sábado, 31 de maio de 2014

Coleção Histórica Marvel - Parte IV: Homem-Aranha.


Recentemente comentamos aqui sobre a Coleção Histórica Marvel (CHM) que trazia os 04 primeiros volumes dedicados ao Homem-Aranha. Anteriormente tivemos outros 04 dedicados aos Vingadores. A CHM é, definitivamente, um formato de sucesso que traz histórias clássicas à preços razoáveis, com acabamento diferenciado e uma interessante caixa-arquivo de papelão customizada para acondicionar os volumes e coloca-los na estante. Nessa postagem veremos a sequencia lançada entre janeiro e março de 2014.


Mantendo a proposta dos 04 primeiros volumes do Aranha, essa continuidade procura estabelecer, de igual modo, uma temática específica em cada encadernado. Esso é uma forma interessante de se agrupar histórias antigas, já que seria muito difícil lança-las na ordem que saíram originalmente, pois teríamos que esperar o lançamento desta ou daquela história até chegar no ponto de interesse pessoal de cada um. Pelo menos dessa forma se tem um material agrupado em uma ordem que obedece os confrontos com determinado vilão específico, ou então saga específica.


O 1º volume (Nº 05) que compõe essa caixa-arquivo obedece a numeração iniciada no primeiro lançamento da CHM do Aranha. Sendo assim é contado como volume 05. O encadernado traz histórias que tratam dos combates envolvendo o Escalador de Paredes e um importante vilão de sua mitologia: O Abutre. Além disso, quem dá as caras também é Kraven, O Caçador, o vilão que todos conhecem como aquele que sempre quis ter a honra de ser o 1º a vencer o Teioso. O Encadernado contempla histórias originalmente publicadas em The Amazing Spide-Man 48, 49, 63, 64, 224, 240 e 241. Ao observarmos essa numeração já temos a ideia de que as histórias abrangem um longo período de tempo que vai de 1967 à 1983! Infelizmente apenas esse encadernado traz as capas das revistas originais nas quais essas histórias foram lançadas. Nos demais volumes as histórias iniciam sem as capas originais.


O 2ª encadernado (Nº 06) traz a ascensão do Rei do Crime (Wilson Fisk) e seus embates com a Teioso. Com o afastamento do Escalador de Paredes de sua luta contra o crime em função das inúmeras acusações que recaem sobre ele em função de suas atividades justiceiras à margem da lei, Fisk ascende no controle do submundo e passa a representar perigo à tudo e à todos. Trazendo as histórias publicadas originalmente na revista The Amazing Spider-Man 50, 52, 83, 84, 85, 130 e 131, o encadernado contempla o período que vai de 1967 à 1974.


Reunida no 3º volume desta caixa (de Nº 07) temos uma saga completa envolvendo os segredos de um artefato ancestral (A Placa de Argila). Com participação também do Rei do Crime essa saga foi publicada originalmente na revista The Amazing Spider-Man 68, 69, 70, 71, 72, 73, 74 e 75, ao longo de todo o ano de 1969. O Homem-Aranha no seu auge.


Por fim o 4º encadernado (Nº 08) traz alguns dos primeiros encontros entre o Aranha e alguns dos mais emblemáticos personagens do 2º escalão da Casa das Ideias, dentre eles: Luke Cage, Homem de Gelo, Punho de Ferro, Viúva Negra, Nova, Nick Fury e Shang-Chi - O Mestre do Kung-Fu. É interessante notar as primeiras interações entre personagens tão conhecidos e icônicos para os fãs. O volume reúne as histórias publicadas originalmente em The Amazing Spider-Man 86, 92, 123, 171; Marvel Team-Up 31, 83, 84, 85 e Nova 12. Abrangendo um período de 1971 à 1979.


A possibilidade de se ter esse conjunto de histórias do Aranha de uma época em que alguns dos lendários quadrinistas da Indústria dos Quadrinhos ainda estavam em atividade (Stan Lee; Gerry Conway; Marv Wolfman; Len Wein; John Romita; Gil Kane; Sal Buscema; Chris Claremont, dentre outros) é uma grande oportunidade. Vale ressaltar também a abrangência de alguns encadernados, ou seja, entre a 1ª e a última história de determinado volume, às vezes se tem mais de uma década! Isso nos permite observar uma diferença não apenas de estilo e de narrativa gráfica, mas também uma mudança de pensamento e abordagem dos personagens, passando de histórias mais simples para algumas envolvendo maior complexidade dramática e psicológica.

É isso aí amigos! A boa notícia é que já temos programado pela PANINI o lançamento de uma coleção análoga à essa dos X-Men. Oportunidade incrível também de se entrar em contato com material clássico de 1ª qualidade dos mutantes.

Abraço à todos!!

sábado, 24 de maio de 2014

Capitão América 02 - O Soldado Invernal



Passadas algumas semanas do lançamento de Capitão América 02 - O Soldado Invernal, podemos ter uma ideia (em perspectiva) da sua qualidade, impacto e ambições. Direção firme, personagens coesos e acima de tudo uma trama envolvente fizeram do filme um sucesso de público e crítica. Qualquer leitor antigo de quadrinhos com uma memória mínima deve ver tudo isso como um grande sonho realizado. Alguém que viveu as produções fracas e sem sentido dos anos 80 e 90 não pode deixar de agradecer aos céus o tratamento que é dado hoje aos personagens no cinema. Até mesmo adaptações não tão bem recebidas pelo público atualmente são, sem sombra de dúvida, melhores que aquelas que tínhamos no passado. Exceção (logicamente) seja feita à Superman I e II, de 1978 e 1980, respectivamente.


Já confessei aqui anteriormente meu apreço pelo Capitão América, pois o considero um herói à moda antiga. Um personagem que conseguiu passar ao largo da escuridão, angústia e complexidade da Era Moderna dos Quadrinhos e de certa forma manteve seus ideais e sua visão de mundo intactos. Um mundo onde o mal e o bem são mais facilmente identificados. Há muito eu abandonei a visão de que ele seria um "garoto de recados" do Tio Sam, pois em várias ocasiões ele provou que seus ideais estão acima, inclusive, do seu país. Sendo assim, tive muita dificuldade em aceitar Chris Evans no papel de Steve Rogers. Confesso que essa dificuldade vinha do fato de ser complicado abandonar a visão de "playboy" que eu fazia do ator. Sobretudo em função de sua atuação como o irresponsável, inconsequente e mimado Tocha Humana no "Quarteto Fantástico" da Fox. Com esse último Capitão América percebo, no entanto que Evans se aproxima da índole amável e talvez até melancólica de Steve Rogers, um homem anacrônico, que tenta se adaptar à um mundo que lhe impõe uma visão muito diferente daquela na qual ele cresceu.


Com uma interpretação mais à vontade Evans consegue desenvolver bem o personagem dentro desse escopo acima (um dos principais do personagem em minha opinião). O roteiro traz uma atmosfera de espionagem na qual o Capitão já se mostrou bem à vontade, se lembrarmos da fase de Ed Brubaker nos quadrinhos. Ação, humor, drama e efeitos estão bem balanceados e acredito que finalmente os diretores e estúdios perceberam duas coisas básicas, mas que teimavam em ignorar: 1º - É imprescindível que se mantenham intactas a mitologia e as bases sobre as quais os personagens foram criados; e 2º - Deve-se entender que efeito especial é apenas uma ferramenta para dar apoio à um bom roteiro. Infelizmente muitos estúdios ainda insistem em desobedecer essas verdades pétreas, como é o caso da Fox em relação ao já "mal falado" futuro reboot do "Quarteto Fantástico" nos cinemas.


Um elenco muito bom também contribuiu para o resultado positivo do filme. O Soldado Invernal do título é um vilão/anti-herói complexo e interessante ao esconder a identidade do antigo parceiro de Steve Rogers na 2ª Guerra Mundial. Sebastian Stan consegue interpretar bem o personagem e, em minha opinião, não desapontou. Destaque também eu dou para o maior desenvolvimento da relação entre Steve Rogers e a Viúva Negra, que finalmente pôde mostrar um pouco mais de sua personalidade dentro do universo cinematográfico da Marvel. Sua relação com Rogers é construida com cuidado e oscila entre sedução e uma real preocupação de amiga.


Destaque também deve ser dado pela participação de Anthony Mackie como Falcão. Grande parceiro do Capitão, sobretudo nos quadrinhos nos anos 70/80, o Falcão era um personagem que, caso não fosse bem trabalhado poderia parecer deslocado e fora do "timing". Principalmente porque sua grande participação ao lado de Steve Rogers nos anos 70 era calcada na militância que Sam Wilson tinha junto à movimentos civis de periferia, sobretudo envolvendo a causa do racismo. No entanto, o Falcão aparece bem colocado no filme e sua antiga militância é substituída pela sua atuação à frente de Grupos de Ajuda, como pode ser muito bem visto em uma das sequencias do filme.


Ainda sobre o Falcão, outro ponto a ser comentado é a real amizade que ele desenvolve com Steve ao longo do filme. Algo a ser comemorado em tempos de banalização digital das amizades. Sua dedicação ao amigo é grande e sincera. Os demais atores do filme também estão bem: Samuel L. Jackson dispensa comentários como Nick Fury, e Robert Redford e Toby Jones como Alexander Pierce e Dr. Arnim Zola, respectivamente, também não decepcionam. 



De toda forma, Capitão América 02 - O Soldado Invernal conseguiu a difícil tarefa de agradar uma plateia cada vez mais exigente formada por uma legião de fãs cada vez mais crítica. Acredito que em algum momento o interesse dos grande estúdios pelos Super-Heróis diminuirá. Isso por si só inviabilizará a continuidade de produções milionárias e cheias de efeitos especiais de última geração. Uma ótima saída seria os estúdios focarem no universo mais intimista de cada personagem em filmes mais baratos e em séries para TV. Algo que de certa forma já temos começado a ver com "Marvel - Agentes da Shield" pela Marvel e "Arrow" pela Warner, além das vindouras séries "Agente Carter", "Gotham", "Constantine" e "Flash". Fora isso gostaria muito de ver ótimos personagens de 2º escalão da Marvel estrelando filmes que, embora mais baratos, poderiam focar especificamente no segmento de fãs propriamente dito, tais como: Punho de Ferro; Cavaleiro da Lua; Demolidor; Namor, dentre outros. Acho que esse seria um grande futuro!!


De qualquer forma, antes desse cenário acontecer, acho que ainda teremos ótimos e grandes Blockbusters pela frente! Bom amigos... Como já comentei antes, as opiniões expressas aqui são pessoais e passíveis de serem diferentes das de outros. O importante é comentarmos e dialogarmos sobre esse incrível universo!

Abraço à todos!

quinta-feira, 22 de maio de 2014

A Saga Fundação - Parte IV: LIMITES DA FUNDAÇÃO


Após 30 anos do lançamento da Trilogia da Fundação, Isaac Asimov retomaria sua Epopeia Galáctica em 1982 com o livro Limites da Fundação. Depois dos eventos narrados em seus três primeiros livros (todos lançados nos anos 50) Fundação, Fundação e Império e Segunda Fundação, o autor mostraria grande vigor narrativo com essa continuidade. Limites da Fundação dá prosseguimento à uma história que narra acontecimentos num futuro longínquo da humanidade. Nos três primeiros livros da série nos é apresentada a derrocada do poderoso Império Humano Galáctico que acaba por ruir sob seu próprio peso, dando lugar à um novo projeto de humanidade. Algo novo, maravilhoso chamado Fundação. Uma colônia de seres humanos que, em seu isolamento, seria o embrião de um novo Império. Uma sociedade que tentaria evitar os erros do passado, a corrupção, os desejos irrefreáveis pelo poder, a ganância. E para salvaguardar esse grande projeto de futuro, a Fundação tinha o Plano Seldon. Um intrincado plano matemático estabelecido a partir das leis de uma nova ciência: a Psico-História. Uma ciência capaz de prever e contornar as armadilhas sociais, econômicas e bélicas de uma sociedade em formação. Assim foi a TRILOGIA DA FUNDAÇÃO.


Em Limites da Fundação haviam se passado 500 anos desde que a Colônia Fundação fora estabelecida no longínquo Planeta Terminus e se tornara uma grande e poderosa Federação. Boa parte dos mundos habitados da Galáxia eram afiliados ou subordinados à Grande Fundação. No entanto, alguns começam a ter dúvidas da validade do Plano Seldon, dentre eles o jovem Conselheiro Golan Trevize. Após expor seus pontos de vista Trevize é exilado e mandado para uma busca sem sentido pela Galáxia para encontrar o mítico e lendário planeta no qual, segundo as lendas antigas, a humanidade teria se originado e, a partir do qual, as primeiras ondas de colonização humana haviam partido há milhares de anos: um planeta conhecido apenas como TERRA.


Acompanhado do acadêmico Janov Perolat, Golan Trevize inicia uma busca que lhe revelará segredos insondáveis a respeito da Galáxia e que não passa despercebida dos membros da misteriosa Segunda Fundação: a segunda colônia humana estabelecida na mesma época da Fundação original, porém formada por psicólogos que desenvolveram suas mentes na incrível arte de ler emoções.


Com uma escrita mais ágil e perspicácia, Isaac Asimov elabora uma intrincada trama na qual tudo converge para planos escondidos há milênios, e faz o leitor duvidar das conclusões que tirara anteriormente ao longo da série. Sem dúvida nenhuma uma excelente continuidade. 

Há algum tempo a Editora Aleph vem, corajosamente, investindo no lançamento de clássicos da Ficção Científica e, assim como nos seus lançamentos anteriores, fez um ótimo trabalho na série Fundação. Produzindo livros com um lay-out temático atrativo e ótimo acabamento. A propósito, em recente contato que fiz com a editora recebi a grande notícia que o último livro da Série Fundação (Origens da Fundação) estará chegando às livrarias em Agosto de 2014!!

Em breve aqui no Blog veremos a continuidade da saga com "Fundação e Terra".

Abraço à todos.

sábado, 17 de maio de 2014

Homem-Aranha 02 - A Ameaça de Electro


Homem-Aranha 02 - A Ameaça de Electro tinha tudo para ser um filme mediano. A tímida performance do primeiro filme de 2012 sob a ainda incerta interpretação do ator Adrew Garfield somada a dificuldade em se desenvolver uma boa história lançavam sombras sobre essa continuação. Soma-se a isso os bombásticos sucessos que o Marvel Studios vem liderando em se tratando de filmes de Super-Heróis, intimidando assim qualquer estúdio à fazer algo do mesmo nível. Tudo isso me fez ir ao cinema com poucas expectativas para assistir Homem-Aranha 2. Porém, ao término do filme fui invadido pela agradável sensação que se tem quando algo supera positivamente suas expectativas. O filme consegue alcançar êxito na difícil tarefa de se equilibrar drama, ação e personagens mais profundos e críveis, sem deixar de lado o "cânone" oficial de um dos mais emblemáticos heróis da Marvel.


O filme abre com uma sequencia bem interessante (em minha opinião) na qual o diretor tenta inserir o espectador dentro do ritmo frenético do Escalador de Paredes ao saltar de um prédio a outro. A ideia é a plateia experimentar um pouco do que seria acompanhar os vertiginosos voos do personagem pela cidade. A proposta do filme em trazer diversos vilões soou estranho para mim inicialmente, pois pareceu-me uma tentativa de aumentar lucros trazendo mais personagens, o que definitivamente não funcionaria se tudo não estivesse amarrado com um bom roteiro. Embora o Electro do título e os demais vilões marquem presença, para mim as interpretações mais sólidas dos personagens é que fizeram a diferença. Adrew Garfield aparece mais confortável na pele do Amigão da Vizinhança e vemos Peter Parker se transformar lentamente em alguém mais adulto.


A química entre Garfield e Emma Stone (Gwen Stacy) funciona e a atriz supera (em minha opinião) o estigma de "apenas mais um rosto bonito". Havia muito receio de minha parte que a produção do filme se recusasse a manter a mitologia original do personagem e desse um outro destino à Gwen diferente daquele que sabemos qual é. A tentação de se produzir algo mais romântico e doce poderia seduzir facilmente o diretor do longa mirando em um público pouco familiarizado com a mitologia do Aranha. Confesso que prendi a respiração desejando de todo meu coração que, naqueles fatídicos e dramáticos momentos finais do filme, nada acontecesse que mudasse o emblemático curso da história original.


Outro ponto alto é a interpretação do confuso, sensível e instável Harry Osborn pelo ator Dane DeHaan. O jovem ator havia me impressionado anteriormente no filme "Poder Sem Limites", no qual interpreta um garoto que ganha poderes fantásticos e reage da pior forma possível diante disso. DeHaan confere toda insanidade e carisma a um Harry Osborn  que chega a ganhar simpatia da plateia ao ser revelado a fria relação que ele tinha com seu pai (Normam Osborn).


Não devemos deixar de considerar a responsabilidade que recaia sobre essa sequencia em manter rentável uma franquia que se mostrara muito promissora sob a batuta do diretor Sam Raimi com os três filmes de 2002, 2004 e 2007. Devo dizer que esses três filmes foram bons e trouxeram na época a esperança de vermos filmes de super-heróis com qualidade. Tobey Maguire foi um bom Homem-Aranha naquela época, porém não posso deixar de dizer que sempre me irritou a exacerbada insistência em se retratar um Peter Parker que nunca conseguira se defender do "bullying" imposto a ele por todos à sua volta. Adrew Garfield consegue transpor essa barreira ao apresentar um Peter que sofre e aprende, de certa forma, a não ser mais o "saco de pancadas" de todos. Algo que Tobey Maguire não se libertou ao longo de 03 filmes.


Ausências importantes foram sentidas, como por exemplo do rabugento J.J. Jameson. Porém nada que comprometa o resultado final. Jamie Fox como Electro não chega a ser marcante e acho que sua interpretação do pacato Engenheiro Elétrico das companhias Osborn poderia ter sido menos caricata. Acho que ele exagerou um pouco nisso. A presença de Rhino, interpretado por Paul Giamatti, poderia até ser descartada.


Saí do cinema satisfeito e admito que o diretor Marc Webb afinou sua leitura do personagem do filme de 2012 para esse. Achei muito tocante, e coloco como um dos pontos altos do filme, a cena final envolvendo um pequeno garoto vestido de Homem-Aranha que se coloca em frente ao vilão Rhino para enfrenta-lo. Webb consegue, com essa cena, chegar no âmago do que o Homem-Aranha representa para todo garoto: um símbolo comum, extremamente identificável, porém cheio de coragem e inspiração. A síntese do herói comum e urbano.



Bom amigos... As opiniões expressas aqui são pessoais e sei que, em se tratando de arte, várias podem ser as visões a respeito da mesma obra. Porém, posso dizer que gostei bastante desse último filme.

Grande Abraço à todos!

domingo, 11 de maio de 2014

Coleção Histórica Marvel - Parte III: Homem-Aranha.


Há pouco mais de dois anos a Panini iniciava uma linha de lançamentos de histórias clássicas do Universo Marvel que tinha como grande objetivo trazer aventuras antigas em um formato acessível e de qualidade. Algo que o modelo Biblioteca Histórica Marvel (BHM) tinha dificuldade de oferecer em função do elevado preço de seus encadernados. Comentei na época sobre o lançamento dos 04 primeiros encadernados dos Vingadores. Na matéria Coleção Histórica Marvel - Parte II vimos o quanto esse tipo de iniciativa possuía potencial de dar certo. Passados mais de dois anos acumulamos o lançamento de mais duas sequencias de encadernados envolvendo outro personagem do Universo Marvel, o Homem-Aranha. Nessa matéria veremos os encadernados integrantes da segunda sequencia dessa já clássica Coleção Histórica Marvel.


Podemos comentar alguns dos motivos que fazem com que "material clássico" desse tipo seja novamente atrativo para muitos leitores. Além, é claro, do interesse que o leitor mais velho tem por esse material que o arremete à sua infância, temos também jovens leitores se interessando e comprando esses lançamentos. Isso se deve à alguns fatores, porém o mais importante e determinante deles, acredito eu, é a baixa qualidade do material atual. Embora, muitos possam achar os roteiros dessas histórias antigas mais simples, na verdade elas são atrativas justamente por isso. Ou seja, mostram o herói imerso em sua mitologia original, e por isso conseguem revelar sua personalidade em toda sua força. Após décadas de histórias e frente ao embotamento criativo atual muitos personagens tiveram sua força dramática diluída e pulverizada em roteiros ruins, diminuindo a qualidade das histórias impressas nesses últimos anos.


Apesar dessa crise de criatividade na mídia impressa atual, podemos verificar a força do mito de vários personagens ao verificarmos o sucesso dos diversos filmes envolvendo tais personagens dos Quadrinhos hoje. Esse entendimento é também corroborado pelo sucesso desse material clássico acima. Quando encontramos alguém que consegue (tal qual é feito nas telas dos cinemas hoje) transcrever os heróis em seus conceitos originais ao grande público, tudo funciona. Todas as malfadadas tentativas de atualizar os heróis subvertendo suas premissas originais sofreram a mais total e completa execração. E por que? Porque simplesmente não é possível melhorar algo que já possui uma identidade genial em sua essência.


Para qualquer um que queira conhecer ou revisitar o Homem Aranha em toda sua força e potencialidade essa coleção é fantástica. Com um preço razoável (R$ 22,90) para um material-referência desse tipo e um acabamento diferenciado em papel off-set, os encadernados trazem as capas envelhecidas proporcionando um interessante efeito visual de material clássico e antigo, reforçando esse apelo. Além disso, o leitor é presenteado com a reprodução das capas originais das histórias antes de cada uma delas. O volume 01 é dedicado às histórias que envolvem seu maior arqui-inimigo: o Duende Verde. Um vilão que deixou sua marca ao protagonizar um dos momentos mais trágicos e inédito (na época) nos quadrinhos ao ser responsável pela morte de Gwen Stacy, o 1º grande amor do Cabeça de Teia. Numa época em que a morte de personagens nos quadrinhos era algo impensável, principalmente envolvendo alguém tão importante quanto a namorada do Aranha, essa trágica história surpreendeu toda uma geração que se deparava com a realidade da vida invadindo o imaginário dos quadrinhos. Encadernado 1 (164 páginas): Histórias originalmente publicadas em The Amazing Spider-Man 14, 17, 23, 39, 40, 121-122. Abrangendo o período de 1964 à 1973.


O segundo volume traz os confrontos originais do Aranha contra o famigerado e egocêntrico Dr. Octopus. Numa época em que a galeria de vilões do Amigão da Vizinhança estava se formando, podemos identificar os elementos que fizeram com que o Dr. Oto Octavius resistisse ao tempo e se consolidasse como grande personalidade. Encadernado 2 (164 páginas): Histórias originalmente publicadas em The Amazing Spider-Man 03, 11, 12, 53, 54, 55 e 56. Abrangendo o período de 1963 à 1968.


 No 3º volume vemos a estreia do Dr. Curtis Connors, que viria a se tornar outro grande adversário do Teioso na pele do Lagarto. Particularmente achei muito interessante as histórias estarem agrupadas em cada volume tendo como critério os combates envolvendo um determinado vilão específico, ou seja, o leitor pode ler, na sequencia cronológica, as primeiras aventuras do Aranha junto àquele mal-feitor. Encadernado 3 (164 páginas): Histórias originalmente publicadas em The Amazing Spider-Man 06, 44, 45, 76, 77 e Peter Parker, The Amazing Spider-Man 32, 33 e 34. Abrangendo o período de 1963 à 1979.


O último volume de sequencia traz os conflitos envolvendo o Homem-Aranha e Sexteto Sinistro. Uma confraria de vilões que se reuniram para expurgar definitivamente o herói aracnídeo da face da Terra. Encadernado 4 (164 páginas): Histórias originalmente publicadas em The Amazing Spider-Man 2, 4, 9, 13, 15 e The Amazing Spider-Man Annual 01. Abrangendo o período de 1963 à 1964.

Não podemos esquecer de mencionar a incrível capa customizada para acondicionar os volumes, privilegiando e valorizando a Coleção na estante. Sem dúvida nenhuma uma solução barata e cheia de atrativos à quaisquer leitores.


Bom amigos... É isso aí. Grande abraço à todos!

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Miniatura DC Nº 08 - Mulher Maravilha

Miniatura DC Nº 08 - Mulher Maravilha

Guerreira, diplomata, super-heroína, semi-deusa, ícone cultural feminino por décadas... Essas e outras denominações podem ser atribuídas com justiça à essa que é uma das mais antigas personagens do Universo DC. Criada em 1941 pelo psicólogo William Moulton Marston, a Mulher Maravilha rivaliza com personagens de peso da DC dentre eles Superman e Batman. Tal qual uma flor selvagem que cresce sobre a rocha sob situações inóspitas, assim também é a Princesa da mítica Ilha Paraíso ou Ilha Themyscira. Nessa matéria comentaremos sobre a peça e investigaremos um pouco da mitologia desta famosa primeira dama do mundo dos Super-heróis.

Miniatura DC Nº 08 - Mulher Maravilha

Modelada obedecendo a antiga e clássica indumentária com a qual a personagem ficou mais conhecida, a peça de Nº 08 da Coleção de Miniaturas da DC traz a Mulher Maravilha no seu conceito praticamente original. Esse fato já valoriza a estatueta pois, em minha opinião, uma das grandes coisas geniais desta coleção é trazer os personagens em seus conceitos clássicos, ou seja, livres de modismos ou eventualidades mercadológicas passageiras. Assim, podemos ter em nossas estantes o herói ou vilão em seu estado "bruto", ou seja, ainda que esse ou aquele personagem esteja em má fase nos quadrinhos atualmente, não importa. O que importa é o potencial dramático sintetizado na pequena estatueta em nossas mãos. Permitindo assim que possuamos, mais do que a peça em si, o conceito por trás dela.

Miniatura DC Nº 08 - Mulher Maravilha

Podemos observar alguns itens importantes na composição da figura, o tradicional corpete, o shorts  estrelado, as botas vermelhas com detalhe em branco, os braceletes, a tiara e o inseparável laço da verdade. O laço é, inclusive, um ponto que na minha opinião valoriza o contexto, pois embora pareça muito frágil em função do tamanho e escala da peça é na verdade relativamente resistente. Ao tocarmos a linha que se estende de uma mão à outra percebemos que há firmeza em sua constituição. Os cabelos negros apresentam-se ondulados e bem pintados. Aliás, no geral a pintura nessas miniaturas da DC são superiores à pintura observada nas primeiras peças da coleção da Marvel. Isso já foi anteriormente explicado pelo fato da coleção da DC ter vindo depois do lançamento das peças da Marvel. Assim, a fabricação, o detalhamento e a pintura foram melhorados. Recentemente pude verificar que as peças mais avançadas da coleção da Marvel gozam de tratamento semelhante.

Miniatura DC Nº 08 - Mulher Maravilha

Impossível não olharmos para essa peça e não fazermos alusão ao clássico seriado dos anos 70 estrelado por Linda Carter. Um marco de sucesso na adaptação de quadrinhos para as telas na época. Nascida na Ilha de Themiscyra, um isolado local onde vive uma sociedade de guerreiras Amazonas sob um rígido código de ética militar, Diana é filha de Hipólita, Rainha da Ilha. De acordo com a mitologia da personagem, antes de seu nascimento a ilha recebeu a visita acidental de uma jovem piloto da força aérea americana, Diana Trevor. Responsável por auxiliar as Amazonas em uma difícil batalha para defender a Ilha de um mítico monstro chamado Cottus, Diana Trevor deu sua vida para salvar a ilha e suas habitantes. Em homenagem à corajosa piloto, Hipólita deu o nome de Diana à sua pequena filha moldada do barro da ilha sob os auspícios dos deuses gregos. Assim, nascia aquela que se tornaria a Mulher Maravilha.

Miniatura DC Nº 08 - Mulher Maravilha

Diana cresceu e se desenvolveu recebendo a rígida e militar educação das Amazonas. Durante seus anos de crescimento, Ares o Deus da Guerra tentou dominar a humanidade. Com intuito de fazer frente à Ares, Diana conseguiu o cargo de protetora dos humanos ao ludibriar sua mãe Hipólita  durante uma batalha de seleção na ilha, da qual sagrou-se vencedora. Assim, Hipólita confeccionou o famoso uniforme da futura Mulher Maravilha baseando-se nas cores da antiga aeronave pertencente à Diana Trevor. Além disso, presenteou a filha com Braceletes Prateados e um Laço Dourado da Verdade. A heroína venceria Ares e livraria a humanidade de sua dominação, ficando conhecida então pelo nome que a acompanharia para sempre: Mulher Maravilha.

Miniatura DC Nº 08 - Mulher Maravilha

A personagem ganharia lugar de destaque ao lado de Superman e Batman ao integrar a Liga da Justiça, além de participar de importantes momentos do Universo DC. Talvez o evento que mais a marcaria aconteceu durante uma história publicada em 2006 sob o nome de Sacrifício. Nela Diana é obrigada a matar o famoso adido da Liga da Justiça Maxwell Lord que dominara a mente do Superman. Sob controle mental o poderoso Superman ameaçava a vida de diversos heróis e por um triz  não matou o próprio Batman. Diana seria julgada não apenas legalmente, mas também pela opinião pública, tendo que trilhar um longo caminho para recuperar seu prestígio junto à uma comunidade de heróis dividida frente ao ato terminal cometido por ela.

Miniatura DC Nº 08 - Mulher Maravilha

Não podemos também deixar de comentar as circunstâncias que envolveram a criação da Mulher Maravilha pelas mãos do psicólogo William M. Marston. Sob o manto de diversas especulações muitos atribuem a criação da personagem à uma ideia que Marston possuía de que o homem só seria feliz sob o domínio de um autoritário gênero feminino. Essa ideia explicaria, por exemplo, a devoção de alguns homens por suas mães, eternos símbolos de segurança, porém também de domínio. Embora muito tenha se escrito sobre esse aspecto da criação da Mulher Maravilha, o que se via nas primeiras histórias da personagem na Era de Ouro era uma mistura desse conceito, vislumbrado através da força e superioridade física da Mulher Maravilha frente aos outros homens retratados nos gibis, com cenas nas quais a própria personagem aparecia muitas vezes amarrada e em situações de dominação pelos supervilões. Isso também expressava o imaginário masculino e suas fantasias reprimidas de controle sobre o outro sexo. Sob esse interessante "caldo" psicológico é possível sim que a personagem tenha se originado a partir dessas ideias do famoso (na época) psicólogo. 

Miniatura DC Nº 08 - Mulher Maravilha

Particularmente nunca fui leitor assíduo das histórias da Mulher Maravilha, porém reconheço o grande legado da personagem para a cultura pop e sua importância no âmbito das artes gráficas. Sua presença não poderia faltar na coleção em hipótese alguma. Uma peça que enfeita bem a estante e o imaginário de muitos leitores.

Grande abraço à todos!!
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