domingo, 24 de fevereiro de 2013

Coleção Folha - Música Clássica para Crianças

Fascículo 1 - Mozart - Ilustrações de Carla Nazareth

Coisas boas e interessante precisam ser divulgadas. A Folha de São Paulo está lançando uma coleção que merece essa menção: A Coleção Folha - Música Clássica para Crianças. Constituida por 20 Fascículos-CD a coleção cobre uma porção interessante dos grandes compositores da música erudita. Crianças possuem mente aguçada e perspicaz. Uma vez alimentadas com bons exemplos e boas referências tornam-se adultos capazes de escapar facilmente do senso comum, desenvolvendo opniões próprias, porém respaldadas no que a humanidade fez de melhor. Surpreendi-me, portanto com essa iniciativa da Folha. A coleção traz as aventuras de duas crianças, o menino Dó e sua amiguinha Mí. Dó e Mí vivem, em cada fascículo (ilustrado com perfeição), aventuras nas quais entram em contato com a vida de compositores, de seu nascimento até sua morte. O 1º fascículo, como podem ver acima e abaixo, traz o genial Wolfgang Amadeus Mozart.


Inicialmente acreditei que o CD que vinha acompanhando o fascículo traria músicas do compositor tocadas de maneira diferente, para atender bebês e crianças muito pequenas. Porém, as músicas são tocadas como foram concebidas originalmente, o que permite que a criança e até mesmo adultos ouçam as composições por toda a vida. A seleção das músicas que compõe cada CD ocorreu tendo por base aquelas que reconhecidamente fazem parte, de alguma forma, do universo infantil.

Fascículo 2 - Bizet - Ilustrações de Patrícia Romão
Outro destaque é o fato de que cada fascículo é ilustrado, ao que pude notar, por um desenhista diferente. Isso torna cada fascículo único, uma vez que possui um "design" especial, mostrando Dó, Mí e o compositor em questão em concepções artísticas distintas em cada número. O Nº 1 traz o suave traço de Carla Nazareth, combinando perfeitamente com o estilo leve, por vezes lúdico e angelical de Mozart. Já o fascículo 2, sobre Georges Bizet, é ilustrado por Patrícia Romão, trazendo um traço semelhante à "dobraduras". O CD traz boa parte da grande Ópera composta por Bizet: CARMEM.


Os textos de Izabel Zambujal e Maria Pedro dão o tom do que será a coleção. O universo da música clássica é aqui celebrado de uma forma única e singela. Recomendo a coleção não apenas para quem possui crianças em casa. Caso você seja apreciador de sons e imagens delicadas, singelas e cheias de poesia também gostará!


Maiores informações podem ser obtidas no Site Oficial da Coleção.

Abc à todos!

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Miniatura Marvel Nº 16 - Fera

Miniatura Marvel Nº 16 - Fera
Henry Peter McCoy, conhecido pelos mais próximos apenas como Hank McCoy, é um dos mutantes a integrar a 1ª equipe dos X-Men, constituindo sua lendária 1ª formação. Hank era um jovem totalmente integrado à vida estudantil em sua adolescência. Sua habilidades atléticas lhe proporcionaram uma juventude alegre e cheia de vida ao participar de diversos esportes. Desde cedo Hank também mostraria um intelecto acima da média e uma personalidade calma e conciliadora. A mutação genética presente em Hank, e que lhe daria a alcunha de "mutante", conferiram-lhe habilidades atléticas e força acima da média além de extremidades do corpo avantajadas (principalmente seus pés). Sua aparência quando jovem era bem distinta desta que você vê na miniatura. Na verdade a vida lhe proporcionaria novas mudanças que lhe marcariam para sempre.

Miniatura Marvel Nº 16 - Fera

A partir do episódio de sequestro de seus pais, Hank conheceria e teria a ajuda de outros jovens que também possuiam dons especiais, os jovens super-dotados da escola do Dr. Charles Xavier. Essa bem sucedida parceria inicial firmou uma grande amizade entre ele e a equipe, o que fez com aceitasse rapidamente o convite do Dr. Xavier para integra-la. Ao lado de Ciclope, Garota Marvel (que viria a se tornar a Fênix), Homem de Gelo e Anjo, Hank passaria a se chamar "Fera" e assim viveria grandes aventuras publicadas a partir de 1963 nos EUA na revista X-Men Nº 01.

Miniatura Marvel Nº 16 - Fera

Após algum tempo ao lado dos X-Men, Hank passou a trabalhar em uma fórmula que, segundo ele, ativaria as habilidades latentes em jovens mutantes que ainda não possuiam plenamente manifestos seus poderes. Em um episódio no qual precisou entrar em confronto com criminosos, Hank ingeriu sua fórmula experimental e, como efeito, teve seus poderes animalescos ampliados. Outro efeito foi uma tranformação física que lhe conferiu uma aparência mais próxima de seu codinome. Pêlos cresceram e sua face tornou-se mais parecida com a de um animal.

Miniatura Marvel Nº 16 - Fera

No entanto, Hank teve sua personalidade preservada e continuou sendo a pessoa amigável e companheira que sempre fora. Claro que isso exigiu dele grande energia interior, pois sua aparência passou a ser socialmente questionada. O Fera tem sido usado em muitos momentos como grande exemplo de que a beleza maior é a aquela que vem de dentro. Ao lado do Coisa, que também compartilha de uma aparência pouco convencional, o Fera é um personagem muito querido pelos fãs.

Miniatura Marvel Nº 16 - Fera

A miniatura apresentada aqui, a 16ª da Coleção de Miniaturas Marvel, foi muito bem aceita pelos colecionadores. O detalhe dos pêlos foi bem trabalhado e não deixou a desejar. Suas mãos em formato de uma "garra animal" também aparecem em destaque. Vale ressaltar que o visual do Fera nesta miniatura é o mais atual, visto nas historias publicadas hoje em dia. No entanto, em suas primeiras histórias o Fera possuia uma postura física que lembrava mais um "símio" e não tanto um "felino", como podemos ver nas fotos.

Miniatura Marvel Nº 16 - Fera

Eu particularmente não entendí o motivo dessa mudança conceitual no visual do personagem. Como considero-me um leitor antigo, eu gostava mais da antiga postura símia. Creio que o visual anterior contrastava mais com sua doce personalidade, e isso proporcionava maior destaque ao personagem.

Miniatura Marvel Nº 16 - Fera

Atualmente estamos todos ansiosos pelas grandes novidades que logo serão divulgadas de forma exclusiva na Revista Mundo dos Super-Heróis Nº 40 sobre o futuro desta coleção. A reportagem é fruto de uma entrevista que o Gerente de Negócios da Eaglemoss (fabricante da coleção) no Brasil deu ao amigo Eder Pegoraro do Blog Sala de Justiça. Estou aguardando com muita expectativa as revelações pois o Eder me disse que são muito boas! Teremos inclusive uma ideia do que a Eaglemoss pensa sobre o possível lançamento da Coleção "DC Super-Hero Collection" (coleção semelhante à de miniaturas marvel, porém com personagens da DC) aqui em nosso país. A pré-venda do Nº 40 da revista pode ser vista no site da Editora Europa.

Um grande abraço a todos!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Django Livre


Pegue um bloco de puro "Ódio". Submeta-o à uma depuração a partir de um rigoroso processo de destilação. Após uma ou duas destilações você terá um bloco menor, mas profundamente mais puro. Não satisfeito com isso depure-o novamente mais uma ou duas vezes... Após essa penosa série de purificações você terá a "Quintessência" do mais puro, primal e profundo "Ódio". Daquele seu bloco original terá sobrado apenas uma pequeno frasco de "ódio" concentrado. Nele, administre mais duas ou três gotas de "vingança" e despeje-o dentro de um homem. O que você terá com isso? Você terá... Django.


Django Livre, o mais novo filme de Quentin Tarantino estreou há uma semana e fui assisti-lo há alguns dias. Jamie Foxx interpreta Django e, diferente do Django original (também um espetacular Western Italiano dos anos 60) do cineasta Sérgio Corbucci, esse novo é negro e escravo que, por um golpe do destino, vê-se com a possibilidade de executar vingança contra seus antigos senhores e ainda resgatar sua esposa de um fazendeiro sulista (Leonardo DiCrapio). Tarantino expõe de forma visceral a escravidão em sua forma mais abjeta ao revelar parte do relacionamento entre senhores e escravos em um Estados Unidos pré guerra civil em 1858. Essa guerra civil em questão viria partir os Estados Unidos ao meio jogando o Sul escravocrata contra o Norte abolicionista captaneado pelo Presidente Abraham Lincoln.


Embora eu tenha lido algumas resenhas do filme afirmando que ele simplesmente não trata a escravidão de forma séria eu não concordo pois a narrativa traz todos os elementos que fizeram parte do universo escravo: o negro massacrado até sua esperança ser totalmente destruida; os homens brancos agindo legalmente no processo de escravidão por intermédio da lei que os respaldava e ilegalmente, por meio da Klu Klux Klan; o negro totalmente assimilado dentro da casa de seu patrão, muitos inclusive agindo como os brancos; e finalmente a assombrosa violência com que a maioria dos escravos eram tratados. Tarantino, à semelhança do que fez em "Bastardos Inglórios", arma o mais fraco na história e lhe dá condições de enfrentar a maldade humana.


O filme escancara a violência e a serve de forma requintada através de intepretações poderosas como a de Leonardo DiCaprio que faz um fazendeiro escravocata interessante pois, apesar de seu aparente histórico de violência possui um toque afeminado no íntimo, exposto de forma muito sútil pelo ator. Talvez por isso mesmo DiCarpio torna seu personagem tão complexo. O filme possui uma tensão constante e nisso assemelha-se muito aos antigos Westerns Italianos que, em minha opinião foram os responsáveis por libertar esse gênero de seu uso panfletário pelo cinema Norte-Americano. Em alguns momentos eu questionei comigo mesmo o propósito de tantas mortes no filme, porém a resposta está nele mesmo, ou seja, está no que o homem branco foi capaz de fazer com os negros e na resposta que isso gera.


Em seu Twiter o cineasta norte-americano (e negro) Spike Lee disse que não iria assistir ao filme de Tarantino por achar que ele desrespeitava a memória de seus antepassados que sofreram na escravidão e que a servidão de um povo não era um "Western Spaguetti". Spike Lee firma sua posição na equivocada ideia de que Tarantino não leva a sério a escravidão ao usar a narrativa dos Westerns Italianos, o que desmereceria o assunto, banalizando-o. Lee está errado porque Tarantino leva a sério a escravidão sim e de forma contundente. Se Django Livre estivesse usando qualquer outra temática que não a escravidão eu diria à vocês que a violência foi desmedida e sem propósito, que está ali apenas para chamar público e levantar a bilheteria (como tantos filmes fazem e já fizeram apenas para chocar a platéia). Mas Tarantino se safa desta crítica porque ao usar a escravidão e mostra-la de forma tão violenta ele simplesmente joga essa "conta" no "ser humano". Ou seja, sai isento porque não faz nada além de nos colocar diante de um espelho e mostrar-nos até onde o homem vai em sua ânsia pelo "vil metal".


Posso dizer que, em certa medida, Tarantino é herdeiro de Sérgio Leone ao conseguir transpor para as telas o hermético mundo masculino. O que é realmente importante está implícito, não precisa ser explicado. Olhares e códigos de um mundo embrutecido são mostrados e, para bom entendedor, comportamentos já falam por sí. O cinema precisa novamente retornar a esse local em que roteiro, a boa história, tem primazia sobre qualquer outro adereço.


O filme, obviamente, não é um exercício para se teorizar possíveis alternativas à barbárie humana. Seu objetivo é outro, como falei acima, é nos colocar diante do que pode se encontrar no profundo do coração humano. Interessante, no entanto seria irmos além e nos perguntarmos o que se poderia fazer para contornar essas trevas mas, para isso, já temos Luher King e Ghandi. Esse último ainda com filme e tudo.


Django Livre é uma promessa de destaque para 2013, sobretudo por conseguir reverenciar o estilo Western Italiano com respeito e grandiosidade, usando um tema doloroso para a sociedade sem desrespeita-lo, ao contrário do que Spike Lee pensa.
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