El, irmão de Jor-El (pai do Superman). Zor-El, apesar de possuir uma grande amizade por seu irmão, discordava dele quanto à criação da Zona Fantasma. Um local além do tempo e do espaço para onde seriam enviados os criminosos de Krypton. De qualquer forma a visão que prevaleceu foi a de Jor-El. Durante a destruição do Planeta Krypton, Zor-El enviou sua pequena filha (Kara) para a Terra no encalço do primo (Kal-El). A intenção de Zor-El por trás do envio da filha é uma das mais ridículas (em minha opinião). Ele a enviou para matar o pequeno Kal-El e assim livra-lo de uma possível vingança dos vilões presos na Zona Fantasma. Uma premissa ridícula porque se você quer proteger alguém, matar esse alguém não é a forma mais inteligente.

Miniatura DC Nº 12 - Supergirl

Kara chegou à Terra muito tempo depois do primo porque sua nave foi colhida por um pedaço do Planeta Krypton e se desviou de sua rota, deixando-a mais longa. Assim, 30 anos após a chegada do Superman à Terra, chegava na baia de Gotham o asteroide com a nave de Kara em seu interior. A verdadeira missão da Supergirl (matar o primo) permaneceu adormecida em seu subconsciente e assim ela foi adotada por ele e desenvolveu-se sob a tutela de 03 grandes heróis da DC: Superman, Batman e Mulher-Maravilha. Esta última inclusive tornou-se mentora de Supergirl, levando-a para ser treinada junto às Guerreiras Amazonas da Ilha de Themyscira. O fato é que, por incrível que pareça, Kara teve muita dificuldade em sua carreira de heroína, cometendo muitos erros.

Miniatura DC Nº 12 - Supergirl

Seus erros, sua falta de confiança e sobretudo uma dificuldade de entender sua vinda para Terra, fizeram de Kara uma Super-heroína que foi até mesmo rejeitada por duas equipes adolescentes: os Novos Titãs e os Renegados. Nesse processo apenas poucas pessoas conseguiram se conectar emocionalmente com a adolescente Kryptoniana, dentre elas as heroínas Poderosa e Moça-Maravilha (Cassie Sandsmark), além da esposa do Superman, Lois Lane. Porém, foi a experiência que Kara viveu no futuro ao lado da equipe de Super-heróis adolescentes chamada "A Legião dos Super-heróis" é que concedeu à ela confiança e senso de responsabilidade renovados. Isso, somado à compreensão de seu passado em Krypton e sua razão de ter vindo para Terra, é que permitiram à jovem encontrar seu lugar entre os demais. Isso corrobora a ideia de que temos paz apenas quando passamos a ter uma maior compreensão de quem somos.

Miniatura DC Nº 12 - Supergirl
Bom amigos... É isso aí!! Grande abraço à todos!