domingo, 26 de agosto de 2012

A Trilogia do Homem Sem Nome - Parte II


"Onde a vida não tinha valor, a morte, às vezes, tinha o seu preço."

Conforme prometi quando fiz a 1ª parte da Trilogia do Homem Sem Nome, trago até vocês agora o 2º filme dessa trilogia de Sergio Leone, e que faz parte parte dessa grande obra prima da 7ª arte. Por uns Dólares a Mais foi lançado em 1965 e filmado, à semelhança do 1º (Por um Punhado de Dólares) na região de Alméria, Espanha. Em função do grande sucesso do 1º longa, esse 2º filme possuía um orçamento muito maior, Clint Eastwood já era reconhecidamente um astro e as pessoas já ligavam seu rosto ao seu vilento e complexo personagem do 1º filme. Outra novidade seria a presença de um novo produtor, Alberto Grimaldi, famoso produtor de filmes de Fellini, Bertolucci e Pasolini. Sir Christopher John Frayling, biógrafo de Sergio Leone e posuidor de um gande acervo de imagens e raridades dos três filmes, nos lembra que na época em que foram lançados, o marketing envolvendo os filmes era bem diferente do que temos hoje. Artistas regionais faziam sua própria leitura dos filmes e produziam imagens que seriam então os cartazes em seus países. Isso era comum pois aproximava a obra à população local. Daí o fato de termos cartazes muitas vezes muito diferentes de um país para outro.

Cartaz Italiano de Por uns Dólares a Mais

No cartaz acima podemos ver a imagem de Eastwood em 1º plano admitindo sua presença como um grande chamariz para o público. Sergio Leone e Gian Maria Volonté já aparecem com seus nomes reais e não com pseudônimos, como havia ocorrido nos cartazes do 1º filme.

Cartaz Espanhol de Por uns Dólares a Mais

Nesse outro cartaz acima já vemos a imagem de Lee Van Cleef (que no filme interpreta o Coronel Douglas Mortimer). Eastwwod não era tão famoso na Espanha por isso a mudança de personagem no cartaz, que também traz outro nome para o filme: "A Morte tem Seu Preço".

Cartaz Francês de Por uns Dólares a Mais

Eu particularmente acho o roteriro desse filme mais elaborado. Vemos um Clint Eastwood verdadeiramente vestindo a pele de um Caçador de Recompensas. Gian Maria Volonté (ator que eu já falei que gosto muito) faz o vilão Indio. Volonté consegue fazer um vilão muito complexo. Alguém que sabe que está além de qualquer redenção, e a constatação de sua inevitável danação o torna insano, violento, reflexivo e às vezes melancólico. Assistir às cenas em que ele aparece é uma aula de interpretação. Dentre as centenas de mortes que Indio carrega, há uma em especial que o fez constatar seu inexorável caminho para o inferno. Um assassinato que tem tudo a ver com a participação do personagem de Van Cleef (Coronel Douglas Mortimer). Esse mistério, que faz com que os caminhos de Indio e de Mortimer se cruzem violentamente, é esclarecido só no fim do filme. Quando o espectador percebe essa relação entre Indio e Mortimer é invadido por uma dor, tristeza e raiva. Ao redor desse mistério há a enigmática presença ao longo do filme de um "Relógio de Bolso". A música que sempre toca no filme é a mesma música que o Relógio toca quando é aberto. Indio usa essa música para assassinar suas vítimas sempre que ela chega ao final. Essa é uma música de Ennio Morricone, e por ser fantástica fiz um video que com ela e postei logo abaixo. Ouvi-la é entrar dentro da atmosfera violenta e insana de Indio.

Relógio de Bolso - Importante peça de conexão entre Indio e Mortimer

O personagem de Clint Eastwood (O Homem Sem Nome) caça Indio e seu bando em função da vultuosa recompensa oferecida pela morte ou captura desse bandidos. É nesse processo que O Homem Sem Nome estabelece uma calculada amizade com o Coronel Mortimer. Como já falei na 1ª matéria sobre essa trilogia, o Homem Sem Nome possuía um nome sim, porém ele recebe nesse filme uma 2ª alcunha: em 2 momentos apenas do filme ele é chamado de "Manco". A origem desse nome no filme é desconhecida. Nesse longa, Leone já estava com seu talento amadurecido, pequenas falas e cenas que seriam rodadas sem nenhuma expressão por vários diretores aqui se transformam em cenas grandiosas, nas quais a inevitabilidade da morte que ronda os personagens faz com que haja uma constante sensação apocalíptica.


Indio abre o "Relógio de Bolso" - Início de uma música que sempre se encerra com a morte de alguém

O fim do filme é mostrado em um entardecer, ao meu ver uma metáfora para mostrar o fim de um dos 3 personagens principais. Além disso a cena enquadra os personagens dentro de um círculo formado por uma mureta de pedra, imagem circular que seria retomada no final do 3º filme da trilogia, lançado logo depois.

Cenas finais do filme - Triste, violento e grandioso entardecer

Não preciso dizer novamente que a Trilha Sonora de Ennio Morricone é algo palpável e que também "atua" no filme como se fosse um personagem. É difícil para quem não assistiu ao filme ou não ouviu a trilha entender o poder da música de Morricone. Sendo assim montei um video com algumas cenas do filme, tendo ao fundo a música principal que toca no Relógio de Indio (La resa dei conti). Assistam e entendam. Abc à todos!!

video

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Reboot DC: Qual o saldo até aqui? - Parte II



Bem amigos... Conforme prometido na matéria anterior sobre o saldo do Reboot da DC, segue a matéria sobre minha opinião a respeito das demais revistas desse polêmico evento também conhecido como "Os Novos 52". Construí minha opinião seguindo a escala apresentada abaixo.


Universo DC 1

Essa revista traz um mix com 07 histórias de diversos personagens da DC. Alguns mais conhecidos, outros menos. Vamos a elas:

1ª - Essa primeira história foi para mim uma grata surpresa. Ela traz o início das histórias do Aquaman nesse ambiente pós Reboot. Aquaman sempre foi um personagem desconhecido para mim. A arte do brasileiro Ivan Reis impressiona e a história funciona bem justamente pelo fato do reteirista Geoff Johns admitir que o personagem ainda não possui um super status, mas se continuar assim terá!! Detalhe: a cena do Aquaman pedindo peixe para comer num restaurante é hilária!! Nota: 3.

2ª - A segunda história traz um Gavião Negro, personagem que eu particularmente admiro pela sua selvageria, um tanto quanto estranho do que eu já tinha lido há muito tempo. Até o meio ela vai bem, mas mais para o final fica confusa e me fez perder o interesse. Nota: 2.

3ª - Essa história traz o desconhecido personagem OMAC (o Hulk da DC?). OMAC foi criado por Jack Kirby e a história é uma verdadeira homengem a ele, desde o tipo de narrativa que lembra as HQs antigas até o traço de Keith Giffen (que imita o de Kirby). Dei  Nota: 2.

4ª - Nuclear é o herói dessa quarta hsitória. Eu gostava do Nuclear, mas achei estranho Ronnie Raymond não dividir mais a personalidade com o Professor Stein quando se transforma em Nuclear. Nessa nova DC Stein está morto (!!). Achei a HQ reular, ou seja, Nota: 2.

5ª - Não conhecia o personagem dessa quinta HQ: Senhor Incrível. Achei regular. Alguns momentos ela se torna bem interessante, mas não chega a prender a atenção como a do Aquaman fez. Nota: 2.

6ª - Os Falcões Negros estrelam uma aventura "zero" a "zero". Li algumas histórias deles nos anos 90 e não me chamaram tanta atenção. Essa seguiu no mesmo caminho. Nota: 2.

7ª - Uma das grandes expectativas da revista estava nessa estréia da Mulher-Maravilha que ainda não mostra muito o tom de suas futuras histórias. Alguns colegas falaram que gostaram, eu preciso ler sua sequencia, pois até aqui não me surpreendeu. Nota: 2.
Média da Revista: 2,14.


Dark 1

Essa era uma revista das que eu mais esperava para ler, pois traz as aventuras dos personagens mais sombrios da DC e a tão esperada estréia da "Liga da Justiça Dark (LJD)".

1ª - A primeira história é da LJD. Ela é interessante e vai mostrando as primeiras participações dos personagens que formarão a LJD. Nota: 2,8.

2ª - O Homem-Animal tem um poder que muita gente gostaria de ter e já teve seus dias de glória sob a batuta do Grant Morrison. Vamos ver agora. Por enquanto Nota: 2,5. 

3ª - Essa terceira história traz um personagem que morre e sempre volta com um poder diferente. Para mim foi uma HQ insipida. Chama-se "Resssureição". Nota: 1.

4ª - Não sei ainda onde querem chegar com essa quarta história que traz um monte de vampiros em preparação para invadir o mundo dos homens. Achei confusa e exageradamente cheia de "clichês". Nota: 1.

5ª - Outra grande expectativa era a volta do Monstro do Pântano para o universo regular da DC. A HQ é interessante. O problema é que a gente fica com a expectativa alta por causa da fase Alan Moore! Nota: 2,8.
Média da Revista: 2.


Flash 1

1ª -  Flash estrela essa história de abertura. Alguns colegas acharam o ritmo lento da narrativa. EU gostei da história. Dei Nota: 2,8.

2ª - Já essa segunda história do Arqueiro Verde é regular. Oliver Queen tem uma personalidade que não cativa. A HQ tem ação e luta, mas... Vamos ver... Nota: 2,2.

3ª - A terceira e última história traz o Exterminador (Slade Wilson). Olha... Às vezes acho que a DC tem personagens alternativos aos da Marvel, porém sem o mesmo carisma. O Exterminados me pareceu uma cópia do "Justiceiro", só que não funciona tão bem. Nota: 2.
Média da Revista: 2,3.








 Lanterna Verde 1

A revista do Lanterna teve um desempenho um pouco melhor que a do Flash.

1ª - Hal Jordan (o Lanterna Verde original) estrela essa história e traz sua readaptação como um sujeito normal (sem poderes), ao mesmo tempo mostra um Sinestro que repensa sua vida de vilanias. É interessante. Nota: 2,7.

2ª - A segunda história traz aventuras da Tropa de Lanternas Verdes. Ler uma HQ com o Guy Gardner sempre é um prazer! Eu gostei porque esse cara é o esquentado que todo mundo gostaria de ser. Nota: 3.

3ª -  Essa última HQ traz o Kyle Rayner sendo escolhido como novo LV. Bom... Achei normal. Nota: 2,5.
Média da Revista: 2,7.





SALDO PARCIAL: 2,3 (Regular).

Bom... Essa foi a avaliação que fiz dos títulos que lí. É claro que outros talvez tenham opiniões diferentes, mas pelo que vi em blogs e conversei com algumas pessoas parece que há sim um consenso. Eu diria que nem tudo está perdido, mas o fato de uma mega editora fazer um Reboot, cria inevitavelmente uma expectativa de algo novo, sem precedentes, inovador... Tipo um "divisor de águas" (Pré e Pós Reboot). Mas o que a gente vê são coisas que funcionam bem, outras nem tanto. Ou seja, para isso não havia a necessidade de fazer Reboot, o que reforça a ideia do "caça-níquel".

Para efeito de saldo final temos:

Saldo Parcial das revistas: Superman; Liga da Justiça; Batman; A Sombra do Batman; e Desafiador = 2,08.

Saldo Parcial das revistas: Universo DC; Dark; Flash; Lanterna Verde = 2,27.

Saldo Final = 2,17

Caso você tenha alguma outra opinião ou tenha lido algumas das outras revistas do Pós-Reboot que eu não li (e portanto não posso emitir opinião) fique a vontade para trazer seu escore. É isso aí pessoal! Grande Abraço!!

domingo, 19 de agosto de 2012

Reboot DC: Qual o saldo até aqui? - Parte I


Há aproximadamente dois meses e meio atrás eu postei aqui no Blog uma matéria falando das expectativas que permeavam o Reboot da DC (feito nos EUA no ano passado) e que chegou aqui em Junho último. Passado esse tempo e algumas leituras que fiz de alguns do principais títulos que compõem esse Reboot eu gostaria de falar de minhas impressões sobre cada título que li e assim tentar compor, entre mortos e feridos, um saldo desse evento que muitos tem visto como um "caça-níquel" da DC. Informo de antemão que se trata de minha opinião e portanto, passível de divergências com outras opniões. Ok?

Dessa forma criei uma escala (que demonstro abaixo) para medir a qualidade das publicações que li. A escala vai de "zero" (verdadeiro suicído) e "cinco" (nirvana). Vamos então à análise!!

Escala para medir o "nível" qualitativo das publicações.

Superman 01 foi composto por um mix de 03 histórias. 

1ª - Narra um Superman já estabelecido em metrópolis. Nota: 1.

2ª - Traz uma aventura da Supergirl. Nota: 1.

3ª - Traz uma história da época em que Superman ainda estava sendo conhecido em seu início de carreira. Nota: 1.

Minha opinião: Os fãs do Superman que me desculpem mas achei a revista um "lixo". Foi uma das tristes surpresas que tive com esse Reboot. Não consegui encontrar nada de efetivamente novo na personalidade de Clark Kent. As histórias são confusas e com roteiros fragmentados em uma medida que impede o leitor de se descontrair. Fiquei tentando o tempo todo correr atrás do prejuízo e ao final da leitura estava "p" da vida.
Média da revista: 1.


 Liga da Justiça

Apesar de uma grande promessa nesse Reboot a Liga infelizmente não teve desempenho melhor em minha avaliação. Contendo também 03 histórias ficamos assim:

1ª - Narra uma aventura inicial em que os personagens da Liga começam a se conhecer. Em virtude da novidade dos diálogos e da arte de Jim Lee minha nota é: 3.

2ª - Traz uma aventura do Capitão Átomo que dou nota "0" sem pestanejar (suicídio!!). Nota: 0.

3ª - História sem pé nem cabeça sobre a formação da Liga da Justiça Internacional. Para mim uma afronta à inteligência e à arte de uma boa narrativa. Nota: 0.

Média da Revista: 1.





Batman

A revista dedicada ao cruzado encapuzado me fez pensar que nem tudo estaria perdido. Seu mix de três histórias também fecha com um saldo melhor:

1ª - Chama atenção a arte de Greg Capullo numa história que já dá o tom sombrio e violento que parece que o personagem trilhará: Nota: 3.

2ª - Traz uma segunda aventura que também achei interessante com participação do Coringa e uma sequencia de assinatos violentos. Nota: 3.

3ª - Fechando o mix temos uma história envolvendo o Asilo Arkham e uma fuga em massa. Nota: 2.

Média da Revista: 2,6.





A Sombra do Batman

Essa revista eu achava que iria detestar, porém foi uma surpresa relativamente boa. Trazendo um mix com histórias de peronagens inspirados no Batman eu achei que ela funciona. São 07 Histórias em 148 páginas:

1ª - Aventura do Batman que achei boa por dois motivos: pela arte do Patrick Gleason e por trazer a conflituosa relação entre Batman e seu insolente filho Damian. Nota: 3.

2ª - História de um herói que vive na África e se inspirou no Batman (seu nome é Batwing). Achei uma história sem muita expressão. Destaco no entanto, a arte de Ben Oliver. Nota: 2.

3ª - História que envolve uma personagem que eu sempre achei sem muito sentido de existir a Batgirl. Mas não é que a história é boa! Ao focar o trauma que Bárbara Gordon (alter-ego da personagem) sofreu ao ficar paraplégica por ser alvejada pelo Coringa, a história alcaça um nível interessante! Nota: 3.

4ª - História da Mulher-Gato que se envolve com espionagem e é retratada de forma muito sensual por Guillem March. Nota: 3.

5ª - Não vi muita graça nessa 5ª história envolvendo o Capuz Vermelho (um dos antigos Robins) e os Foragidos. Nota : 2.

6ª -  Essa 6ª história funciona bem. Envolve o 1º Robin (Dick Grayson) agora sob o nome de "Asa Noturna". Boa. Nota: 3.

7ª - Essa última é a grande história da revista!! Envolve uma personagem que eu não conhecia: Bat-Woman. Achei que seria só um caça-níquel envovlendo a família de personagens inspirados no Batman, mas não é! É muito boa! Essa recebe o meu primeiro quatro. A personagem é linda, mas tem uma opção sexual pouco convencional. Nota: 4

Média da Revista:  2,8.

 Universo DC Apresenta: Desafiador


Universo DC Apresenta é uma revista que, pelo que eu entendi se propõe à trazer ao público persongens não muito conhecidos. Eu sempre gostei desse aí "Desafiador", nome que não tem nada a ver com seu nome original em inglês "Deadman".

Apesar de alguns falarem que a história tem  pouco ritmo eu gostei. Essa temática sombria me agrada (Deadman é um personagem que já morreu) e é bem trabalhado até o meio da revista. Ao final eu senti que o reteirista se perde um pouco introduzindo algumas coisas que se distanciam do início que trazia a batalha interior de Boston Brand para descobrir qual o sentido de tudo o que se passa com ele em sua forma "além-túmulo".

Nota: 2,5
 

Bom pessoal, além desses títulos eu li outros quatro (Lanterna Verde, Flash, Universo DC e Liga da Justiça Dark). Para não ficar cansativa essa matéria eu a dividi em duas partes. Sua conclusão eu pretendo postar logo mais com o saldo final do Reboot (em minha opinião é claro!). Esse saldo parcial ainda não deve ser considerado ainda pois tenho opiniões sobre esses outos títulos que li e não postei que poderão alterar essa parcial. Segue no entanto, o saldo até aqui (de acordo com a escala que eu montei e apresentei acima):

SALDO PARCIAL: 2,08 (Regular).

É isso aí! Abraço a todos! Não percam o saldo final!

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Coleção de Miniaturas Marvel - MANIFESTO II


Amigos, como já informado aqui anterioremente, muitos fãs da coleção vem se manifestando nos comentários aqui do Blog sobre alguns problemas com a assinatura. Em postagem anterior discorri um pouco sobre esses problemas que passam pela falta de entrega de algumas miniaturas para alguns assinantes, entregas repetidas, problemas em relação aos brindes (uniforme negro do Aranha x uniforme clássico, brinde do Aranha feito de plástico). Não sei dimensionar esses problemas dentro do universo de assinaturas (não sei o quanto eles representam do todo), pois não temos acesso à quantidade de assinantes pelo Brasil afora. Seria interessante termos esse cenário até para poder contextualizar esses problemas que podem, ou não, representar uma parcela significativa desse universo.

O amigo André Morsi abriu uma página no Facebook para debates e manifestações sobre essas questões. Isso torna o contato mais dinâmico e rápido do que às vezes acontece na esfera dos blogs. Segue o link:

https://www.facebook.com/pages/Figurines-Marvel-Panini/470463936311484.

Página do Facebook - Local para trocarmos ideias a respeito da coleção!!

O Jean (outro camarada que deixou comentário por aqui) abriu um espaço semelhante no Orkut da PANINI. Embora todos questionem o Orkut em função de seu estado terminal fica aí mais um link no qual possamos conversar e debater ideias de forma mais ágil: 

Concordo com essas iniciativas que tem ocorrido no sentido de abrirmos um diálogo com a Panini. Em primeiro lugar para que todos sejam atendidos em seus pedidos e, em paralelo, a Panini perceba o potencial que o Brasil tem para o colecionismo no âmbito do Universo dos Super-Heróis. Inclusive na página do Facebook que o André abriu, li um comentário que me animou muito feito pelo Eder Pegoraro (importante estudioso na área de Action Figures aqui no Brasil). Eder informou que as vendas da coleção estão indo muito bem, conforme contato que ele fez com a Panini. Além disso, acrescentou que a Panini teria planos para lançar aqui no Brasil as miniaturas acima do Nº 26 (1º ano de assinatura) e que estaria negociando o lançamento da Coleção DC Figurines (coleção similar à da Marvel, só que com personagens da DC).

Seria muito bom para ser verdade! Bom pessoal vamos participar e torcer para que essas notícias se tornem realidade. Porém, vindo do Eder Pegoraro eu boto fé!! Gde. Abc!

domingo, 12 de agosto de 2012

Coleção Histórica Marvel - Parte II

Capa da Caixa para Guardar os Números
Em abril de 2012 foi lançada pela Panini a Coleção Histórica Marvel. Uma bem sucedida iniciativa da editora de lançar histórias clássicas dos principais heróis da Marvel. Algumas dessas histórias são, inclusive, inéditas aqui no Brasil. Na época eu comentei aqui no Blog sobre este espetacular lançamento. A Panini já havia tido iniciativas dessa ordem, as chamadas "Bibliotecas Históricas Marvel" (BHM) que, apesar de também fantásticas, saíram com um preço "salgado" tendo em vista seu acabamento de luxo. Apesar disso as BHMs são hoje itens de colecionadores. Com uma proposta mais palatável para os bolsos, a Coleção Histórica Marvel vem com um bom acabamento também, porém mais simples. A promessa inicial dessa coleção foi o lançamento de 04 volumes, algo que a Panini cumpre com o lançamento, nessa última semana, do volume de Nº 04, Os Vingadores.

Coleção Histórica Marvel Nº 04 - Os Vingadores

Além do óbvio valor da coleção por se tratar de material clássico que traz histórias da grande dupla criativa Stan Lee e Jack Kirby, a Panini acertou ao dar um acabemento simples e interessante para os volumes, a começar pelo envelhecimento proposital das capas, proporcionando esse aspecto "Vintage" a cada Nº.

Coleção Histórica Marvel Nº 01 - Capitão América

Outro aspecto bem legal foi a adoção de um papel pouco usual na impressão das revistas o "off-set", no começo achei estranho, mas o resutlado ficou bom.

Coleção Histórica Marvel Nº 02 - Thor

A junção de diversas características deixou cada volume com um preço bem acessível: o 1º R$ 19,90 e os demais R$ 22,90. O preço-perfomance é ótimo. Essa histórias lançaram as pedras fundamentais do Universo Marvel como o conhecemos hoje.

Coleção Histórica Marvel Nº 03 - Homem de Ferro

Por fim, a última surpresa positiva que eu estava esperando acontecer para botar fé era o brinde que a Panini prometeu vir junto com o Nº 04: Uma Capa Protetora para guardar os 04 volumes. Pois ela veio acompanhando o volume dos Vingadores e valeu a pena esperar. Veja algumas fotos abaixo.


Caixa Montada para Guardar os Volume da Coleção - Frente

Esse tipo de brinde é interessante porque eu imagino que não onera tanto assim a editora e o fã se sente valorizado. E não é só isso, as revistas ficam alocadas em uma caixa que acaba ficando em destaque entre as outras da nossa coleção.

Caixa Montada para Guardar os Volume da Coleção - Fundo 

A parte interna da caixa oferece uma visualização bem interessante dos 04 volumes dispostos em ordem de lançamento. Confira abaixo

Caixa Montada para Guardar os Volume da Coleção - Parte Interna
Nesse última foto dá pra ver como a caixa ficou em destaque em meio à outras revistas da minha coleção.

Caixa da Coleção Histórica Marvel em destaque em meio à outras revistas.

Ficou claro pra todos que esse tipo de lançamento agrada, cabe no bolso e deixa todo mundo feliz! Existe a promessa, feita anteriormente, do prosseguimento dessa coleção com o lançamento de algum (s) volume (s) ligado (s) ao Homem Aranha. Já pensou!! Caso lancem vai ser caixa pra mim!!!

sábado, 11 de agosto de 2012

Miniatura Marvel 07 - Surfista Prateado

Miniatura Marvel Nº 07 - O Surfista Prateado

O conceito de santidade há muito debatido ao longo das eras talvez nunca tenha encontrado personagem mais adequado para habitar, no Universo dos Quadrinhos, do que aquele que aparece como Nº 07 da Coleção de Miniaturas Marvel: O Surfista Prateado. Embora o termo "santidade" venha carregado de uma indevida conotação religiosa e piegas, ele diz respeito àquilo que é "separado". O "Santo", longe de ser o inacessível e incorruptível, é o "comum" que experimentou ver a vida como ela é e percebe aquilo que realmente importa. À semelhança de Francisco de Assis que largou tudo, não para se redimir, mas porque se percebeu redimido, o Surfista Prateado é o personagem que resolve viver algo acima de todas as expectativas. Seu nome verdadeiro é "Norrin Radd". Norrin era um habitante de um mundo chamado "Zenn-La" e que estava na iminência de ser consumido por Galactus, um ser que vive por séculos e séculos nutrindo-se da energia vital de mundos (habitados ou não). Nesse processo os mundos literalmente deixam de existir.

Miniatura Marvel Nº 07 - O Surfista Prateado

Norrin, até então um ser-humano comum de Zenn-La, se oferece à Galactus para se tornar seu "Arauto", aquele que viajaria pelo espaço para procurar planetas desabitados para que Galactus possa se fartar. Deixando-se escravizar por Galactus, Norrin salva seu planeta natal, porém tem seu corpo alterado, ganha um revestimento prateado e uma pequena parcela do poder cósmico de seu novo senhor. Ele passaria a ser conhecido pelos terráqueos como "Surfista Prateado". O nome vem da cor de sua pele, bem como da prancha que o acompanha como extensão de seu poder. Norrin, agora como arauto de Galactus, seria um ser solitário que viajaria pelo espaço infinito, sempre à procura de fontes de energia para seu senhor.

Miniatura Marvel Nº 07 - O Surfista Prateado

Uma das miniaturas mais aguardadas dessa coleção proposta pela PANINI é o Surfista Prateado, que foi representado de forma fantástica nessa miniatura como pode ser visto nas fotos. Sua prancha é robusta e a forma com que a figurine foi moldada a torna um verdadeiro item de colecionador.

Miniatura Marvel Nº 07 - O Surfista Prateado

Eu estava muito ansioso pela sua chegada que veio acompanhada pela do Blade. Minha euforia com sua chegada só foi ofuscada por dois probleminhas. 1º - A caixinha na qual veio a miniatura do Surfista veio toda amassada (até aí tudo bem). O 2º problema foi na miniatura do Blade, que veio toda regaçada. A longa espada presente em sua mão esquerda veio totalmente torta (em um ângulo de 90º) e a bainha que o Blade leva em suas costas veio quebrada. Mandei e-mail para a PANINI através de seu site e eles me responderam que trocas devem ser solicitadas pelo telefone da Editora. Essa semana vou ligar lá. Embora ruins, tais decepções são compensadas quando a gente expõe uma miniatura como essa do Surfista! A única mudança que eu faria nela seria talvez a sua montagem em uma posição mais clássica do personagem, tipo aquela que ele adota ao singrar o espaço sobre sua prancha como se estivesse mesmo surfando! Mas isso é apenas um detalhe.

Miniatura Marvel Nº 07 - O Surfista Prateado

A coleção avança nas bancas, com os seguintes personagens já çançados: Homem-Aranha, Wolverine, Dr. Octopus, O Coisa, Magneto, Blade e agora o Surfista. Ficamos cheios de esperança de que a PANINI lance mais personagens do que aqueles prometidos inicialmente. O blog aqui tem servido para diversas manifestações de assinantes quanto à problemas de entrega, distribuição, trocas... Ações individuais tem acontecido na direção da melhora desses problemas. Temos iniciativas rolando no Facebook e Orkut. Postarei aqui algumas informações mais recentes dessas atividades logo mais. Finalizo deixando essas fotos (que faço com maior prazer) para todos vocês curtirem. Abraço a todos!

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Boa Leitura: Vingadores Nº 102


Do que é feita uma boa História em Quadrinhos?

Bem... Já me fiz essa pergunta uma centena de vezes e a resposta, como é de se esperar, é complexa. Não existe uma fórmula mágica. Caso existisse ela já teria sido descoberta. Eu tenho algumas respostas pessoais para essa pergunta, porém ela não se resume à um item apenas. Manoel  de Souza, editor da Revista Mundo dos Super-Heróis escreveu no Nº 17 da revista, uma matéria honesta, sensível e muito interessante sobre o tema na seção "Etc & Tal" (uma das útlimas páginas desse Nº). A partir dessa leitura comecei a refletir sobre esse tema e aproveito para dar os parabéns ao Manoel pela forma como discorreu sobre o assunto.

O fato é que de vez em quando nos deparamos com um gibi que nos chama atenção com uma história interessante e cheia de momentos críticos, ação, capacidade de revelar dilemas humanos comuns a todos nós ou simplesmente nos divertir! A partir disso resolvi abrir aqui no blog uma coluna na qual pudéssemos discutir "O que é uma boa HQ" e eu compartilhasse com todos o que eu tenho lido e gostado recentemente. Tenho alguns critérios que futuramente gostaria de ir comentando aqui nessa nova seção que chamei de "Boa Leitura!".

Não me arrisco à fazer comentários técnicos sobre as histórias porque para isso existem amigos com mais experiência que eu e que já fazem isso em muitos blogs ótimos. Não me atreveria a isso! Mas resolvi sim falar de algumas revistas que tenho lido e que me chamaram atenção ao trazerem de volta em mim aquela velha e agradável sensação de se estar diante de um bom gibi.


Uma dessas agradáveis surpresas se manifestou em minha frente ao ler o Nº 102 (Julho/2012) da Revista Os Vingadores. Com ótimos desenhos de Gabrielle Dell´Otto e roteiro do já aclamado Brian Michael Bendis, a história (completa aliás) me surpreendeu. Fiquei até triste quando a revista terminou. Mesmo que você seja alguém que não tem acompanhado a revista dos Vingadores você pode ler esse Nº. 

Bendis já começa acertando ao contextualizar o leitor nas páginas iniciais sobre o porque o antigo herói e ex-Vingador Magnum impõe um ataque massivo sobre os Vingadores. Aliás essas primeiras páginas eu achei dignas do "Alex Ross". Na concepção de Magnum os Vingadores não devem existir. Eu sempre achei isso a maior besteira à sair da boca do Magnum. Mas não é que quando ele começa a falar o seu ponto de vista você até que começa à concordar com ele!!! Magnum expõe sua visão peculiar sobre a existência de um grupo de Heróis (Os Vingadores no caso) que estão praticamente acima da lei. Enquanto cidadãos comuns precisam responder às autoridades, o grupo possui uma aura de cidadões especiais. Ao longo dos anos Os Vingadores precisaram lidar com situações muito difíceis e tomaram decisões igualmente difíceis. Muitas inclusive com viéses éticos e morais. Magnum vai na "jugular" dos Vingadores ao escancarar essas feridas. Ele, junto de um bando de heróis de 2º escalão descem o pau em uma das equipes dos Vingadores (atualmente conhecida como Os Novos Vingadores), e isso sem dar qualquer tempo de resposta organizada. O Coisa mesmo toma um pau danado! Isso faz com que Steve Rogers (antigo Capitão América e atual diretor da Shield) convoque as outras duas equipes de Vingadores (Os Vingadores Secretos e os Vingadores Clássicos).


A história se desenrola de tal modo que você acha impossível que ela conclua nas páginas que faltam da revista, mas é o que Michael Bendis consegue fazer. O final eu achei à altura da história. Não igual algumas outras que o enredo vai bem até o meio depois desanda para uma agresão à nossa inteligência.


Ver alguém apontando o dedo para Steve Rogers, Tony Stark e Thor não acontece toda hora. Pelo menos não de forma tão contundente como Magnum fez.


Se você quer se divertir com uma história inteligente, na qual as pontas são amarradas direitinho, e só pagar R$ 6,50, leia "Os Vingadores 102". Como sugeri no início dessa matéria, gostar de algo está muito ligado à história pessoal de cada um, preferências, valores, visão de mundo... Mas creio que quem leu essa revista deve ter gostado. Infelizmente o papel usado para impressão da história foi o usualmente utilizado nas revistas de linha: o Pisa Brite. Um papel melhor teria valorizado mais ainda, mas isso não tira o brilho da história. 

Bom pessoal... Fica a dica de leitura! Grande abraço a todos!!

domingo, 5 de agosto de 2012

Coleção Carros Inesquecíveis do Brasil 03 - Puma GTE Coupé (1973)

Coleção Carros Inesquecíveis do Brasil - Puma GTE Coupé (1973)

O Nº 03 da Coleção Carros Inesquecíveis do Brasil é o esportivo e arrojado Puma (1973). Esse carro foi um dos grandes expoentes esportivos no Brasil entre o final da década de 60 e ao longo da década de 70. Desde que nasceu, o Puma teve sua história intimamente ligada ao automobilismo, que na segunda metade dos anos 60 estava em alta, pois competições esportivas possuiam grande importância para fabricantes de automóveis no Brasil, além de serem laboratórios de desenvolvimento de produtos ou simplesmente canal de divulgação.

Coleção Carros Inesquecíveis do Brasil - Puma GTE Coupé (1973)

O Puma se originou de modificações que foram feitas por um intusiasta brasileiro de autmóveis, Genaro Malzoni, em cima do modelo DKW Vemag. O objetivo era produzir um carro competitivo nas pistas e que proporcionasse à equipe de corrida da Vemag um carro à altura de seu rival nas pistas, o Interlagos Berlineta da Willys-Overland. A grande modificação instituída por Genaro em cima do DKW foi reduzir a distância entre os eixos cortando o chassi do Vemag. Isso se revelaria uma modificação que traria agilidade e aerodinâmica ao protótipo.

Coleção Carros Inesquecíveis do Brasil - Puma GTE Coupé (1973)

O nome inicial do Puma era "GT Malzoni", carro que foi apresentado no salão do automóvel de 1964. Sua comercialização se deu, inicialmente, por meio das concessionárias Vemag. Com a compra da Vemag pela Volkswagen em 1966, novas decisões foram tomadas para tornar o GT Malzoni mais acessível ao grande público, dentre elas o carro passaria a se chamar Puma e ganharia um desenho inspirado na Ferrari 275 GTB4. Esse carro seria conhecido como Puma GT e foi apresentado no salão do automóvel de 1966. Porém, com o fim da produção do DKW (que servia de plataforma para montagem do carro), o Puma GT passou a se chamar Puma GT 1500, agora com um desenho baseado em um carro chamado Miura P400 e com base na mecânica Volkswagen. O Puma GT 1500, com design já clássico do Puma, foi um sucesso e carregava o espírito do "Porsche Brasileiro".

Coleção Carros Inesquecíveis do Brasil - Puma GTE Coupé (1973)

Toda essa movimentação tinha iniciativa totalmente brasileira! Por isso a Volkswagen não via isso com bons olhos, pois o Puma poderia concorrer com outro carro, o Volkswagen Karmann-Guia, esse sim um carro oficial da VW. É por isso que nem todas concessionárias da Volks vendiam o Puma. Algumas não participaram desse projeto.

Coleção Carros Inesquecíveis do Brasil - Puma GTE Coupé (1973)

A Puma foi uma empresa que conseguiu uma façanha: a conquista e o sucesso de um carro genuinamente esportivo nacional, produzindo mais de 22 mil unidades. Ainda no auge do sucesso a Puma lançou, em 1974, o Puma GTB. Um carro "nervoso" e "irado" para os padrões da época. Ele tinha mecânica Chevrolet Opala e era um "coice de mula" em se tratando de potência. Ao mesmo tempo que o Puma GTB impressionava pela aparência, era bom aos olhos de quem estava de fora do carro e de quem estava atrás do volante. Com o fim dos anos 70 e início da crise que assolaria a década de 80 a Puma iniciou seu declínio, entrando em concordata em 1985, o que conduziui à sua falência.

Coleção Carros Inesquecíveis do Brasil - Puma GTE Coupé (1973)

A miniatura do Puma apresentada na Coleção agrega as prerrogatias que fizeram do carro um sucesso: suas linhas esportivas, a robustes do seu desenho e o toque europeu dos carros da Porsche. À semelhança das outras miniaturas já lançadas, essa vem em uma caixa de acrílico, presa em um pedestal com a paisagem acima ao fundo que, em minha opinião, reproduz o espírito de sucesso econômico que o Brasil viveu na década de 60, início dos anos 70 e que contextualiza bem o carro. Para conhecer as outras duas miniaturas já lançadas da coleção clique nos nomes: Nº 01 - Chevrolet Opala SS (1976); Nº 02 - Volkswagen Fusca (1961). Abaixo estão expostas algumas características do Puma GTE Coupé (1973).


O Puma foi um sonho brasileiro que deu certo. Feito por pessoas simples, entusiastas e que gostavam do que faziam. Quando tais características estão presentes é difícil não acontecer.

Obs.: Fonte das informações técnicas e históricas da matéria: Revista Puma GTE Coupé (1973). Ed. Planeta DeAgostini.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A Trilogia do Homem Sem Nome - Parte I


Em 1964 foi lançado o 1º de três Westerns que seriam lembrados para sempre! Para mim esses três filmes integram a mais pura essência do que é um filme de faroeste. O criador desta trilogia, Sergio Leone, natural da Itália, é talvez o cineasta que, em minha opinião, captou esse universo selvagem e sem lei de maneira mais perfeita. Por Um Punhado de Dólares (A Fistful of Dlollars em inglês e Per Un Pugno di Dollari em italiano) é considerado o 1º filme do chamado gênero Western Espagueti, ou, conforme ficou conhecido por aqui "Bang-Bang à Italiana". A partir do declínio dos filmes de westerns americanos, centenas de Bang-Bangs à Italiana foram filmados entre 1963 e 1977. Em geral eram produzidos na Itália e a maioria rodados na Espanha. Embora o 1º filme desse gênero não seja exatamente Por Um Punhado de Dólares (o 1º foi  Gunfight at Red Sands de 1963, estrelado por Richard Harrison e dirigido por Ricardo Blasco), ele foi o 1º a receber críticia e um sucesso financeiro internacional. 

Sérgio Leone

Sergio Leone foi um dos expoentes máximos desse gênero, do qual sou fã incondicional! A linguagem de Leone em seus filmes é visceral, cheia de silêncios e sub-entendidos, traduzindo dessa forma o universo masculino na sua essência mais bruta. Isso torna os filmes de Leone quase que impenetráveis ao público feminino. Isso pode ser comprovado pelo baixo conhecimento de tais filmes junto às mulheres. A leitura de Leone é hermética e muito dos diálogos desenvolvem-se nas entrelinhas e nos silêncios dos duleos. Os personagens são lacônicos e quando têm algo a dizer quem fala são os seus revólveres. Algo muito presente também na Trilogia do Poderoso Chefão de Copola. Longe de ser machista, meu comentário é apenas a constatação do que se passa em cada cena.

O personagem central de Por Um Punhado de Dólares é o Homem-Sem-Nome, interpretado antologicamente por Clint Eastwood. Embora esse personagem tenha recebido essa alcunha (O Homem-Sem-Nome), ele tem nome sim, que é falado pouquíssimas vezes ao longo dos três filmes, você precisa prestar bem atenção para perceber quando ele é citado. Seu nome é simplesmente Joe. Nem preciso dizer que sou fã desse personagem, não é mesmo? Basta olhar meu avatar ao lado no meu blog.

Clint Eastwood como o Homem-Sem-Nome

Por Um Punhado de Dólares é uma leitura pessoal de Sergio Leone de outro filme chamado "Yojimbo" de Akira Kurosawa. Akira logo percebeu essa semelhança e entrou na época com uma ação contra Leone. O acordo posterior entre as partes previu que Akira receberia parte dos lucros do filme. Em uma entrevista posterior Kurosawa reconheceria que teria ganho mais dinheiro com Por Um Punhado de Dólares do que com seu filme original (Yojimbo), completando ele diria: "É uma outra leitura... Mas meu filme está ali." É por isso que o filme foi lançado no Japão com o nome "O Retorno de Yojimbo". O filme se inicia com O Homem-Sem-Nome (Eastwood) chegando à cidade de San Miguel, onde encontra dois clãs em luta pelo controle do contrabando de armas (os Rojos e os Baxters). Logo O Homem-Sem-Nome jogaria dos dois lados das famílias. Sergio Leone levou o gênero western a um patamar que os filmes americanos de Bang-Bang ainda não tinham ido. A violência só vai aumentando e não há qualquer justificativa moral para matar, exceto em uma cena em que Eastwood mata 04 ou 05 homens em uma sala para libertar uma mulher e seu filho. Duas cenas de grande violência merecem destaque: o massacre que Ramón Rojo (na grande e magistral interpretação de um ator italiano que eu acho fantástico nos Westerns Spaghettis, Gian Maria Volonté) impõe em um batalhão inteiro de soldados, ele mata a todos com uma metralhadora giratória; a outra cena é quando Ramón põe fogo em uma casa e, conforme seus integrantes fogem da fumaça, ele vai executando cada um na porta de entrada.

Gian Maria Volonté como Ramón em Por Um Punhado de Dólares

Existe uma cena que pouca gente já viu que antecede o início oficial do filme. Nela o Homem-Sem-Nome é retirado de uma cela em uma prisão da União. Ele é conduzido até o diretor do presídio que é ninguém menos que Harry Dean Stanton. Não sabe quem é?? Pois saiba que ele esteve no recente filme dos Vingadores. Lembra a cena que o Hulk cai do aeroporta aviões da Shield e quando ele acorda em um galpão como Bruce Banner ele conversa com um vigia ou zelador. Pois é! Esse é Harry Dean Stanton! Nessa cena nunca mostrada de Por Um Punhado de Dólares, Stanton incumbe o Homem-Sem-Nome de ir à San Miguel dar um fim à violência que ocorre na cidade, desbaratando as duas famílias. Em troca ele teria sua liberdade. Clint Eastwood não é mostrado na sequencia interira da cena. A câmera acompanha apenas as pernas do personagem e quando ele é mostrado está sempre de costas. Ninguém sabe quem foi o ator que interpretou o Homem-Sem-Nome nessa cena. Leone teria retirado essa sequencia por achar supérfluo explicar de onde o Homem-Sem-Nome vinha.

Parte da sequencia inicial nunca mostrada na versão oficial do filme. Nela você confere Harry Dean Stanton.

Como eu disse acima os filmes de Leone foram além dos westerns comuns, à começar pelo cartaz original do filme, no qual Clint Eastwood nem aparece, mas um pistoleiro aponta sua arma para a platéia, algo que chocou na época (veja abaixo).

Cartaz Original de Por Um Punhado de Dólares

O segundo cartaz oficial do filme também não trazia Clint Eastwood, ainda um astro em ascenção mas que, com esse filme, teria seu talento correndo o mundo.

Outro cartaz oficial do Filme. Não há ainda a imagem do Homem-Sem-Nome.

Leone não concebeu a Trilogia dos Dólares como uma "série", ao contrário do que muita gente pensa, mas a tentativa do público em tornar os três filmes um conjunto único com o mesmo personagem sempre esteve presente. Caso você note, Clint Eastwood faz personagens com algumas diferenças nos três filmes (ou quem sabe facetas de uma mesma pessoa): em Por Um Punhado de Dólares ele é um mercenário; em Por Uns Dólares à Mais ele é um caçador de recompensas; e em Três Homens em Conflito é um bandoleiro vagando pela Guerra Civil Americana. Muito tempo depois Leone teria dado a seguinte declaração: "Tudo bem... Talvez seja uma série então.". Não há uma ordem cronológica nos filmes, porém o 3º filme (Três Homens em Conflito) se passa durante a Guerra Civil Americana, que ocorreu entre 1861 e 1865. No entanto, no 1º filme (Por Um Punhado de Dólares) tem uma cena em que o Homem-Sem-Nome está em um cemitério no qual há uma lápide que ostenta a seguinte data: 1873. Dessa forma se considerarmos a trilogia uma série o 1º filme se passaria depois do 3º.

Outra curiosidade é que, quando Por Um Punhado de Dólares foi lançado, Sergio Leone, entre vários outros atores, usaram pseudônimos nos cartazes. Talvez isso fosse uma prática da época para aumentar a aceitação do filme no mercado norte americano (não sei), mas se você olhar o cartaz acima, Leone tem o nome de Bob Robertson e Gian Maria Volonté aparece como John Wells!

A trilha sonora de Ennio Morricone pode se dizer que é tão poderosa que na verdade se comporta como um personagem. Ou seja, a trilha atua também! Falar de Ennio Morricone é um sacrilégio em tão poucas palavras, pois o Grande Maestro Morricone mereceria na verdade uma série de posts!

Uma das cenas iniciais de Por Um Punhado de Dólares. Nela Clint Eastwood aparece vestindo seu famoso "ponche".

Por Um Punhado de Dólares... Um filme único... E ao mesmo tempo complementar aos outros dois da trilogia.

Assista e você verá como nós homens nos comportamos, em nosso estado mais Bruto!
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